O Tigres não realizou uma grande partida em sua estreia no Mundial de Clubes. Porém, cumpriu as expectativas, algo que nem sempre os clubes mexicanos conseguem fazer, com a vitória por 2 a 1 sobre o Ulsan Hyundai. E os felinos também contaram com o jogador que carrega as maiores esperanças da torcida, o artilheiro André-Pierre Gignac. Se os auriazuis não tiveram grande volume ofensivo, o centroavante foi pontual e letal, com os dois gols e as melhores oportunidades. Desde já, pede atenções redobradas ao nas semifinais.

Gignac nunca foi um craque. No entanto, é um centroavante de muita capacidade e, se recebia a idolatria no Olympique de Marseille, aproveitou a mudança ao para apresentar seu melhor futebol. Vinha de uma ótima temporada sob as ordens de no e cresceu ainda mais. É um homem de referência, que domina o espaço e resolve principalmente pelo alto, mas que também sabe sair além da área. E, sobrando no futebol mexicano, também deixou mais expressos outros predicados. A qualidade do francês na definição se tornou mais clara nos últimos cinco anos e meio. Mais do que isso, não são raras suas jogadas plásticas ou mesmo lances de inteligência na movimentação ofensiva. De voleio, de calcanhar, do meio da rua: seus golaços são para os mais variados gostos.

Se o nível de Gignac permite que ele se sobressaia tanto no , é claro que o centroavante também apareceria com destaque nesta fase inicial do Mundial de Clubes. Desde que chegou ao Tigres, o francês mantém médias respeitáveis, com 146 gols e 35 assistências em 244 aparições pelos felinos. Em duelos de mata-matas, carimbou as redes 45 vezes em 76 partidas. Foi duas vezes artilheiro da Liga MX, quatro vezes campeão nacional, disputou cinco finais continentais até alcançar o almejado título na de 2020. Não perderia a oportunidade no torneio da Fifa, ampliando sua imagem no clube e sua importância em grandes jogos.

Durante um início de partida no qual o Tigres foi de mais a menos, Gignac tinha sido responsável pela melhor chance, em pancada que o bom goleiro Jo Hyeon-woo espalmou. Quando o calo apertou, depois que o Ulsan abriu a contagem, o artilheiro apareceu ainda mais. Na sequência da partida, de novo parou no arqueiro da seleção sul-coreana, numa pancada cobrando falta. Isso até movimentar o placar na reta final do primeiro tempo.

Gignac anotou o gol de empate numa ótima movimentação na cobrança de escanteio, aparecendo livre para definir de cabeça. Depois, o francês já poderia ter virado nos acréscimos, mas pegou mal na bola. Ainda assim, antes do intervalo, participaria do lance que gerou o pênalti e converteu o tiro para a virada. Já no segundo tempo, com o Tigres mais recuado e sem qualquer pressa, Gignac participaria menos. Mais isolado, as jogadas ofensivas eram menos frequentes, com o companheiro Raymundo Fulgencio perdendo os melhores lances. Mesmo assim, a tarefa estaria completa ao apito final.

Por fase, talvez o Tigres não seja o melhor mexicano da história do Mundial. Porém, é aquele que tem mais consistência numa sequência contínua e também um dos que levaram o elenco mais tarimbado ao torneio da Fifa. Além disso, Gignac é um diferencial, certamente o jogador mais perigoso que representou um clube do México na competição. Os 35 anos de idade não interferem em seu poder de decisão. É um jogador que inspira respeito, até pela história que construiu nos felinos.

O único encontro de Gignac contra um adversário brasileiro aconteceu na Libertadores de 2015, pelas semifinais. O recém-chegado reforço encarou o Internacional e causou problemas. Lutou, anotou um dos gols que confirmou a classificação do Tigres e até caneta deu em pleno Beira-Rio. O Palmeiras vai pegar uma versão quase seis anos mais velha do centroavante, com menos mobilidade. Contudo, mais adaptado ao time em sua órbita e mais acostumado a definir grandes partidas. O cuidado é pertinente.