Ídolo? Qual é o status do capitão Marquinhos no PSG após título europeu
Brasileiro estreou o PSG no palco principal da Champions League. Mas onde ele aparece entre os maiores ídolos da história do clube?
Marquinhos foi o primeiro jogador do Paris Saint-Germain a erguer um título de Champions League — e pode conquistar o primeiro Mundial de Clubes da equipe. O brasileiro está no PSG desde os 19 anos e, agora, com 31, é um dos principais nomes da história do clube. Mas já é considerado ídolo?
Há quem tenha receio de colocar um jogador ainda longe do fim da sua trajetória no futebol como ídolo de um grande clube como o francês. Para Philippe Goguet, fundador do site especializado “CulturePSG”, o brasileiro já escreveu seu nome na história.
Mais do que aquilo que faz com a bola, diversos outros fatores contribuem para a idolatria de Marquinhos — e que dizem respeito à cultura francesa: se esforçou para aprender o idioma rapidamente, mostrou lealdade e conquistou a torcida ao longo de muito tempo.
A trajetória de Marquinhos no PSG
O jovem zagueiro trocou Roma por Paris em julho de 2013. Ainda era uma jovem promessa e havia deixado o Corinthians há apenas um ano. Sete anos depois, seu choro na final da Champions League, em que foi derrotado pelo Bayern, comoveu os parisienses. Depois de longos 12 anos de mais altos do que baixos, consolidou-se como ídolo.
“Ele é uma lenda do PSG pela sua longevidade e fidelidade“, começou Goguet. “Suas fraquezas são conhecidas e admitidas pelos torcedores, mas seu amor pelo clube faz com que muitos o perdoem”. Para ele, não há uma data específica que mude a história entre Marquinhos e o PSG — isso aconteceu ao longo do tempo.

Goguet é jornalista e autor do livro “Rouge et Bleu: 50 ans d’histoire du PSG racontés par ses supporters” (“Vermelho e Azul: 50 anos da história do PSG contada por seus torcedores”, em tradução livre). E, para ele, há um consenso entre os torcedores de que o zagueiro não é o melhor jogador tecnicamente entre os grandes ídolos do clube.
Ele diz que é difícil estabelecer uma posição de Marquinhos no ranking de maiores ídolos da história do clube, justamente porque ele não é um jogador esportivamente acima dos outros.
— Thiago Silva é unanimemente considerado melhor que ele na mesma posição, por exemplo. Mas Marquinhos tem a seu favor uma fidelidade única e é o capitão da primeira Champions League do PSG, o que o torna um jogador à parte.
O defensor se tornou titular oficialmente com a saída de David Luiz, em 2017, aos 23 anos, mas já era adorado antes mesmo de assumir o posto. Principalmente por sua versatilidade (já jogou como volante e lateral nos anos anteriores) e o clássico criador de conexão: raça e vontade.
— Além do fato de ter se esforçado muito rapidamente para falar francês, há algo a seu favor: ele sempre pensou nos outros antes de si mesmo, sempre ajudando. É um exemplo de generosidade. Quando Thomas Tuchel lhe pediu para jogar no meio-campo, ele o fez sem reclamar porque era para o time. E ele era até excelente nessa posição — lembrou Philippe Goguet.
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Marquinhos pode ser o maior ídolo da história do PSG?
Se há a comparação com Thiago Silva, a quem a torcida parisiense tem muito carinho, outro brasileiro também entra na história. Raí, que capitaneou o clube e teve uma passagem de 1993 a 1998, ainda é considerado amplamente o principal nome do Paris Saint-Germain.
A longevidade e lealdade, dessa vez, não pesaram à favor de Marquinhos — ao menos até o momento. Goguet explica que o histórico ex-meia deve seguir acima do zagueiro por diferentes motivos: da qualidade em campo à sua imagem fora dele.
📺 Rai 🇧🇷
⚡ #PSGlegend ⚡ pic.twitter.com/SIpqb0GL4I
— Paris Saint-Germain (@PSG_inside) March 27, 2018
“Raí está acima, obviamente, pois era um jogador mais forte e tinha um carisma muito maior. Raí também teve muito menos fracassos no PSG do que Marquinhos; a história foi mais curta, mas mais intensa“, diz o fundador do “CulturePSG”.
“Capitão Raí foi um ‘amor à primeira vista’, Marquinhos é um casamento feliz“.
Raí tem seis troféus com o PSG, incluindo um campeonato francês — na altura, apenas o segundo da história do clube. Marquinhos, no entanto, participou de praticamente 60% de todos os títulos conquistados pelo clube.
Os títulos de Marquinhos no Paris-Saint Germain:
- 10 campeonatos franceses (o PSG tem 13 ao todo);
- 8 Copas da França (o PSG tem 16);
- 6 Copas da Liga da França (das 9 conquistadas pelo clube);
- 9 Supercopas da França (das 13 totais na história do clube);
- 1 Champions League (a única do PSG).
A fidelidade é sempre lembrada, mas também há reconhecimento por parte do clube: Marquinhos é muito bem pago. Para Goguet, esse também foi um fator que estendeu a longevidade do jogador na capital francesa.
— É preciso ser objetivo: ele é (muito, muito) bem pago e nenhum outro grande clube tentou tirá-lo também. A Arábia Saudita é mencionada regularmente, mas ele provavelmente vai esperar até 2026 para chegar à Copa do Mundo em plena forma.

A chance de se tornar o maior ídolo da história do PSG ainda existe. O jornalista e escritor acredita que a chance seria ainda maior em um cenário mais dramático na última Champions League, caso Marquinhos, por exemplo, saísse como herói do único gol do título… algo que passou longe de acontecer.
“Ele poderia ter se tornado marcando o único gol do PSG na final da Champions League, mas a equipe decidiu de outra forma com aquele mítico 5 a 0. Será difícil que ele seja o maior ídolo da história do clube, mas certamente um dos jogadores mais amados“.



