Casa da final do Mundial, Nova Jersey tem embaixada informal de Napoli e Maradona
Como sonho de italiano virou uma casa para o atual campeão italiano do outro lado do oceano
Segundo o Censo Estadunidense de 2020, mais de 30% da população do Condado de Bergen, em Nova Jersey, nos EUA, é composta de descendentes de italianos. É em Bergen que fica East Rutherford, município onde está o MetLife Stadium, palco da final da Copa do Mundo de Clubes — e da decisão do Mundial de seleções de 2026.
Na região, é impossível saber onde começam e terminam os pequenos municípios que formam o condado. Se pensarmos a geografia do local como se fosse a do Brasil, os municípios de Bergen são como bairros, só que com prefeitos e vereadores. Já o condado seria o que chamamos de cidade.
Desse modo que os principais hotéis para quem quer estar perto da arena ficam na cidade vizinha a oeste: Rutherford. É também por lá que está o restaurante Song’e Napule (“Somos de Nápoles”, no dialeto napolitano).
Uma casa temática
Um restaurante italiano nos Estados Unidos constitui zero novidade. Mas o Song’e Napule é um pouco diferente. Por fora, a casa se parece com todos os vizinhos com quem divide paredes, em um imóvel contínuo de quase 500m de frente, na Park Avenue, a via principal local. Mas, dentro, está quase um estabelecimento temático do Napoli e de Diego Maradona.
A Trivela descobriu o Song’e Napule ao acaso. Famintos, um grupo de jornalistas deixou o MetLife Stadium após uma entrevista coletiva de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras. E, cansados de hambúrgueres, imaginaram que encontrariam algo com mais sustância em uma cantina. Estavam certos.

Não foi à toa que o Song’e Napule, que tem outras duas unidades na cidade de Nova York, ficou entre os dez melhores restaurantes italianos da metrópole no ano passado, de acordo com o guia especializado internacional “Gambero Rosso”. A pizza do local não deve em nada à da paulistana Leggera, dos arredores do Allianz Parque, considerada a melhor da América Latina.
Logo que chegou ao local, a reportagem percebeu um pôster de Maradona na parede. Depois, reparou que os pizzaiolos usavam camisas que imitava peças vintage do Napoli, aquela com o tradicional patrocínio do pastifício “Buitoni”, que estampou a maglia da equipe nos anos 1980. E foi vendo que, em cada canto, havia algo que remetia ao atual campeão italiano da Série A.
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Maradona é um San Gennaro secular
Ciro Iovine, o italiano fundador da rede, nasceu e viveu em Fuorigrotta, um bairro do qual é possível ir a pé para o Estádio Diego Armando Maradona de Nápoles — não confundir com seu homônimo de Buenos Aires, do Argentinos Juniors.
— Para nós, napolitanos, Maradona não é apenas um jogador de futebol. Ele é um símbolo, uma lenda, um pedaço da nossa alma. Ele nos deu orgulho, dignidade e vitórias inesquecíveis. Crescer em Nápoles, nos anos 80 e 90, era ter Maradona como tudo. Em nossos restaurantes, ele está sempre presente: nas paredes, na música, nas nossas memórias. É como se ele nos trouxesse sorte, como se abençoasse cada pizza que sai do forno. Ele é nosso San Gennaro secular — disse Iovine à Trivela.
A primeira unidade do Song’e Napule foi fundada em 2015, por Ciro e sua esposa Austria, na região do bairro moderninho de East Village. Depois, veio a casa do Upper West Side. E, em 2023, o restaurante visitado pela reportagem.
— Temos uma comunidade forte em Nova Jersey. Por isso, abrimos uma unidade lá. Há uma linda mistura de napolitanos, italianos e americanos que realmente abraçaram nosso estilo.
Realização de um sonho

Ciro Iovine, que começou a fazer pizzas com 12 anos, afirma ter conseguido realizar um sonho ao estabelecer suas casas nos EUA. Principalmente por transformar as unidades em embaixadas informais de Nápoles e do Napoli na região.
— Quando o Napoli joga, tudo para – ligamos a TV e assistimos juntos. É como estar de volta em casa. Temos uma conexão profunda com o Napoli Calcio, e também acompanhamos o futebol europeu de perto. Para nós, não é apenas um esporte, é parte de quem somos.
Quando o Napoli conquistou o scudetto, muitos torcedores estiveram no local. Uma TV italiana, de Nápoles, inclusive fez um link ao vivo do local, mostrando a festa dos tiffosi na América do Norte. Mas, durante o Mundial, não houve grande aglomeração de torcedores da Juventus e da Internazionale nos restaurantes.
Algo que certamente será diferente na Copa de 2026, durante os jogos da seleção da Itália, caso a Azzura se classifique. Ou, se um dia, o Napoli estiver em uma edição da Copa do Mundo de Clubes.



