Bernardo Silva queria Natal com sua família, não um novo Mundial (ou Copa Intercontinental)
Bernardo Silva não está nada feliz com a criação de um novo Mundial de Clubes ou com a nova Copa Intercontinental -- e talvez ele tenha razão
A Fifa segue inventando competições e quem não está gostando na disso são os jogadores. Que o diga Bernardo Silva, atacante português do Manchester City, que está na Arábia Saudita para disputar a última edição no atual formato do Mundial de Clubes. Os ingleses, inclusive, jogam nesta terça-feira (19) para tentarem ir à final encarar o Fluminense, que venceu o Al Ahly, do Egito, nesta segunda-feira (18), por 2 a 0. Antes da partida, Bernardo foi questionado sobre as novas competições e pareceu não estar lá muito feliz.
Antes do que ele falou, vamos às novas competições: a primeira delas, para a qual o Manchester City já está classificado, é a nova versão do Mundial de Clubes. Terá 32 times, será disputada em 2025 nos Estados Unidos e tomará quase um mês do calendário internacional. A segunda, anunciada nesta semana, é a disputa anual entre campeões continentais, que já começará em 2024 e será chamada de Copa Intercontinental. Nomes e fórmulas à parte, Bernardo Silva demonstrou seu descontentamento com novas competições.
— A verdade é que o número de jogos que temos hoje, ainda mais com essas novas competições anunciadas, é um pouco louca, por conta da falta de descanso para nós jogadores. Jogamos, durante a temporada, a cada três dias, mais ou menos, sem muito descanso. Não temos Natal com nossas famílias, nem férias de verão [com a nova disputa de 2025]. O risco de lesões, ao meu ver, aumenta significativamente. Não fomos [jogadores] consultados sobre essas questões, mas estamos tentando fazer o nosso melhor — afirmou Bernardo Silva.
Manchester City terá rotina insana por conta do Mundial
Nem precisamos ir muito longe, em 2024 ou 2025, para ver que Bernardo Silva tem certa razão ao criticar o aperto pelo qual os jogadores passam no calendário — ele não se refere só à Europa, já que na América do Sul a rotina é tão (ou mais) exaustiva. O Manchester City deste ano é um exemplo. Terminou a Premier League e a Champions League como campeão da temporada passada e só agora vai disputar o Mundial.
Mas já pela nova temporada, o City jogou bastante: foram seis jogos da fase de grupos da Champions, somados a mais 17 pela Premier League, outro pela Copa da Liga Inglesa, outro pela Supercopa da Uefa e finalmente mais um para a Community Shield, a supercopa de times da Inglaterra. São 26 jogos desde agosto, uma maratona e tanto. Além disso, para o próprio Mundial, o City mal teve tempo de se preparar: jogou diante do Crystal Palace no último sábado (16) e no mesmo dia embarcou para a Arábia Saudita, onde treinou na segunda e vai jogar na terça. Ganhando ou perdendo, volta a campo na sexta-feira (22), quando serão disputadas a final e a disputa pelo terceiro lugar.
Não a toa, Bernardo Silva está preocupado, inclusive, com a qualidade do espetáculo que esse tipo de rotina insana pode fazer com que os jogadores ofereçam aos torcedores:
— Se continuarmos tendo esse número excessivo de partidas em um espaço de tempo tão curto, os jogos acabarão perdendo sua energia e sua intensidade, é evidente. A quantidade de jogos e o calendário que temos hoje dificultam bastante estarmos sempre em forma para termos o nível de energia necessário para jogarmos bem — concluiu Bernardo Silva.




