Eliminatórias da CopaMéxico

Vaga ameaçada

Foi um teste. O adversário mais difícil a ser enfrentado em seus domínios. Um teste duro. E a seleção mexicana foi reprovada. Uma atuação apática. Um empate sem gols. O terceiro em três partidas disputadas. E a Tricolor, perfeita na fase anterior nas Eliminatórias, vê, inesperadamente, ameaçada sua superioridade frente aos rivais continentais. E coloca em risco até mesmo a antes garantida vaga no Mundial de 2014. Mais do que a classificação, o futebol apresentado mostrou que, mesmo contra seleções da Concacaf, o México não é infalível. E ainda precisa descobrir como impor-se como favorito nos jogos truncados e contra adversários retrancados.

Com três pontos, El Tri ocupa o 5º lugar no hexagonal final, atrás de panamenhos (5 pontos), costa-riquenhos, norte-americanos e hondurenhos (4), ficando de fora até mesmo da zona de classificação para a repescagem. O que preocupa, contudo, não é somente a campanha. Mas o futebol mostrado nessas partidas. Com um elenco tecnicamente superior aos rivais, os mexicanos não conseguiram estabelecer esse favoritismo nos últimos confrontos. Ou melhor, mesmo se posicionando como favoritos, pressionando os adversários ao extremo, o México não marcou. Aliás, pouco criou em termos de chances efetivas.

O cenário na última terça não foi muito diferente. Contra uma seleção norte-americana preocupada exclusivamente em defender, os mexicanos tiveram posse de bola e domínio territorial da partida, mas viram essa vantagem se transformar em algo inócuo, criando poucas chances de gol. A opção equivocada de abusar dos cruzamentos para a área adversária não deu resultados, assim como as tentativas de remate à longa distância, quando se depararam com um setor defensivo ianque em noite segura, transformaram o duelo, tido como um clássico da Concacaf, em uma partida burocrática e de nível duvidoso.

Individualmente, pouco se pode dizer do meio para trás do selecionado mexicano. Com atuações seguras e poucas ameaças vindas do outro lado, o setor ainda teve destaque na criação das melhores oportunidades do time, com Torres Nilo e Zavala tornando-se as válvulas de escape para o time de “Chepo”. O jovem Diego Reyes, já negociado com o Porto (POR), se consolida como ótima opção para formar dupla de zaga com Héctor Moreno na ausência de “Maza” Rodríguez, enquanto Ochoa mostra tranquilidade debaixo das traves.

Do meio para frente, entretanto, pouco pôde ser visto. O “quadrado mágico” formado por Aquino, Dos Santos, Guardado e “Chicharito” praticamente não entrou em campo: pouca criatividade e má pontaria resultaram na segunda partida consecutiva dos aztecas em seus domínios sem marcar gols. As entradas de Omar Bravo e Reyna tampouco surtiram o efeito desejado. Nem mesmo com um setor ofensivo mais experiente, a Tricolor conseguiu furar o bloqueio da zaga formada pelos dois melhores zagueiros das últimas edições da Major League Soccer (MLS).

Claro que nada está perdido. Pelo contrário, dificilmente os mexicanos sustentarão a má fase por muito tempo. E um bom momento para dar início à reação acontece em junho, quando, num espaço de uma semana, El Tri viaja para enfrentar Jamaica e Panamá, recebendo na sequência a Costa Rica, todos duelos válidos pelas Eliminatórias, dias antes da estreia na Copa das Confederações do Brasil.

Antes disso, amistosos contra Peru e Nigéria servirão De la Torre ajustar um elenco que não deve ser muito diferente do que entrou em campo ontem. Até por que o selecionado possui qualidade e profundidade para obter a vaga ao Mundial de forma tranquila, contra rivais aos quais já está acostumado a enfrentar (e vencer) rotineiramente, bem como desempenhar um bom papel na competição que antecede a Copa do Mundo.

Falta ao time descobrir como transformar em gols (e vitórias) essa superioridade frente a esses adversários mais fáceis, algo que passou distante dos últimos duelos, mas que sempre foi a virtude dos aztecas nas competições da Concacaf. Se algo de positivo pode ser tirado desses tropeços, é que os mexicanos terão que sair da sua “zona de conforto” e efetivamente mostrarem futebol para ficar com a vaga. Uma vaga que parecia garantida, começa a ser ameaçada, mas que virá. Resta saber de que forma. E com qual merecimento a Tricolor chegará ao Mundial.

Curtas

Costa Rica

– Após duas rodadas de tropeços, a líder Cartaginés retomou o caminho das vitórias. Com um triunfo sobre o Carmelita, fora de casa, os Brumosos alcançaram 30 pontos em 14 partidas, cinco a mais que o vice-líder Saprissa, que superou Herediano e Santos de Guápiles durante a semana para consolidar-se na segunda posição do Campeonato de Verano da Primera División;

– Com uma goleada por 4×1 sobre o Puntarenas, o Herediano recuperou-se do revés no clássico do meio da semana e assumiu o terceiro posto, com 21 pontos em 13 jogos, ao lado do Municipal. De folga na rodada, a atual campeã Alajuelense soma 19 pontos na 5ª colocação;

El Salvador

– Com uma vitória mínima sobre o Águila, no Clássico Nacional, o FAS disparou na liderança do Clausura da Liga Mayor, com 23 pontos em 10 partidas, beneficiado pela derrota do Santa Tecla para o Once Municipal, que manteve o time com 17 pontos. Quem também se aproveitou do tropeço foi o Alianza, que superou o Juventud Independiente e assumiu a vice-liderança, com 18 pontos;

Guatemala

– Após quase 5 meses e 20 partidas, chegou ao fim a “racha ganadora” do Comunicaciones, que durava desde a fase regular do último Apertura. O responsável foi o vice-líder Malacateco, que chegou aos 20 pontos em 11 jogos no Clausura. Mesmo com o revés, os Cremas mantiveram a liderança, com 24 pontos;

– Ainda em péssima fase e sem vencer esse ano, o Municipal não saiu do zero em casa, contra o vice-lanterna Petapa e soma apenas 4 pontos, na última posição da Liga Nacional;

Honduras

– Com uma vitória sobre o Motagua, fora de casa, o atual tricampeão nacional Olímpia manteve a ponta do Clausura da Liga Nacional, com 25 pontos em 14 partidas, seguido pelo Real Sociedad, que aplicou fáceis 3×0 no Deportes Savio e soma 23 pontos, na segunda posição;

Panamá

– Com um empate frente ao Árabe Unido, o San Francisco manteve a liderança do Clausura da Liga Panamenha, com 25 pontos em 12 jogos. Já o vice-líder Tauro perdeu para o Alianza e estacionou nos 20 pontos, ganhando a companhia do Árabe.

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