Mundial de Clubes

O golaço anulado do Ulsan lembra outro lance famoso dos Mundiais: a obra-prima de Platini em 1985 que não valeu

Foi um pecado anularem o golaço do Ulsan Hyundai nesta abertura do Mundial de Clubes. Yoon Bit-garam ia anotando uma pintura que valeria Prêmio Puskás. O camisa 10 dominou um lançamento longo no peito e girou já completando um voleio fabuloso, sem deixar a bola cair, diretamente ao ângulo. Infelizmente, o gol de placa precisou ser cancelado por um impedimento mínimo do jogador. Pior, o tento negado ainda impediu a chance de empate aos sul-coreanos, que acabaram eliminados pelo Tigres com a derrota por 2 a 1. Yoon, porém, não está sozinho na história dos Mundiais.

Em seu passado, a antiga Copa Intercontinental também teve um gol espetacular que acabou anulado por impedimento. Aconteceu em 1985, quando Michel Platini gastava a bola na Juventus e os campeões europeus desafiaram o Argentinos Juniors no Estádio Nacional de Tóquio. As duas equipes empatavam por 1 a 1 quando, depois de um escanteio, Massimo Bonini ajeitou a bola para o camisa 10 dentro da área. Platini matou no peito, chapelou o marcador e, com um belíssimo sem-pulo, mandou a bola na gaveta. Todavia, nada daquilo valeria.

Na época, não existia o chamado “impedimento passivo” no futebol. Não importava muito que um atacante em posição irregular não participasse da jogada. Independentemente disso, a infração era marcada – e foi justamente o que aconteceu em Tóquio. Aldo Serena estava ligeiramente adiantado na hora do passe de Bonini e, mesmo sem interferir na finalização, a obra-prima de Platini acabou anulada. A reação do camisa 10 diz muito sobre sua frustração. Ele chegou a deitar no gramado, além de discutir com o árbitro alemão Volker Roth.

O final daquele jogo, pelo menos, foi feliz à Juventus. O Argentinos Juniors até marcou o segundo gol antes, mas Michael Laudrup decretou o empate por 2 a 2. Já nos pênaltis, a Velha Senhora confirmou o título inédito, com o próprio Platini fechando a série em 4 a 2. Entretanto, nem tudo ficou bem depois daquela tarde. Segundo Serena, Platini sempre enche sua paciência pelo impedimento e nunca o teria perdoado pelo vacilo. Seria uma pérola a mais numa carreira tão condecorada, afinal.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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