Briga com diretoria e ‘boicote’ a jogador: Relembre a demissão inusitada de Tite no Al-Ain
Comandante da seleção brasileira nas duas últimas Copas do Mundo e ídolo do Corinthians, o treinador teve breve passagem pelo clube árabe
Adversário da Juventus nesta quarta-feira (18) pelo Mundial de Clubes, o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos, tem como tradição ser comandado por técnicos brasileiros. O mais famoso deles, porém, foi o que ficou menos tempo.
Em 2007, a passagem de Tite pelo clube árabe durou somente seis meses e 25 jogos disputados. Ele foi contratado em junho e demitido no dia 27 de dezembro daquele ano.
O motivo da demissão, porém, não foi o desempenho. Os números do treinador eram bons. Com 12 vitórias, seis empates e seis derrotas, o aproveitamento era de 56%. E na época do desligamento, o Al-Ain ocupava a sexta colocação do campeonato nacional.
Ainda assim, Tite foi dispensado pelo motivo de não concordar com a determinação da diretoria para a escalação de um jogador.
Qual foi o jogador que levou Tite à demissão no Al-Ain?
Na época, a versão oficial do Al-Ain para justificar a demissão de Tite foi que o treinador fazia uma campanha irregular.
Adenor, no entanto, confirmou a narrativa de que a saída do clube árabe se deu por não aceitar escalar um atleta.
– Estávamos desenvolvendo um trabalho de qualidade, a equipe estava indo muito bem, melhorando a cada jogo, mas os dirigentes acharam melhor a troca do comando porque não aceitei um pedido deles para relacionar um jogador da seleção nacional que eu havia deixado de fora de uma partida – disse Tite à época.
O nome do jogador nunca foi revelado. Porém, algumas pesquisas e apuração, a Trivela chegou a Subait Khater como o atleta mais provável que Tite se negou a relacionar durante a curta passagem pelo Al-Ain.
No Al-Ain desde o fim dos anos 90, Khater vestia a camisa do clube pela nona temporada consecutiva em 2007.
O volante era titular na seleção dos Emirados Árabes — inclusive, jogou a Copa da Ásia três anos antes. Ele também atuou por nove vezes como titular pela sua seleção no ano que trabalhou com o Tite.
Só que Khater não teve a mesma sequência no clube. Pela falta de dados da época e declarações dos envolvidos, é difícil comprovar o “boicote” ao atleta através de números. O que sabemos é que o jogador em questão era volante, conforme Tite já revelou, um ídolo do clube e de presença frequente em sua seleção, o que casa com a descrição de Khater.
Não à toa, o emiradense deixou o clube em 2008, ao fim da temporada, e rumou para o Al-Jazira, onde ficou até 2014.

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Comissão técnica de Tite permaneceu no Al-Ain, mas não por muito tempo
Atual técnico do Santos, Cléber Xavier era auxiliar de Tite no Al-Ain.
Mesmo após a demissão de Adenor, o profissional permaneceu no clube árabe à pedido da diretoria.
No entanto, quem assumiu a linha de frente foi Geraldo Delamore, que à época acumulava as funções de assistente e preparador físico, junto a Ricardo Rosa. O treinador de goleiros Jorge Azevedo também fez parte da comissão.
Após o desligamento de Tite, o Al-Ain contratou Winfried Schäfer.
Durante aproximadamente um mês, a comissão que estava com o treinador brasileiro auxiliou na transição para o trabalho do técnico alemão, que em 2008 trouxe a própria equipe de auxiliares.
Tite, por sua vez, voltou a trabalhar no meio daquele ano, sendo contratado pelo Internacional.
Da equipe que esteve com o profissional no Al-Ain, o único que migrou com Adenor ao Colorado foi Cléber Xavier.
Geraldo Delamore tentou carreira de treinador, mas voltou a trabalhar com Tite em 2010, no Corinthians.
Al-Ain teve técnicos brasileiros antes e depois de Tite
O Al-Ain tem o histórico de contar com treinadores brasileiros. Na década de 80, Nelsinho Rosa e Zé Mário dirigiram o clube árabe.
Em 1992, o ídolo Amarildo, campeão mundial pela seleção brasileira, como jogador, em 1962, se aventurou como treinador do Al-Ain. A passagem do Possesso, porém, foi somente um pouco mais longa do que a de Tite, durando pouco mais de um semestre.
Em 1996, Lori Sandri e Cabralzinho passaram pela equipe dos Emirados. O segundo pouco após comandar o Santos no vice-campeonato brasileiro, em 1995.
Depois disso, o Al-Ain voltou a ter um brasileiro no comando apenas em 2007, justamente com Tite.
Em 2009, Winfried Schäfer, sucessor de Adenor, foi substituído por Toninho Cerezo. O ex-volante, ídolo de Atlético-MG e São Paulo, tentava carreira como técnico. A trajetória, no entanto, não teve o mesmo êxito do que o período nos gramados.
O último técnico brasileiro a comandar o Al-Ain foi Alexandre Gallo. E isso aconteceu em 2010, após a saída de Cerezo.
O clube árabe até chegou a ter técnicos identificados com o futebol brasileiro, mas estrangeiros. Foram os casos do uruguaio Jorge Fossati, em 2013, e do argentino Hernán Crespo, dez anos depois.
Fossati teve passagem no Internacional, onde dirigiu o clube gaúcho até a semifinal da Libertadores de 2010, ano em que o Colorado foi campeão.
Já Crespo, conquistou o Paulistão pelo São Paulo em 2021, encerrando um período de nove anos sem títulos do Tricolor. O profissional, inclusive, está próximo de acertar o retorno ao Morumbis, após a saída de Luis Zubeldía.



