Mundial de Clubes

Técnico novo e crise nos bastidores: O que o Boca Juniors pode tirar de lição no Mundial

Clube Xeneize superou diversos desafios, evitou placares elásticos contra potências europeias, mas não se classificou para as oitavas do Mundial de Clubes

Seis gols: essa era a quantidade de tentos que o Boca Juniors precisava marcar no Auckland City para se classificar para as oitavas de final do Mundial de Clubes — além de torcer por uma derrota do Benfica para o Bayern de Munique no outro jogo da chave. Só que nada deu certo.

O Benfica venceu o Bayern em partida que terminou até mais cedo, uma vez que a partida entre argentinos e neozelandeses foi paralisada pelas condições climáticas. Paralisação esta, inclusive, que fez o Boca disputar os últimos 35 minutos de jogo já sabendo que estava eliminado.

Ainda assim, o feito argentino chamou a atenção. O Boca conseguiu tomar um gol e empatar por 1 a 1 com o Auckland, o único ponto do time amador da Nova Zelândia no Mundial. Antes, ele havia perdido para Bayern (10 a 0) e Benfica (6 a 0).

Como foi o jogo entre Boca Juniors e Auckland City

Sabendo da necessidade de gols, o treinador Miguel Angel Russo alterou a equipe do Boca. Cavani, que não atuou nos primeiros dois jogos por conta de uma lesão, voltou a titularidade. Zeballos, que foi reserva e entrou no decorrer do jogo, também iniciou entre os onze iniciais.

No entanto, o clube argentino demorou para criar as grandes chances de jogo, ainda que tenham controlado as ações. Inclusive, os neozelandeses tiveram uma grande chance, assustando o goleiro Marchesín.

Mas aos 25′, após cobrança de escanteio, Di Lollo cabeceou para o gol, mas mandou na trave. A bola voltou nas costas do goleiro Garrow e entrou, abrindo o placar para os xeneizes.

No início da segunda etapa, o zagueiro Christian Gray aproveitou espaço após escanteio e cabeceou, marcando o primeiro gol do Auckland City na competição e prejudicando ainda mais a situação do Boca Juniors, que passou a precisar de sete gols e a vitória do Bayern.

Gray, inclusive, se destacou nas redes sociais por ser um professor de ensino médio na Nova Zelândia que atua como zagueiro no tempo livre — situação comum no time amador de Auckland.

Logo após o tento do time da Nova Zelândia, o jogo foi paralisado devido à questões climáticas. Jogadores e torcedores precisaram deixar as arquibancadas e aguardar novas informações para que o jogo fosse retomado.

Na volta, os argentinos foram incapazes de marcar mais um gol válido. Merentiel até fez, mas foi corretamente anulado. E o goleiro Nathan Garrow saiu como herói.

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O que o Boca pode tirar de lição do Mundial

O Boca Juniors chegou ao Mundial como um time desacreditado e ferido. Iniciando um trabalho técnico novo na equipe, o clube Azul y Oro viajou para o Mundial de Clubes, primeiramente, para dar uma resposta ao seu torcedor.

Em um grupo que continha o gigante Bayern de Munique, da Alemanha, e o grande Benfica, de Portugal, o Boca Juniors era o azarão, ao lado do modesto Auckland City, da Nova Zelândia. A equipe chegava para o torneio após ser eliminado do Apertura argentino nas quartas de final, sem sequer estar disputando um torneio continental, visto que caiu na pré-Libertadores, e com uma crise sem fim nos bastidores.

Mesmo assim, o torcedor esteve presente, mais de 50 mil xeneizes compareceram nos três jogos da fase de grupos, empurraram os 90 minutos e deram um verdadeiro show. No jogo contra o Bayern de Munique, foi possível escutar sem parar os gritos em apoio a equipe argentina. Talvez uma das grandes lições para o Boca Juniors vem justamente das arquibancadas: seu torcedor sempre estará presente, independente da fase e de onde a equipe jogue.

Boca Juniors teve Bayern de Munique, Benfica e Auckland como adversários no Mundial de Clubes. Foto: Imago

Já dentro de campo, Miguel Ángel Russo reestreou pelo clube Azul y Oro. O treinador, responsável pelo último título de expressão do Boca Juniors, a Libertadores de 2007, chegou para reorganizar a equipe. Desde a saída de Fernando Gago do comando, em abril de 2025, o clube era comandado pelo interino Mariano Herrón. Com ele dirigindo, o time foi eliminado pelo Independiente, em plena Bombonera, nas quartas de final do torneio local.

Russo chegou no início de junho e logo de cara tinha o Mundial de Clubes pela frente. A oportunidade perfeita para dar uma resposta ao seu torcedor. Com um time com alguns medalhões, o treinador sabia que não poderia contar com Cavani, devido a uma lesão, mas surpreendeu ao não utilizar o zagueiro Marcos Rojo. No lugar, optou por utilizar Ayrton Costa, e foi uma grande solução, uma vez que o jogador foi bem em ambas as partidas que jogou.

Inclusive, falando em defesa, os dois jogos que tiveram Russo no comando chamaram a atenção pelo poder defensivo. Contra Bayern e Benfica, os argentinos não foram superiores em quesito de números. Contra os portugueses tiveram 40% de posse de bola, contra 60% do adversário. Contra o Bayern, a diferença foi ainda pior: 27% contra 73% dos alemães.

Com isso fica claro, que os Xeneizes tiveram menos a bola, precisaram correr mais e apostaram mais na defesa do que no ataque, ainda que tenha marcado três gols e levado quatro. Considerando o nível dos adversários, foi um número baixo.

Pelo lado do ataque, apenas Merentiel se destacou, marcando dois dos três gols. Tanto Changuito Zeballos e Milton Giménez, que entraram no decorrer dos jogos, pouco fizeram, mostrando que as mudanças feitas por Russo no setor ofensivo não surtiram efeito. A dupla pouco tocou na bola e nem foram efetivos, tanto contra o Bayern quanto contra o Benfica.

Ainda é cedo para analisar o trabalho de Russo no comando do Boca Juniors. No entanto, já podemos perceber algumas mudanças realizadas pelo treinador, e que é possível esperar um pouco mais da equipe Xeneize. O ataque, com um pouco mais de ajuste pode tirar a dependência de Merentiel e ser mais efetivo, enquanto a defesa já provou que tem capacidade, e que Ayrton Costa pode ser um diferencial no Boca Juniors do restante da temporada.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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