Mundial de Clubes

A Terra é azul: Chelsea vence Palmeiras na prorrogação para conquistar seu primeiro Mundial

Em um duelo que o Palmeiras dificultou o quanto pode, Chelsea conseguiu uma vitória com gol de pênalti na prorrogação e ganha o título Mundial pela primeira vez

O Chelsea precisou de muita insistência em um jogo que foi até a prorrogação, mas venceu o Palmeiras por 2 a 1 e conquistou o título do Mundial de Clubes pela primeira vez em sua história. Foi um jogo duríssimo, com o campeão da Libertadores resistindo enquanto conseguiu às investidas dos campeões europeus.

O time brasileiro teve alguns bons momentos, especialmente no primeiro tempo e precisou se defender na maior parte do tempo. Aos poucos, perdeu a força de chegada ao ataque e acabou sucumbindo. Ainda assim, esteve vivo no jogo até o final.

O jogo teve casa cheia: 32.870 pessoas no estádio Mohammed Bin Sayed, em Abu Dhabi, sendo a grande maioria de palmeirenses, que se fizeram ouvidos. Gritaram, apoiaram e tentaram ser um reforço para a equipe verde e branca do Parque Antártica. E em alguns momentos, foi importante para a equipe.

VEJA TAMBÉM: O início da história do Palmeiras contra os ingleses: os jogos contra Arsenal e Portsmouth às vésperas da Copa Rio de 1951

Escalações

O Chelsea de Thomas Tuchel foi a campo com três mudanças importantes: na ala esquerda, Callum Hudson-Odoi entrou no lugar de Marcos Alonso. No meio-campo, Jorginho ficou no bvanco e quem entrou como titular foi N’Golo Kanté. No ataque, saiu Hakim Ziyech e entrou Mason Mount.

O Palmeiras de Abel Ferreira manteve o time da semifinal, mas cm uma diferença sutil: Gustavo Scarpa recuava da ponta esquerda para a ala esquerda e eventualmente recuado até a linha de defesa, formando uma linha de cinco jogadores atrás. Com isso, Joaquín Piquerez centralizava para se tornar um terceiro pela esquerda.

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Primeiro tempo

Os dois times trocavam ataques com alguma dose de perigo nos primeiros minutos. O Chelsea chegava tentando buscar o atacante Romelu Lukaku, que estava muito marcado. Quem tinha liberdade para jogar era o zagueiro Thiago Silva e, por vezes, o volante Kanté. Eram eles que conduziam a bola na maior parte das vezes buscando os espaços, que não apareciam.

O Palmeiras não se restringia a se defender. Pelo contrário, o time ia para o ataque com constância nos primeiros 30 minutos. Dudu recebeu uma bola longa pela esquerda e, bem marcado, girou, saiu da marcação e finalizou com perigo, buscando o ângulo. Aos 27 minutos, em uma bola longa, Zé Rafael ganhou no corpo, girou e tocou para Dudu, que dominou a bola, perdeu o equilíbrio e acabou chutando para fora, sem direção.

Tuchel precisou fazer uma mudança aos 30 minutos. Mason Mount sentiu uma lesão e precisou ser substituído. O técnico alemão colocou Christian Pulisic, mudando um pouco a característica. O americano é mais atacante que o inglês, mais rápido e gosta de atuar mais aberto.

A essa altura do jogo, o Chelsea já controlava mais jogo com a bola e o Palmeiras não conseguia encaixar mais tantos contra-ataques perigosos. Mas apesar da posse de bola, o Chelsea tinha dificuldades para criar chances para finalizar.

Ao final do primeiro tempo, o time inglês teve 71% de posse de bola, chutou oito vezes a gol e acertou só uma delas no alvo. Já o Palmeiras, mesmo tendo menos a bola, conseguia chegar ao ataque e fez sete chutes a gol, com um deles no alvo. O Chelsea era ligeiramente melhor, mas o duelo era bastante equilibrado.

Kanté, do Chelsea, e Danilo, do Palmeiras (GIUSEPPE CACACE/AFP via Getty Images)

Segundo tempo

O segundo tempo manteve o panorama da primeira etapa: o Chelsea com a bola, rondando a área, enquanto o Palmeiras escapava em contra-ataques. E desta vez os ingleses conseguiram balançar a rede nos momentos iniciais.

Aos nove minutos, o Chelsea encontrou espaço com Kovacic, que achou Hudson-Odoi na esquerda. Chegou até a linha de fundo, cruzou para a área e Lukaku subiu bem para tocar de cabeça de forma fatal: 1 a 0.

Abel Ferreira mudou o time aos 14 minutos. Zé Rafael pareceu sentir e foi substituído por Jaílson, que é um marcador mais contundente. Logo depois, aos 15 minutos, uma bola na área dentro da área levou perigo e a bola sobrou para Dudu, que girou e bateu fraco. Só que os jogadores do Palmeiras reclamaram de uma mão de Thiago Silva que de fato aconteceu.

A revisão do VAR deixou muito claro: Thiago Silva tirou a bola da cabeça de Gustavo Gómez com a mão. Pênalti que o árbitro Chris Beath, da Austrália, apontou a marca da cal. Raphael Veiga teve a responsabilidade da cobrança, aos 18 minutos de partida. Com uma responsabilidade enorme nas costas, ele respirou fundo e cobrou com firmeza e segurança: bola de um lado, goleiro do outro e gol do alviverde: 1 a 1 no placar.

A torcida palmeirense presente em Abu Dhabi começou a fazer mais barulho, empolgada com o gol. O gol também mudou um pouco o jogo, com o Palmeiras chegando mais uma vez ao ataque com perigo em uma bola que sobrou na entrada da área para Raphael Veiga e o meia chutou girando, mas a bola saiu fraca.

O Chelsea lembrou ao time brasileiro o risco que corre ao deixar espaços. Em uma boa trama pelo meio aos 27 minutos, Kanté avançou pelo meio, tocou para Lukaku, que ajeitou de primeira para Pulisic. O americano chutou de primeira, de fora da área, e levou muito perigo, mas foi fora.

Os dois times fizeram mudanças aos 30 minutos. Tuchel tirou Lukaku e Hudson-Odoi no Chelsea e entraram Werner e Saúl no Chelsea. Já o Palmeiras tirou Rony e Raphael Veiga e colocou em campo Wesley e Eduard Atuesta. A ideia parecia a mesma, mas apenas com jogadores diferentes e mais descansados: um jogador rápido pelos lados em contra-ataques e outro de meio-campo para criação de jogadas, provavelmente recuando mais já que Veiga por vezes ficava mais como atacante do que como meio-campista.

As mudanças, porém, fizeram o Chelsea perder força ofensiva. Sem Lukaku, perdeu uma referência na área e Hudson-Odoi era uma boa opção pela ala esquerda, algo que ficou sem com a sua saída. Pulisic por vezes fez o papel por ali, com muito mais liberdade ofensiva. O Chelsea seguia no campo de ataque, mas tinha dificuldades de entrar na defesa do Palmeiras.

O time brasileiro, por sua vez, errava muitos passes quando recuperava a bola e, assim, não conseguia emplacar contra-ataques com a mesma fluidez que fez no primeiro tempo. O jogo ficou mais no meio-campo dos dois times, com os ingleses no campo de ataque e os palmeirenses marcando muito.

Com o passar do tempo, o Chelsea ficava com a bola no campo de ataque e o Palmeiras esperava recuperar uma bola para partir para o ataque. Nos minutos finais, os Blues pressionaram em busca do gol, especialmente com cruzamentos.

Prorrogação

Kai Havertz comemora o gol do título do Chelsea (GIUSEPPE CACACE/AFP via Getty Images)

O Chelsea fez outra mudança na prorrogação. Hakim Ziyech entrou no lugar de Mateo Kovacic, com Saúl fazendo a função de meio-campista central ao lado de Kanté e Ziyech atuando como ponta. A partida seguia igual: Chelsea com a bola, buscando espaços, circulando a bola, enquanto o Palmeiras marcava e não conseguia sair para o jogo. Nenhum dos dois times criava chances claras.

Com oito minutos do primeiro tempo da prorrogação, um lance que deu susto nos palmeirenses. Werner recebeu na ponta esquerda, cruzou para trás e na dividida a bola tocou na trave. O alemão estava impedido, mas como o lance foi para escanteio, e não saiu gol, não foi revisado pelo VAR.

No fim do primeiro tempo da prorrogação, aos 12 minutos, Abe Ferreira tirou o desgastado Dudu, que já demonstrava sinais claros de cansaço, e colocou Rafael Navarro, centroavante mais físico. O jogador, porém, não conseguiu fazer muito em campo, até porque teve poucas vezes a bola no ataque do Palmeiras.

No segundo tempo da prorrogação, aos 10 minutos, o árbitro foi chamado pelo VAR para revisão de um chute do Chelsea que tocou no braço do zagueiro Luan. Foi um bloqueio feito pelo defensor palmeirense, que ao revisar o lance, não teve dúvida: apontou o pênalti. Quem foi para a cobrança foi o atacante Kai Havertz, autor do gol do título da Champions League. De pé esquerdo bateu bem, colocou a bola de um lado, Weverton de outro e marcou: 2 a 1 para o Chelsea.

Nos minutos finais, Luan fez falta em Havertz que só foi vista no VAR porque foi recomendada expulsão do jogador. Após rever o lance, o árbitro mostrou o cartão vermelho a Luan. Acabou sendo o ato final da partida, já que houve cobrança de falta que não deu em nada, mas o juiz encerrou a partida logo em seguida.

Veja os gols

https://www.youtube.com/watch?v=Cw6hl_VLlfU
https://www.youtube.com/watch?v=b6qAuUra1zw
https://www.youtube.com/watch?v=tEtvwXMLjaw
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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