Mundial de Clubes

Guardiola compara Fluminense ao Brasil de 82 e diz que nunca enfrentou nada parecido

Antes da decisão do Mundial de Clubes contra o Fluminense, Pep Guardiola se derreteu pelo estilo de jogo do adversário

Pep Guardiola nunca escondeu: é um fã da escola brasileira de futebol. Sempre deixou claro o quanto aquela Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1982 o encantou pelas trocas de passes e o elenco recheado de craques. Ao falar do Fluminense de Fernando Diniz na prévia da decisão do Mundial de Clubes, o técnico do Manchester City apontou que há semelhanças no Tricolor Carioca com o que era visto no futebol nacional nas décadas de 70, 80 e o início de 1990.

O estilo de jogo do Flu, de uma saída sempre pelo chão, apoiada, e forma de atacar em bloco com praticamente todos os jogadores no mesmo setor da bola, é algo que impressiona Guardiola. O treinador espanhol ainda disse que nunca enfrentou um time assim.

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– Eles jogam de um jeito muito brasileiro dos anos 70, 80 e início dos anos 90, como quando o Brasil venceu a Copa do Mundo em 1994. Trocas de passes, muitos jogadores onde está a bola. Precisamos ficar ligados nos espaços que teremos. Do jeito como eles jogam, nós nunca enfrentamos um time assim. Não é posicional, eles se mexem muito. A bola se move de um lado para o outro. Temos que nos impôr da melhor forma possível – exaltou Guardiola, emendando:

– [Vejo semelhanças] especialmente da Copa do Mundo da Espanha em 1982. Sim, sem dúvidas, [há similaridades]. Eu amo isso. Eu amo como eles constroem [o jogo], como trocam passes entre eles. O respeito o tempo inteiro com a bola. Sei perfeitamente como o time vai jogar. – completou.

A forma que o time carioca de Diniz joga fez Pep relembrar os tempos que era um garoto admirador da Seleção Brasileira pelas rápidas associações entre os jogadores, todos muito próximos do campo.

– Quando eu era garotinho, até mesmo na adolescência, ouvia do meu pai e pelas pessoas a maneira como o Brasil teve sucesso, com todas as gerações anteriores. A maneira de jogar com muitos passes, devagar, muitas combinações. Dificilmente eram desarmados no um contra um no terço final, muita rapidez. Eles eram capazes de jogar em ambos os ritmos, não apenas em um. Eu assisti a isso por muitos anos. É por isso que tentamos adaptar e ajustar, e espero que eles possam se adaptar a nós.

Guardiola durante entrevista coletiva antes da final do Mundial de Clubes (Foto: Divulgação/Man City)

Por fim, o técnico catalão, já tricampeão do Mundial de Clubes (dois pelo Barcelona, em 2009 e 2011, e um no Bayern de Munique, em 2013), exaltou a qualidade individual dos jogadores do Fluminense e os desafios que tiveram na campanha da Libertadores, superando, por exemplo, o gigante argentino River Plate.

– Conheço exatamente o talento e a qualidade do Fluminense e o que eles podem fazer. Eles venceram times da Argentina, Colômbia e Uruguai. Conheço os jogadores e respeito-os pelo que fazem. […] É muito boa a forma como jogam. Eles jogam muita bola, passes curtos, um contra um, fisicalidade. Temos que ter consciência do quanto eles tentarão ficar atrás. – finalizou.

A decisão inicia às 15h (horário de Brasília) de amanhã no estádio Rei Abdullah Sports City, em Jeddah, na Arábia Saudita. Sabemos o que esperar do Manchester City: posse de bola, pressão, jogo posicional, quase sempre montado na formação 3-2-5 no momento ofensivo. Mas e o Fluminense? Bom, Diniz tratou de afastar qualquer possibilidade de mudança de mentalidade e quer manter o que levou até aqui. Ele ainda exaltou o trabalho de Guardiola, seja no ataque ou na defesa.

– Eu acho que o Guardiola sabe fazer conexões, ele melhora essas coordenações defensivas e ofensivas. É um time que se defende e ataca bem. O melhor jogador do City, apesar dos grandes craques, é a maneira como eles se conectam e conseguem jogar coletivamente – elogiou Diniz.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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