Mundial de Clubes

Abel Ferreira admite superioridade do Chelsea, valoriza jogo do Palmeiras e diz ter orgulho dos jogadores

Treinador ficou orgulhoso do que o Palmeiras fez e ressaltou que enfrentaram um time que está em nível superior

A derrota do Palmeiras para o Chelsea na final do Mundial de Clubes por 2 a 1 na prorrogação foi dolorida, mas o técnico Abel Ferreira se mostrou orgulhos dos jogadores e da partida que o seu time fez. Admitiu que o Chelsea foi superior, deu os parabéns ao adversário pela derrota e afirmou que faltou um pouco de calma em algumas transições para poder aproveitar as chances. Mais do que isso, o técnico disse que quer que os jogadores celebrem o segundo lugar, lembrando o que foi feito até ali.

“As primeiras palavras eu gostaria de dar aos meus jogadores. Tenho um orgulho muito grande dos nossos jogadores. Fizemos um trabalho tremendo, uma preparação fantástica. A minha segunda palavra que fosse ao nosso adversário, uma equipe muito bem orientada, com um grande treinador, com grandes jogadores, foram justos vencedores, embora o jogo tenha sido definido em detalhes, mas isso é futebol, é aceitar a decisão. Mais uma vez dar os parabéns ao adversário”, disse Abel Ferreira na coletiva de imprensa.

“Luan é um grande jogador, é um grande homem. É um jogador que gosto muito, tem muita qualidade, seguramente que na Europa seria um grande zagueiro na minha opinião. E o é, como é no Brasil, mas não queria falar muito de modo individual porque acho que não é correto. Como disse, acho que nossos jogadores fizeram uma bela partida que foi definida em um detalhe”.

“O jogo tem fatores que você não controla. O jogo tem fatores aleatórios. Aleatório é isso, você está de costas, a bola bate na sua mão e o árbitro decidiu que é pênalti e temos que aceitar isso e seguir em frente, dar os parabéns ao nosso adversário e não há muito mais aqui a perder tempo com isso. O detalhe foi exatamente esse, não buscar desculpas ao lado, um canto, uma segunda bola, a bola chutada, bateu na mão de um jogador meu e o árbitro viu no VAR que foi pênalti e foi pênalti. É aceitar e seguir”.

Sobre a torcida do Palmeiras em Abu Dhabi: “Fantástico”

“Brutal! Brutal, fantástico. Fizeram 15 horas de viagem de avião, por aí, e ter aqui o estádio cheio… Disse isso no outro jogo. Para aqueles que não conhecem o Palmeiras e o clube, acho que ficou bem evidente a grandeza do nosso clube. Nós tanto quanto eles, queríamos ganhar, nós mantivemos a cabeça, nós fomos para dentro do jogo, nós somos avaliados todos os dias e queríamos muito ganhar e compartilhar com eles essa felicidade”.

“Infelizmente, pegamos um adversário também muito competente e que foi feliz, na minha opinião foi feliz, não vi o Weverton fazer grandes defesas. A bola que bateu na trave estava fora de jogo. Nós conseguimos, dentro dos nossos recursos, sermos extremamente competitivos, tivemos três ou quatro transições que com um pouquinho mais de calma poderíamos ter feito o gol. Mas é aceitar o que o futebol nos dá, aprender com as coisas que nos aconteceram, isso é tudo experiência para nós, todos vamos lembrar disso, e seguir em frente”.

“Vou proibir meus jogadores de não celebrarem o segundo lugar”

“Vivo um dia de cada vez e não gosto que façam comparações, cada treinador tem a sua forma de ser e estar. Eu sou muito novo ainda, já disse a vocês, tenho cinco anos de futebol profissional, é verdade que tenho cinco anos de formação, mas futebol profissional de alto nível tenho cinco anos, portanto, gosto de viver um momento de cada vez, porque futebol é assim, um momento de cada vez”, disse o treinador do Palmeiras.

“Temos construído muito em pouco tempo aqui no Palmeiras, meu coração hoje estou a sangrar por dentro. Vou dizer isso: vou proibir meus jogadores de não celebrar este segundo lugar. Ai deles quando chegar no hotel de não tomarem cerveja, no avião serei o primeiro a obrigá-los a celebrar este segundo lugar. Se não fizerem isso, terão que lidar comigo”.

“Porque sinto um orgulho tremendo do que fizemos, um adversário supercompetente, começaram no 3-4-3, passaram a um 4-3-3, procuravam nossos espaços entre zagueiro e lateral, fizemos um jogo coletivo, é assim que vejo futebol, a nossa equipe. Os destaques individuais surgem dentro do jogo coletivo, como foi Danilo, como foi Dudu”.

“O curioso é que um dos melhores jogadores em campo e um dos melhores do torneio foi Rüdiger, que é um zagueiro tremendo, não passou nada por ele e o Thiago Silva. É curioso. Mas como disse, é dar os parabéns aos nosso adversário que foi melhor em todos os dados estatísticos, parabéns ao Chelsea, mas não posso não valorizar o que fizemos aqui, o nosso trabalho. Mais uma vez, muito orgulho dos nossos jogadores”.

Pênaltis e posse de bola na final

Abel Ferreira foi perguntado sobre os dois pênaltis da partida, um marcado a favor do Palmeiras, que deu ao time o gol de empate, e outro ao Chelsea, na prorrogação, que acabou por ser decisivo no confronto também, com a gol da vitória marcado por Kai Havertz.

“Em relação aos pênaltis, são claros para nós e para eles. Temos que aceitar o que acontecer, a bola bateu nas duas mãos, quando se cumprem as regras e se marca o que se viu, temos que aceitar e seguir em frente, não há outra forma de lidar com isso”, respondeu o treinador.

Abel também foi perguntado sobre a questão da posse de bola na partida, amplamente dominada pelo Chelsea. A pergunta foi se ele tinha dado a posse de bola ao Chelsea, se isso foi uma estratégia. O treinador deixou claro que não.

“Não dou a bola a ninguém. Vocês têm que perguntar porque o Chelsea deu a bola ao City quando foi vencedor da Liga dos Campeões. A bola, se eu puder, eu a tenho sempre comigo. Não abdico da bola, nem eu nem os jogadores, só que não jogamos sozinhos. Portanto, não vou falar dos detalhes, da qualidade individual…”.

A questão dos estrangeiros em campo

“Sabem quantos ingleses jogaram? Sabe o que às vezes eu fico triste? Estávamos a jogar contra um clube inglês, sabe quantos ingleses iniciaram a partida? Estamos a jogar contra equipes inglesas, certo? Quantos jogaram? Quantos brasileiros na minha equipe. Isso é para vocês pensarem, não falo mais sobre isso”.

Só Mason Mount e Callum Hudson-Odoi eram ingleses entre os 11 titulares do Chelsea e o primeiro saiu ainda na etapa inifical, lesionado. Nenhum outro jogador da equipe de Thomas Tuchel era inglês. Nem entre os cinco jogadores que entraram durante a partida tinha ingleses. Os ingleses no banco eram Ross Barkley e Trevoh Chalobah, mas nenhum dos dois entrou.

Ainda que o Reino Unido tenha deixado a Comunidade Europeia, o limite para jogadores estrangeiros na liga inglesa é alto: o limite é de 17 jogadores, o que é basicamente o time titular todo e mais quase todo o banco de reservas em um total de 25 inscritos. Por isso o Chelsea, e tantos outros clubes, conseguem atuar com elencos basicamente de estrangeiros, ainda que majoritariamente comunitários. Em outras ligas, é possível inscrever jogadores comunitários sem limite. Os limites são de jogadores formados no clube e no país, algo que a Premier League também faz.

Já no Palmeiras, apenas três jogadores eram estrangeiros em todos os que entraram em campo: Gustavo Gómez, capitão do time, que é paraguaio, Joaquín Piquerez, uruguaio, ambos titulares, e Eduard Atuesta, colombiano, que entrou no segundo tempo. No Brasil há um limite de até cinco estrangeiros em campo, independente de onde foram formados.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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