Nedved, Trézéguet e Beckham: Os apelidos inusitados do adversário do Palmeiras no Mundial
Al Ahly tem em seu elenco três jogadores com nomes de craques dos anos 2000
Equilibrado, o grupo A do Mundial de Clubes reúne um dos times brasileiros mais fortes da atualidade, o Palmeiras, o badalado Inter Miami de Lionel Messi e o Porto como o representante europeu. Mas, o último integrante e pouco falado é quem tem mais experiência nesse tipo de torneio: o Al Ahly.
Nove vezes participante de Mundiais, o clube egípcio aposta em um elenco com Beckham, Nedved e Trezeguet para surpreender. Só que os nomes dos jogadores citados não são os dos primeiros que vem à mente — no caso, dos meias inglês e tcheco e do atacante francês que marcaram a geração que cresceu nos anos 2000.
Na verdade, são os apelidos de três atletas da equipe egípcia: Karim Nedved, Ahmed Ramadan Beckham e Mahmoud Trezeguet. Os dois últimos foram anunciados recentemente como reforços para o Mundial, o que leva a questão: por que eles foram apelidados assim?
Técnico da base do Al Ahly tinha costume de apelidar comandados
Todos os três citados passaram pela base do gigante do Egito e foram treinados por Badr Ragab, que tinha o costume de apelidar seus comandados com os nomes de estrelas mundiais. A ideia era dar um ânimo a mais para os jovens e mostrar que eles poderiam ser estrelas mundiais.
— Quando eu era treinador das categorias de base do Al Ahly, decidi colocar apelidos nos meus jogadores por algumas razões. Eu sonhava que um dia eles poderiam ser estrelas internacionais e queria incentivá-los a trabalhar duro imitando jogadores famosos — contou à agência “AFP”.
— Os nomes são baseados na semelhança com jogadores famosos, bem como em suas habilidades. Dei a Kareem Waleed o apelido de Nedved porque ele se parecia com Pavel Nedved, da Juventus, e Mahmoud Hassan, que tinha traços de David Trezeguet, da seleção francesa — completou.

Sonhar com o futebol do mais alto nível deu muito certo para Mahmoud Trezeguet, ponta esquerda que deu o salto para Europa e atuou pelo Aston Villa na Premier League.
— O cabelo, definitivamente, não é algo parecido, além da posição em campo, que é diferente. Mas vou perguntar ao meu pai se ele já esteve no Egito alguma vez — brincou o ex-atacante David Trezeguet, inspiração do apelido do egípcio.
Os apelidos, porém, não eram só de estrelas do futebol mundial. Mohamed Magdy, por exemplo, usa na camisa a alcunha “Afsha”, uma gíria egípcia para “capturar galinhas”. O atleta que passou pelo Al Ahly e chegou a enfrentar o Palmeiras no Mundial de 2022 era bom nisso quando pequeno e era chamado assim pela mãe, conforme relatado pela “AFP”.
Já Mahmoud Abdelmonem, também com passagem pelo mesmo clube do Egito e hoje no Nice, utiliza “Kahraba”, que significa eletricidade, por sua velocidade e energia em campo.
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Costume de apelidar não é só de rival do Palmeiras
A tradição de apelidos no Egito vem desde os anos 1980 e acontece porque muitos atletas possuem o mesmo nome (como Mohamed, Ahmed e Mahmoud). No passado, Ahmed Hossam ficou conhecido para o futebol mundial como Mido, passando por Tottenham, Ajax e outros times nos anos 2000 e 2010. Seus dois filhos, Hussein e Ali, ambos jogadores, também carregam seu apelido.
O zagueiro egípcio Mohamed Abdelrazak virou Bazoka (como a arma lança-foguetes), o meia Youssef Ibrahim virou Obama por uma suposta semelhança ao ex-presidente americano Barack Obama (2009-2017) e há muitos outros.



