Mundial de Clubes

Como vexame do Boca Juniors no Mundial segue ecoando do outro lado do mundo

Gerard Garriga, meia do clube neozelandês, relembrou o empate histórico diante dos argentinos

A participação do Auckland City no Mundial de Clubes foi bastante marcante. O clube da Nova Zelândia era o único semiprofissional a disputar a competição internacional da Fifa, foi goleado nas duas primeiras partidas, mas conseguiu um empate heroico por 1 a 1 diante do Boca Juniors na terceira rodada da fase de grupos.

A estreia do clube neozelandês foi diante do Bayern de Munique, mas ficou marcada pela goleada de 10 a 0. Depois, enfrentou o Benfica e novamente sofreu com um placar elástico: 6 a 0.

— Estávamos confiantes porque estávamos melhorando. O plano de jogo nas três partidas foi o mesmo. Deixamos eles cruzarem, mas acho que melhoramos nossa estrutura defensiva para proteger contra cruzamentos. Como equipe, acreditamos nisso, e foi assim que o resultado surgiu — relembrou o meia espanhol Gerard Garriga, que defende o Auckland City desde 2022, em entrevista à “TyC Sports”.

Com os dois resultados negativos iniciais, a eliminação veio ainda na primeira fase do torneio, ainda que tenham empatado com o Boca Juniors. Mesmo assim, todos os atletas da equipe que estiveram presentes naquele dia guardam com carinho o que aconteceu.

— Um empate contra o Boca Juniors é mais importante do que vencer a Liga Neozelandesa ou a Champions da Oceania. Um empate contra um dos melhores times da América do Sul, talvez o melhor da história e com mais títulos, é algo que ninguém poderia esperar. Estamos falando de um time de ponta. Um empate é algo que ficará para sempre na história. É algo que você contará aos seus netos quando for avô, porque é algo irrepetível — afirmou.

— Comemoramos de uma forma incrível. Ficamos em campo com nossas famílias e a torcida que veio nos apoiar. Não queríamos ir embora porque sentíamos que era algo que não sabíamos que aconteceria novamente, e queríamos vivê-lo ao máximo. Depois, saímos para festejar e nos divertimos muito — completou.

Christian Gray foi o autor do gol que deu o empate ao Auckland City. Foto: Iconsport

Além de empatar dentro de campo com uma das equipes mais tradicionais da América do Sul, o Auckland teve outro adversário: a torcida na arquibancada. O Boca Juniors levou milhares de torcedores aos Estados Unidos para acompanhar o Mundial e essa torcida foi um dos grandes destaques do torneio, visto que em todos os jogos empurravam sem parar. Isso também marcou bastante Gerard.

— Eles não pararam de cantar por 90 minutos — relembra.

— No dia seguinte, eu estava voando para a Espanha e me lembro de estar no avião. Eu estava tentando dormir porque ficaria fora por uns cinco dias visitando a família. Eu fechava os olhos e sentia como se eles ainda estivessem cantando a música ‘Dale Boca’ para mim. Ela fica grudada na sua mente e na sua cabeça, e você não consegue tirar. Lembro de estar sentado no avião e pensando: ‘O que está acontecendo comigo? No dia seguinte ao jogo, estávamos jantando e cantando ‘Dale Boca’ com meus companheiros,  porque parecia que estávamos rindo, mas era real. Três dias se passaram e eu ainda estava cantando. Foi uma experiência única –conta Garriga.

Garriga expressa desejo de jogar na América do Sul

Gerard Garriga é espanhol, mas atua na Nova Zelândia desde 2018. O jogador foi ao país com a intenção de viajar e aprender inglês, mas acabou sendo aprovado em um teste no Western Spring, iniciando sua carreira como atleta amador. Antes, ele já havia defendido o Atlético Alpicat, da Espanha. Em 2022, foi contratado pelo Auckland City.

— Foi uma alegria incrível, mas também com a responsabilidade que vem com isso. Ter que jogar bem, começar a sentir a pressão, porque com outros times você não sente a mesma pressão que quando joga com o Auckland, todo time quer te vencer — disse.

Por ser uma equipe semiprofissional, os atletas dividem suas funções entre o clube e trabalhos extras para complementar a renda. Gerard, por exemplo, é formado em educação física e atua como preparador de jovens das categorias de base que sonham em ganhar a vida com o futebol.

Soccer: FIFA Club World Cup 2025-Group Stage-CA Boca Juniors at Auckland City FC
Gerard Garriga em partida contra o Boca Juniors. Foto: Icon Sports

— Quando cheguei, como eu também não falava inglês muito bem, pude começar a trabalhar com um argentino dono de uma empresa de limpeza, e fiquei por alguns meses. Depois, quando comecei a falar um pouco mais de inglês, comecei a trabalhar como garçom em alguns restaurantes. Depois disso, assinei com a Western Springs, e eles solicitaram um visto para eu treinar as categorias de base. Sim, trabalho em categorias de base há seis anos, treinando meninos e meninas. Este tem sido o meu trabalho, pois na Espanha obtive um certificado de treinador nível dois da Uefa e depois me formei em educação física.

Após a façanha de empatar contra o Boca Juniors, Garriga expressou seu desejo de defender um clube na América do Sul, e até mesmo deu indícios sobre qual seria seu destino dos sonhos.

— Meu objetivo é jogar na América do Sul, porque já joguei partidas oficialmente em cinco continentes, e só me falta a América do Sul. Gostaria de poder dizer que joguei em todos os continentes do mundo, isso seria único. Sempre disse que gostava do Estudiantes (De La Plata) porque quando eu estava na Espanha tinha um amigo que era torcedor do Estudiantes, mas não tenho preferência por nenhum deles — completou.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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