Palmeiras se impôs de forma categórica para eliminar o Al Ahly e avançar à final do Mundial
Com grande atuação, Palmeiras foi claramente melhor que o Al Ahly e venceu com uma tranquilidade incomum para os sul-americanos em uma semifinal de Mundial
A semifinal do Mundial é normalmente o momento mais tenso para os clubes sul-americanos que jogam o torneio, especialmente pelo temor de uma eliminação precoce. Até por isso, é comum vermos jogos apertados. Desta vez, porém, o Palmeiras conseguiu uma vitória com autoridade. Diante do campeão africano, Al Ahly, que eliminou o Monterrey na fase anterior, o Palmeiras se impôs, venceu por 2 a 0 e correu poucos riscos ao longo da partida. Avança à final do torneio e espera o vencedor entre Al Hilal e Chelsea nesta quarta.
O estádio Al Nahyam, em Abu Dhabi, estava tomado por brasileiros. Cerca de 70% dos torcedores eram alviverdes, que cantaram, apoiaram e se fizeram presentes. O Al Nahyan virou uma espécie de Parque Antártica e o Palmeiras jogou como se estivesse em casa: se impondo, pressionando e já sendo melhor desde o começo.
O próprio Palmeiras já tinha vivido uma semifinal muito difícil no ano anterior. Na edição passada, o clube foi eliminado pelo Tigres em uma derrota apertada por 1 a 0. Na decisão do terceiro lugar, perdeu do Al Ahly nos pênaltis. Se considerarmos a participação anterior, em 1999, o Palmeiras nunca tinha conseguido marcar um gol sequer. Por isso, a vitória teve muita importância: fez um gol e venceu com a autoridade de um bicampeão da Libertadores diante de uma potência como é o Al Ahly na África.
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As escalações
O Palmeiras veio a campo com seu time que venceu a Libertadores diante do Flamengo, em novembro, mas a disposição em campo foi diferente. Se na decisão continental o time atuou com três zagueiros, desta vez foi no 4-2-3-1, com linha de quatro na defesa, meio-campo postado e os atacantes se revezando, com Gustavo Scarpa atuando na ponta esquerda.
O Al Ahly teve jogadores que estavam com a seleção africana na Copa Africana de Nações de volta, mas, claro, longe de estarem nas melhores condições físicas. Tanto que alguns deles começaram no banco, como o artilheiro Mohamed Sherif, que só entraria na etapa final.
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Pré-jogo de provocação
O técnico do Al Ahly, Pitso Mosimane, questionou o fato do Palmeiras entrar direto na semifinal e lembrou que os egípcios venceram o adversário brasileiro na última edição do Mundial, na disputa pelo terceiro lugar. O Al Ahly venceu nos pênaltis e ficou com o terceiro lugar da última edição.
Ainda que o critério inicial tenha sido político, antes de tudo, há razões históricas. No futebol de seleções, só países da Europa e América do Sul venceram a Copa do Mundo. No Mundial de Clubes com todos os continentes, em 2000 e depois de 2005 em diante, só sul-americanos e europeus venceram. Das 16 edições, em 11 a final foi entre um sul-americano e um europeu. Nas cinco vezes que isso não aconteceu, foi com um time tirando o sul-americano, mas perdendo a final.
As declarações de Mosimane, claro, apimentaram mais o jogo. Os africanos, afinal, são um dos grandes times africanos, repleto de títulos e com um histórico de conquistas. Seja como for, as declarações do treinador ajudaram a criar um clima mais tenso entre os dois clubes, com maior rivalidade. Também acaba sendo uma tentativa de minar um pouco o favoritismo do clube brasileiro.
Ampla superioridade no primeiro tempo
O Palmeiras começou o jogo indo mais ao ataque e pressionando. Durante toda a primeira etapa, foi o time alviverde que deu as cartas, controlou o meio-campo e se posicionou no campo de ataque. Só o Palmeiras atacava. Os egípcios mal conseguiram chegar ao ataque.
O clube brasileiro rondava a área egípcia, mas sem conseguir quebrar a defesa adversária. Os palmeirenses dominaram o meio-campo e, assim, impunham o seu jogo, tentavam rodar a bola e encontrar os espaços. Alguns cruzamentos levaram perigo, mas faltava uma finalização de mais perigo. Quando ela veio, foi fatal.
Com 38 minutos, o Palmeiras conseguiu quebrar a resistência dos egípcios. Danilo acionou o Dudu, que de primeira passou para Raphael Veiga. O camisa 23, na cara do gol, tocou de pé direito, no canto, e marcou: 1 a 0. Foi o 29º gol do meia em todas as competições sob o comando de Abel Ferreira. Ninguém fez mais gols que ele nesse intervalo.
Gol logo no início do segundo
Nos primeiros minutos do segundo tempo, o Al Ahly tentou responder à dominância brasileira no primeiro tempo. Colocou o time mais à frente e tentou atacar mais. Só que isso durou bem pouco. Na primeira vez que o Palmeiras chegou com perigo, ampliou o placar.
Aos três minutos, Dudu recebeu de Raphael Veiga com liberdade em um contra-ataque e avançou com velocidade, do meio-campo até a grande área, e chutou forte, no alto, para marcar um belo gol: 2 a 0 e mais vantagem ao time verde e branco.
Depois do gol, porém, o Palmeiras viu o Al Ahly crescer no jogo. As mudanças do técnico Pitso Mosimane fizeram efeito. Ele chamou Ahmed Hamdi Abdelkader, Mohamed Sherif, que estava na CAN com a seleção egípcia, Hamdi Fathi, outro que estava na CAN. O time africano melhorou na partida.
A partir dali, o Al Ahly começou a chegar mais, ameaçar e, aos 27 minutos, conseguiu balançar as redes. Em um chute de fora da área, o goleiro Weverton falhou e rebateu a bola para frente. Sherif, livre, tocou para o fundo da rede. O susto logo passou para os torcedores alviverdes: o atacante egípcio estava em posição irregular e o tento foi anulado, corretamente.
A partida esquentou. O Al Ahly começou a fazer mais faltas e, aos 34 minutos, Ayman Ashraf, capitão dos egípcios, fez uma falta violenta sobre o atacante Rony. O árbitro inicialmente deu apenas cartão amarelo, mas o VAR o chamou. Ele revisou o lance, tirou o cartão amarelo e mostrou o vermelho. A entrada forte demais foi até pouco inteligente, porque não era um lance de perigo e foi na intermediária. Um lance pouco inteligente.
Com o tempo já avançado, o Palmeiras administrava o jogo e Abel Ferreira fez mudanças no time. Entraram Eduard Atuesta, Breno Lopes e Deyverson, em mudanças mais para ganhar tempo do que para efetivamente mudar algo no time. Foi possível até tirar um pouco de intensidade e gastar o tempo.
Nos acréscimos, porém, ainda houve tempo de um susto. Eram 49 minutos quando Mohamed Haby chutou bem e exigiu uma defesaça de Weverton. Depois, em um cruzamento, a bola ainda tocou na trave em uma cabeçada. Dois lances de muito perigo em sequência, mas foram os últimos na partida. Não houve tempo para mais nada. A vitória era mesmo palmeirense, que comemora a passagem à final.
O Palmeiras espera pelo vencedor de Al Hilal e Chelsea para a final, no sábado, às 13h30 (horário de Brasília), no Estádio Mohammed Bin Zayed. Antes, às 10h, há a decisão do terceiro lugar entre os dois perdedores da semifinal, nesse mesmo estádio, Al Nahyan.



