Mundial de Clubes

‘Cultura’ argentina pesa contra classificação de Boca e River no Mundial; entenda

Dupla argentina é a mais indisciplinada da Copa do Mundo de Clubes e isso faz diferença nos critérios de desempate

O futebol argentino é conhecido, além da técnica de seus jogadores, pela entrega e disposições que por vezes pode ser considerada agressiva. Não tem sido diferente com seus dois representantes no Mundial de Clubes, River Plate e Boca Juniors, e essa postura pode acabar sendo prejudicial para dupla na classificação.

Isso porque os critérios de desempate na fase de grupos da competição incluem o fair play, criando uma espécie de tabela negativa e contando pontos a partir de cartões amarelos e vermelhos (não só para jogadores, mas também para comissão técnica) para beneficiar quem tem menos, que avançaria às oitavas de final à frente de adversários “desleais“.

E justamente as equipes da Argentina são as líderes negativas no quesito. Os Xeneizes tiveram dois jogadores expulsos na abertura da Copa do Mundo de Clubes, empate por 2 a 2 com o Benfica, além de mais dois amarelados no jogo. Já na derrota para o Bayern de Munique, outros três jogadores receberam amarelos.

Em segundo no ranking “anti fair play”, os Millonarios tiveram Castaño expulso pelo segundo cartão amarelo no empate zerado com o Monterrey e outros três advertidos, sendo que na estreia contra o Urawa Reds foram quatro.

Como contam cada penalização no Mundial de Clubes para o critério “anti fair play”:

  • Cartão amarelo: 1 ponto;
  • Cartão vermelho indireto (em decorrência de dois amarelos): 3 pontos;
  • Cartão vermelho direto: 4 pontos;
  • Cartão amarelo seguido de vermelho direto: 5 pontos.

Boca Juniors e River Plate podem ter que passar por critério no Mundial de Clubes

Nenhum dos dois times de Buenos Aires estão garantidos nas oitavas. O Boca, inclusive, está mais distante do mata-mata e tem missão difícil. Eles somam apenas um ponto, enquanto o Benfica, segundo colocado, quatro. O Bayern de Munique é o líder com seis de pontuação, enquanto o Auckland City está zerado.

Então, para se classificar, os argentinos precisam golear os amadores da Nova Zelândia na última rodada e contar com uma vitória dos alemães. A questão é que os Xeneizes têm um de saldo negativo e os portugueses seis positivo. Ou seja, junto dos resultados citados, também necessitam tirar essa diferença.

Para que chegue no critério de fair play, os Bávaros precisam vencer por 2 a 0 e o Boca por 5 a 0, dois resultados possíveis considerando os adversários. Mesmo assim, o time de Lisboa avançaria na segunda colocação porque estariam empatados em todos os outros critérios de desempate e tem vantagem pelos cartões amarelos e vermelhos do representante da Argentina.

Qualquer gol a mais para os vencedores dos jogos, porém, como 3 a 0 Boca ou 6 a 0 Bayern, dá a classificação para o time de Miguel Ángel Russo.

Critérios de desempate da fase de grupos do Mundial de Clubes em ordem de prioridade:

  1. Pontuação
  2. Pontuação nos confrontos diretos
  3. Saldo de gols nos confrontos diretos
  4. Gols marcados nos confrontos diretos
  5. Reaplicação dos critérios acima entre os times que continuarem empatados
  6. Saldo de gols geral
  7. Gols marcados no grupo
  8. Desempenho disciplinar (fair play)
  9. Sorteio
Merentiel em jogo do Boca Juniors
Merentiel em jogo do Boca Juniors (Foto: Imago)

No caso do River, líder do grupo E com quatro pontos (mesmo número da segunda Internazionale e dois a mais que o terceiro Monterrey), o critério de cartões pode se aplicado em caso de empate em 1 a 1 entre argentinos e italianos e vitória por 3 a 1 do time do México sobre o Urawa na rodada final — assim, o River sofreria por sua indisciplina no torneio.

Essa chave, porém, é muito mais complexa por conta dos confrontos diretos entre os três primeiros até aqui terem sido todos empates e há vários cenários (explicados nesta matéria).

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Ex-Flamengo reclama do jogo agressivo do River

Após o empate em 0 a 0 entre River e Monterrey no último sábado (21), o técnico Domènec Torrent, ex-Flamengo e agora comandante dos Rayados, cutucou a agressividade do adversário para faltas. Além da expulsão e dos cartões amarelos, foram 22 infrações só do lado argentino.

— Faltou a gente chegar com mais clareza, mas não é fácil. Cada vez que Nelson (Deossa), Johan (Rojas) ou Roberto (De la Rosa) iam, vinha uma falta, outra falta e outra falta. É difícil jogar assim. Não vou tirar o mérito e sei que o adversário está acostumado a jogar assim. Felicidades, porque fazem bem, mas não é fácil — disse.

— Você está com a bola e tem a sensação de que a cada momento vai ao chão. Enquanto estava vendo vocês (jornalistas), tinha um televisor e creio que eles fizeram 22 faltas. Não me queixo, é o que tem — finalizou.

A postura dos Millonarios, no entanto, cobra um preço. Além de Castaño pelo cartão vermelho, Enzo Pérez e Giuliano Galoppo estão suspensos por amarelos para o confronto com a Inter na próxima quarta-feira (25). Um dia antes, o Boca Juniors enfrenta o Auckland.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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