Mundial de Clubes

Por que encarar o Porto no Mundial resgata Abel do futuro para o presente

Entre aqueles que acompanham ou trabalham no futebol de Portugal, o nome de Abel Ferreira há tempos é conhecido. Tanto por seu passado como um jogador esforçado, quanto como técnico promissor. Mas, comparado a nomes como José Mourinho e Jorge Jesus, o treinador do Palmeiras ainda tem o que conquistar em termos de holofote.

Isso tem tudo para mudar em 15 de junho, quando o Alviverde estreia no Mundial de Clubes. Em especial, caso ele e o Palmeiras consigam bater, neste jogo, o Porto, um dos três clubes grandes do seu país de origem.

A Trivela conversou com dois jornalistas que atuam em Portugal para entender como o técnico é visto por lá. E, por consequência, como encarar um dos gigantes lusos pode beneficiar sua carreira para o caso de um possível retorno para casa.

Sempre um dos cotados entre os portugueses

Ainda que não tenha a popularidade de alguns conterrâneos, Abel já é visto pela imprensa especializada como um futuro grande nome no cenário português de técnicos:

— Nós aqui olhamos para o Abel, e vou ser muito sincera, como o futuro treinador de um dos grandes de Portugal — disse Mariana Fernandes, da “DAZN”, “Sic Notícias” e do portal “O Observador”

— Existe sempre aqui muito a ideia de que, se há alguma coisa a acontecer ao Bruno Lage, no caso do Benfica, ao Rui Borges, no caso do Sporting, o preferido para ser o próximo treinador é o Abel Ferreira.

José Mourinho, técnico do Fenerbahçe, durante entrevista coletiva (Foto: Imago)
José Mourinho, técnico do Fenerbahçe, durante entrevista coletiva (Foto: Imago)

O Sporting é visto como um destino possível também pelo fato de ele ter jogado pela equipe, além de ter começado por lá, nas categorias de base, sua carreira de treinador.

Curiosamente, na visão de Mariana, o Porto, a quem Abel vai enfrentar, é, dentre os grandes, o que tem menos chance de ser o destino do técnico no futuro próximo:

— O sonho de qualquer estrutura, seja do Benfica, seja do Sporting, nesta altura principalmente, não tanto do Porto, mas desses dois clubes que têm lutado para serem campeões nacionais, é ter o Abel Ferreira como treinador — acredita.

Para Abel voltar a trabalhar em Portugal, no entanto, uma grande readequação salarial teria de ser feita. O Alviverde paga ao técnico cerca de R$ 3 milhões mensais, muito acima do que recebem os treinadores na Liga Portuguesa.

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Abel tem perfil que se encaixa no Porto

O brasileiro Bruno Andrade, da “CNN Portugal”, tem visão semelhante à de Mariana. E relata que Abel Ferreira não apenas é visto como um prospecto, mas também esteve concretamente na pauta do Sporting, que recém-conquistou o Campeonato Português. E, mesmo no Porto, ele também foi cotado.

— Ele já foi alvo sim e teve uma certa conversa com o Sporting, logo depois que saiu o Ruben Amorim, por exemplo (no início do ano). Era uma possibilidade. No Porto, se falou bastante quando saiu Vítor Bruno agora, e depois contrataram o Anselmi — disse ele.

Para Andrade, o perfil de jogo de Abel Ferreira inclusive tem mais a ver com a equipe do Estádio do Dragão.

— Ele é muito mais viável ou combina mais com o Porto, até pela forma de enxergar o futebol. Uma coisa muito mais ali da forma de treinar a parte tática. Não é um futebol 100% atraente, mas é equilibrado, e é isso que o Porto pede sempre. Por isso, então, no Porto, ele sempre vai ser o nome que vai estar ali, enfim, rodeando os bastidores — diz ele.

Mariana Fernandes acredita que o Porto também casa com a maneira de ser de Abel, inclusive por conta da questão geográfica.

— Ele é do Norte de Portugal, portanto tem essa ligação um bocadinho mais, eu acho que emocional ao Porto. Ele já falou sobre isso há uns dias em um material promocional do Mundial de Clubes. No Norte, gostam muito da raça deles, de nunca desistirem — explica, citando uma característica muito marcante do futebol de Abel.

O técnico português Jorge Jesus
O técnico português Jorge Jesus (Foto: Imago)

Chance de reconhecimento com o Palmeiras no Mundial

Se no âmbito do comando dos clubes, Abel já passa longe de ser um desconhecido, o Mundial pode ser o que falta para sua fama chegar mais amplamente também ao nível do torcedor, por conta de uma maior exposição na imprensa local:

— Por mais que o Abel seja um personagem interessante, por mais que o Palmeiras seja, enfim, o (maior) campeão do Brasil, não tem o mesmo peso, a mesma mídia que tem o Jorge Jesus, que tem o José Mourinho — diz Bruno Andrade.

— O Mourinho tem muito bons bastidores, o Jorge Jesus tem muitos bons bastidores aqui, enfim, a imprensa, comentaristas, as pessoas do meio, e o Abel nunca foi alguém muito ligado a isso. E, para piorar, entre aspas, ele está no Brasil, né? Então, o contato é ainda menor. A mídia do Abel é pequena aqui, muito por conta de opção dele, perfil dele, porque os outros portugueses em alta é se vendem muito melhor — diz

— Abel, enfim, sempre é notícia, mas nem se compara com o que foi, por exemplo, a repercussão de Jorge Jesus no Flamengo — afirma.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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