‘Cultura’ argentina pesa contra classificação de Boca e River no Mundial; entenda
Dupla argentina é a mais indisciplinada da Copa do Mundo de Clubes e isso faz diferença nos critérios de desempate
O futebol argentino é conhecido, além da técnica de seus jogadores, pela entrega e disposições que por vezes pode ser considerada agressiva. Não tem sido diferente com seus dois representantes no Mundial de Clubes, River Plate e Boca Juniors, e essa postura pode acabar sendo prejudicial para dupla na classificação.
Isso porque os critérios de desempate na fase de grupos da competição incluem o fair play, criando uma espécie de tabela negativa e contando pontos a partir de cartões amarelos e vermelhos (não só para jogadores, mas também para comissão técnica) para beneficiar quem tem menos, que avançaria às oitavas de final à frente de adversários “desleais“.
E justamente as equipes da Argentina são as líderes negativas no quesito. Os Xeneizes tiveram dois jogadores expulsos na abertura da Copa do Mundo de Clubes, empate por 2 a 2 com o Benfica, além de mais dois amarelados no jogo. Já na derrota para o Bayern de Munique, outros três jogadores receberam amarelos.
Em segundo no ranking “anti fair play”, os Millonarios tiveram Castaño expulso pelo segundo cartão amarelo no empate zerado com o Monterrey e outros três advertidos, sendo que na estreia contra o Urawa Reds foram quatro.
Como contam cada penalização no Mundial de Clubes para o critério “anti fair play”:
- Cartão amarelo: 1 ponto;
- Cartão vermelho indireto (em decorrência de dois amarelos): 3 pontos;
- Cartão vermelho direto: 4 pontos;
- Cartão amarelo seguido de vermelho direto: 5 pontos.
🔽 Nem mística e catimba do Boca renderam vitória a um sul-americano contra europeu
— Trivela no Mundial de Clubes 🏆 (@trivela) June 17, 2025
Argentinos chegaram a abrir 2 a 0 no primeiro tempo, mas Benfica foi buscar empate #trivelamundial https://t.co/3loRnfyBbU
Boca Juniors e River Plate podem ter que passar por critério no Mundial de Clubes
Nenhum dos dois times de Buenos Aires estão garantidos nas oitavas. O Boca, inclusive, está mais distante do mata-mata e tem missão difícil. Eles somam apenas um ponto, enquanto o Benfica, segundo colocado, quatro. O Bayern de Munique é o líder com seis de pontuação, enquanto o Auckland City está zerado.
Então, para se classificar, os argentinos precisam golear os amadores da Nova Zelândia na última rodada e contar com uma vitória dos alemães. A questão é que os Xeneizes têm um de saldo negativo e os portugueses seis positivo. Ou seja, junto dos resultados citados, também necessitam tirar essa diferença.
Para que chegue no critério de fair play, os Bávaros precisam vencer por 2 a 0 e o Boca por 5 a 0, dois resultados possíveis considerando os adversários. Mesmo assim, o time de Lisboa avançaria na segunda colocação porque estariam empatados em todos os outros critérios de desempate e tem vantagem pelos cartões amarelos e vermelhos do representante da Argentina.
Qualquer gol a mais para os vencedores dos jogos, porém, como 3 a 0 Boca ou 6 a 0 Bayern, dá a classificação para o time de Miguel Ángel Russo.
Critérios de desempate da fase de grupos do Mundial de Clubes em ordem de prioridade:
- Pontuação
- Pontuação nos confrontos diretos
- Saldo de gols nos confrontos diretos
- Gols marcados nos confrontos diretos
- Reaplicação dos critérios acima entre os times que continuarem empatados
- Saldo de gols geral
- Gols marcados no grupo
- Desempenho disciplinar (fair play)
- Sorteio

No caso do River, líder do grupo E com quatro pontos (mesmo número da segunda Internazionale e dois a mais que o terceiro Monterrey), o critério de cartões pode se aplicado em caso de empate em 1 a 1 entre argentinos e italianos e vitória por 3 a 1 do time do México sobre o Urawa na rodada final — assim, o River sofreria por sua indisciplina no torneio.
Essa chave, porém, é muito mais complexa por conta dos confrontos diretos entre os três primeiros até aqui terem sido todos empates e há vários cenários (explicados nesta matéria).
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Ex-Flamengo reclama do jogo agressivo do River
Após o empate em 0 a 0 entre River e Monterrey no último sábado (21), o técnico Domènec Torrent, ex-Flamengo e agora comandante dos Rayados, cutucou a agressividade do adversário para faltas. Além da expulsão e dos cartões amarelos, foram 22 infrações só do lado argentino.
— Faltou a gente chegar com mais clareza, mas não é fácil. Cada vez que Nelson (Deossa), Johan (Rojas) ou Roberto (De la Rosa) iam, vinha uma falta, outra falta e outra falta. É difícil jogar assim. Não vou tirar o mérito e sei que o adversário está acostumado a jogar assim. Felicidades, porque fazem bem, mas não é fácil — disse.
— Você está com a bola e tem a sensação de que a cada momento vai ao chão. Enquanto estava vendo vocês (jornalistas), tinha um televisor e creio que eles fizeram 22 faltas. Não me queixo, é o que tem — finalizou.
A postura dos Millonarios, no entanto, cobra um preço. Além de Castaño pelo cartão vermelho, Enzo Pérez e Giuliano Galoppo estão suspensos por amarelos para o confronto com a Inter na próxima quarta-feira (25). Um dia antes, o Boca Juniors enfrenta o Auckland.



