Mundial de Clubes

Kashima vira sobre o Chivas e terá a revanche contra o Real Madrid na semifinal do Mundial

Desde que o Corinthians conquistou o Mundial de Clubes em 2012, apenas uma vez os “desafiantes” estiveram próximos de desbancar os europeus na final do torneio da Fifa. O Kashima Antlers quase assegurou o impensável diante do Real Madrid em 2016, ao jogar melhor que os merengues e vender caro a derrota por 4 a 2 na prorrogação – em resultado explicado também pelas decisões contestáveis da arbitragem. Muita coisa mudou desde então. O Kashima perdeu destaques daquela época, com menção especial a Gaku Shibasaki. Da mesma forma, o Real viu protagonistas arrumarem as malas, sobretudo Cristiano Ronaldo e Zinedine Zidane. Mas, apesar das diferenças, os japoneses poderão confiar nas chances de uma revanche. Garantiram a vaga na semifinal do Mundial 2018 neste sábado, ao derrotarem o Chivas Guadalajara de virada, por 3 a 2. O reencontro com os espanhóis em Abu Dhabi acontece no próximo dia 19.

Diante da péssima fase do Real Madrid, o Mundial de Clubes parece a oportunidade do século aos seus participantes. E o Chivas se animava com a possibilidade de encarar os merengues nas semifinais, dando como certo o confronto na próxima etapa. Antes, porém, os mexicanos precisariam derrotar o Kashima Antlers. Missão que cumpriram com certa facilidade durante o primeiro tempo. O primeiro gol do Rebãno Sagrado aconteceu logo aos três minutos. Jogadaça de Isaac Brizuela pela direita, cruzando para Ángel Zaldívar concluir de cabeça. A etapa inicial seguiu truncada, mas os alvirrubros tiveram duas chances claríssimas para ampliar pouco antes do intervalo. O goleiro Kwoun Sun-tae realizou milagre em novo arremate de Zaldívar, enquanto Orbelín Pineda carimbou o travessão.

O Kashima veio com mudanças para o segundo tempo. E, comandado pelo atacante brasileiro Serginho, destaque do clube nos últimos meses, não demorou a arrancar a virada. O gol de empate saiu aos quatro minutos. Belo lançamento do ex-jogador do América Mineiro, para que Shoma Doi cruzasse e Ryota Nagaki concluísse às redes. Já o segundo gol, aos 24, foi cortesia do próprio Serginho em cobrança de pênalti. Contra um Chivas que sofria para reagir, o terceiro gol se concretizou aos 39. Um golaço, aliás. Hiroki Abe tinha sido a alteração dos japoneses no intervalo, suplantando Leandro – ex-jogador de Grêmio e Palmeiras. Pois o garoto de 19 anos apresentou todo seu talento, ao ajeitar e acertar um belíssimo chute na gaveta do goleiro Raúl Gudiño.

Justamente nos acréscimos, quando o duelo parecia mais do que resolvido, é que o Chivas Guadalajara ressuscitou. Primeiro, Kwoun Sun-tae realizou mais uma defesa impressionante, em desvio à queima-roupa de Jesús Godínez. Logo depois, um pênalti foi anotado para os mexicanos com auxílio do VAR. O goleiro sul-coreano saltou no cantinho para espalmar o chute de Alan Pulido, mas o atacante anotou no rebote. E quando o Rebaño Sagrado agarrava no fio de esperança pelo empate, com o goleiro Gudiño já na área adversária, o Kashima fez um desarme crucial para assegurar a diferença.

A decepção do Chivas Guadalajara é evidente. O time conquistou a Concachampions sob desconfianças e sofreu uma mudança no comando técnico, com Matías Almeyda deixando o cargo no meio do ano. Ainda assim, o Rebaño Sagrado possuía talentos para acreditar na classificação. Acabam ampliando a lista de frustrações entre os clubes mexicanos que participaram do Mundial de Clubes. Precisarão se contentar com a decisão pelo quinto lugar.

O Kashima Antlers, por sua vez, vem encorpado desde 2016. Os campeões da J-League naquela ocasião ressurgem como vencedores da Champions Asiática. Possuem um time competitivo e que não sucumbe às pressões, como demonstrou mais de uma vez nos últimos compromissos internacionais. E se o Real Madrid têm sofrido contra oponentes teoricamente inferiores, a motivação dos japoneses poderá diminuir as distâncias. Nomes como Gen Shoji, Yasushi Endo e Shoma Doi deverão colocar em prática aquilo que absorveram sobre os merengues há dois anos, agora no campo neutro de Abu Dhabi. É ver se o milagre se aproximará outra vez.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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