Mundial de Clubes

Não é só o estilo de jogo: Diniz e Guardiola têm treinos totalmente diferentes em Fluminense e Manchester City

Guardiola prioriza descanso no Manchester City, enquanto Diniz mantém ritmo forte de treinamento no Fluminense às vésperas de final do Mundial de Clubes

Fluminense e Manchester City se enfrentam pela grande final do Mundial de Clubes de 2023 nesta sexta (22), às 21h (de Brasília), no King Abdullah Sporting City Stadium. O duelo opõe Pep Guardiola e Fernando Diniz, maior expoente entre os treinadores brasileiros. E descobrimos na Arábia Saudita que os estilos distintos de jogo com a bola não são a única diferença entre eles.

Trivela esteve presente em treinos de Fluminense e Manchester City durante o Mundial de Clubes e conversou com várias pessoas para entender as diferenças nos treinamentos dos dois técnicos.

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Para além do debate entre o jogo de posição e de função, que foi resumido em uma frase de Ederson, Guardiola e Diniz têm muitos pensamentos distintos.

— Creio que vai ser um confronto de paciência. São duas equipes que gostam de manter a posse de bola, mas diferentes. Uma tem mais a rotação da bola e outra mais a de jogadores — disse o goleiro do City e da Seleção Brasileira.

Além de metodologia e filosofia distintas, há também um ponto de destaque: ritmos opostos nas atividades.

Guardiola descansa Manchester City e prioriza tática

Não é novidade para ninguém no futebol mundial que a cabeça de Pep Guardiola é diferente das demais. Um gênio da profissão, o treinador do Manchester City tem, claro, suas idiossincrasias. Ousado em campo, ele é um tanto conservador fora dele — principalmente sobre metodologia de treinos.

Embora o calendário europeu nem de longe ofereça as dificuldades do futebol brasileiro, Guardiola é partidário do descanso. É bem verdade que Fernando Diniz também utilizou a folga como aliada contra a maratona de jogos nos últimos meses, mas Pep vai além.

A esta altura da temporada, os jogadores do Manchester City não são muito exigidos fisicamente em treinamentos. As atividades raramente passam de uma hora e muitas vezes são focadas apenas em vídeos e posicionamento tático, popularmente conhecido no Brasil como “sombra”, sem contato físico.

A ideia, claro, é evitar lesões. Já sem Haaland, Doku e Kevin De Bruyne no Mundial de Clubes, embora todos estejam na fase final da transição para voltar a jogar, o técnico não quer pensar em ter mais desfalques às vésperas do mata-mata da Champions League.

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Diniz não dá tréguas e treinos são intensos e longos no Fluminense

Fernando Diniz fala pouco sobre detalhes do seu trabalho, mas algumas palavras costumam aparecer quando ele e seus jogadores comentam os treinamentos: intensidade e repetição. Cada treino no Fluminense é descrito “como uma guerra” pelos atletas que conversar com a Trivela ao longo de 2023.

Outro dos mantras do Dinizismo é que “sem sacrifício não há vitória”. Os jogadores estão acostumados com treinos longos e muito intensos dentro ou fora do CT Carlos Castilho. No fim da temporada, Diniz utilizou bastante o expediente de folgas e descanso para os atletas, que passaram longas maratonas entre momentos decisivos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores da América.

Quando Diniz afirma que nenhum time trabalha mais que o Fluminense, provavelmente ele estava certo. Nem mesmo na Arábia Saudita ou após o título da Libertadores os treinamentos fortes tiveram trégua.

Por outro lado, nenhum jogador chega a questionar os métodos. Até porque poucas vezes — ou nenhuma — as atividades de Fernando Diniz são sem bola.

Fluminense e Manchester City enxergam Mundial de Clubes de forma diferente

Uma coisa que ficou clara em Jeddah é que o peso da competição não é o mesmo para as duas equipes. Embora o Manchester City tenha adotado o discurso politicamente correto de que deseja muito o título, nem de perto a taça tem a mesma importância que para o Fluminense.

Enquanto o Tricolor fez um planejamento específico para disputar o Mundial de Clubes com tudo o que tem de melhor, o City, na prática, poupa três de suas estrelas. Treinando com bola e em condições, De Bruyne, Haaland e Doku certamente entrariam em campo caso a partida fosse de fato preponderante para os ingleses.

No Flu, há sacrifício de jogadores que convivem com dores, como André, Felipe Melo, Ganso e Cano, entre outros. A taça do Mundial de Clubes virou um novo sonho para o Fluminense, enquanto é apenas um protocolo para o Manchester City.

Pelo contexto esportivo e pela opulência do orçamento, a pressão está com os Citizens. A vitória é obrigação, e uma derrota é um vexame. Sem nada a ver com isso, o Fluminense tenta chocar o mundo mais uma vez.

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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