Eliminatórias da CopaMéxico

Restam seis

Grande parte dos resultados das duas últimas rodadas da terceira fase das Eliminatórias da Copa na Concacaf esteve dentro do esperado e pouco fugiu às expectativas. Mesmo em uma região onde os grandes costumam impor-se, entretanto, uma grande surpresa marcou a rodada decisiva. Precisando de uma vitória sobre o Canadá, em casa, para eliminar o adversário e garantir vaga no hexagonal final, Honduras fez mais: massacrou os Reds com uma goleada impiedosa (8×1) e terminou na liderança do grupo C, com o Panamá garantindo a segunda posição com um empate frente a já eliminada Cuba.

Os demais resultados não surpreenderam. Ainda que muitos apostassem num empate “camarada” entre Guatemala e Estados Unidos que classificasse ambos, os guatemaltecos partiram para cima mesmo jogando em Kansas City, mas não foram páreos para os ianques, que venceram por 3 a 1 e garantiram a liderança do grupo A. Quem se aproveitou do resultado foi a Jamaica. Os Reggaeboyz bateram Antígua & Barbuda e passaram na segunda posição.

No grupo B, único no qual uma seleção já estava garantida (México), a Costa Rica arrancou boa vitória sobre El Salvador fora de casa e só precisava de um triunfo simples sobre a Guiana, em casa, para afastar a zebra. Fez mais: humilhou os guianenses por 7-0 e nem precisou contar com o auxílio azteca.

Agora a disputa entra em sua reta final. Após uma longa disputa iniciada com os 35 membros da Concacaf, restaram apenas seis seleções. Todas jogarão entre si, em partidas de ida e volta, com os três melhores garantindo o passaporte para o Brasil em 2014 e o quarto disputando uma repescagem contra o representante da Oceania (Nova Zelândia, mais provável, ou Nova Caledônia, em caso de zebra).

Uma curiosidade que marca uma certa previsibilidade da disputa: das seis seleções que entraram direto na terceira fase (de acordo com o ranking da FIFA), somente Cuba (a sexta) ficou de fora, perdendo a vaga para o Panamá (o sétimo). Se a tendência se confirmar na fase final, Estados Unidos, México e Honduras (nessa ordem) garantem vaga no Mundial, enquanto a Jamaica vai para a repescagem.

Prognósticos

Podemos dividir os seis times restantes em quatro grupos, nivelando-os de acordo com as tradições, desempenhos e nível técnico exibidos nas fases anteriores. Vale ressaltar que, por chegarem até aqui, todos contam com alguma chance de alcançar ao menos a vaga na repescagem contra o representante da Conmebol:

O dono da bola

México

O favoritismo é indiscutível. Atual bicampeão da Copa Ouro, dominante em todos os torneios de base continentais e mundiais (sub-17 e sub-20), campeão olímpico. A lista de feitos que demonstram a supremacia azteca no continente é ampla. Ainda que falte mais regularidade na hora de enfrentar as grandes potências do futebol mundial (já são cinco Copas consecutivas esbarrando nas oitavas de final), fica cada vez mais claro que os mexicanos não encontram muitas dificuldades para se impor a nível continental, situação similar a vivenciada pela Austrália anos atrás (que culminou com sua alocação na região asiática). Os 100% de aproveitamento da fase anterior apenas corroboram essa teoria. Sinal de que a vaga para mais um Mundial não estará em risco.

Atenção!

Estados Unidos

Se a Tricolor azteca vive situação parecida com a Austrália, os norte-americanos podem ser comparados à Nova Zelândia. Ainda que venha se afirmando como segunda força da Concacaf nos últimos anos, os EUA pecam por sua irregularidade em alguns torneios. Irregularidade que torna o selecionado tanto uma ameaça para os grandes do futebol mundial (como quando superou a Espanha na Copa das Confederações de 2009), quanto uma incerteza perante adversários mais frágeis (como na eliminação ainda na fase de grupos do Pré-Olímpico sediado em casa, que deixou o país fora de Londres-2012). Mesmo com os tropeços na terceira fase das Eliminatórias, os ianques têm estrutura, capacidade técnica e tradição suficientes para se garantir no Mundial de 2014 sem grandes sustos. Mas precisam mostrar isso em campo.

Tradição ainda pesa

Costa Rica e Honduras

Ticos e Catrachos são historicamente as forças do segundo escalão na Concacaf, à espreita de tropeços dos favoritos listados acima. Ambos solidificaram suas condições como terceiras forças continentais nos anos 1990 e 2000. Os costarriquenhos, inclusive, chegaram a ameaçar o posto de rival azteca ocupado pelos EUA, mas a entressafra de gerações e algumas decepções nos últimos anos devolveram a “Sele” para o seu lugar tradicional. Oscilantes na terceira fase das Eliminatórias, as duas seleções usaram o peso da camisa quando preciso e garantiram a vaga na reta final. Honduras, inclusive, com uma sonora goleada sobre o Canadá, que pode dar um ânimo crucial na busca pela vaga. Se tudo correr conforme o esperado, os rivais centro-americanos brigam pela terceira vaga, com o derrotado disputando a repescagem.

Podem surpreender

Panamá e Jamaica

Elenco jovem, mas com sólida experiência pelo selecionado nacional, que por sua vez carece de maior tradição em disputas extracontinentais. Características presentes tanto na Jamaica quanto no Panamá. Os Canaleros não sofreram muito para garantir sua vaga no hexagonal final, deixando para Canadá e Honduras, rivais com mais tradição, a tarefa de se digladiarem pelo outro bilhete. Sensação da primeira fase da última edição da Copa Ouro, o técnico e eterno ídolo nacional Julio Dely Valdés montou um time coeso e eficiente. Entretanto, os panamenhos são os únicos participantes da fase final que nunca disputaram uma Copa do Mundo, inexperiência que sempre pode pesar na reta final. Os Reggaeboyz, por sua vez, ao contrário do que muitos imaginam, estão longe de ser uma potência na região. Ainda que tenha força no Caribe, a classificação para a Copa de 1998 e o time habilidoso e insinuante que encantou os europeus mostrou-se pouco presente desde então e colecionou decepções. A esperança de jamaicanos e panamenhos na vaga está depositada em tropeços dos rivais e na obtenção de bons resultados em casa para, quem sabe, beliscar uma vaga na repescagem.

Obviamente os prognósticos não são definitivos. Até por que estamos falando de futebol. E em uma região onde são constantes o surgimento de surpresas. Mas vale ficar de olho em seleções capazes de surpreender os “grandes” do futebol mundial. Afinal, como diz um célebre narrador, “não tem mais bobo no futebol”.

Curtas

– Seleção Trivela da 13ª rodada do Apertura mexicano: Luis Ernesto Michel (Chivas), José García Fernández (Pumas), Jonny Magallón (León), Darío Verón (Pumas) e Fausto Pinto (Cruz Azul); Duvier Riascos (Tijuana), Christian Giménez (Cruz Azul), Alfonso Nieto (Pumas), Daniel Ludueña (Santos); Omar Bravo (Cruz Azul) e Sebastián Maz (León); T: Gustavo Matosas (León);

Costa Rica

– Com uma vitória sobre o Santos de Guápiles, a Alajuelense manteve a ponta do Campeonato de Invierno da Primera División, com 28 pontos em 14 jogos. Vice-líder, o Herediano superou com emoção o rival Saprissa, no “Clássico do Bom Futebol” e soma 26 pontos em 15 partidas. Mesmo com a derrota, o Saprissa ainda é o terceiro, com 24 pontos em 14 jogos;

El Salvador

– Não houve rodada no Apertura da Liga Mayor, Assim, o Alianza manteve a liderança com 20 pontos em 10 jogos, contra 18 do  Isidro Metapán e 17 do atual campeão Águila;

Guatemala

– Não houve rodada na Liga Nacional. Dessa forma, o Comunicaciones manteve a ponta do Apertura, com 34 pontos em 15 partidas. Em segundo lugar, aparece o Municipal, que soma 28 pontos. Com um ponto a menos está o Xelajú, enquanto o Heredia tem 25;

Honduras

– No duelo dos líderes, o Olímpia venceu de maneira convincente o Victoria (3×0) e abriu boa vantagem no topo do Apertura da Liga Nacional, com 26 pontos em 13 jogos. Com o mesmo número de partidas, o vice-líder permanece com 22 pontos. Em terceiro aparece o Marathón, com 18 pontos, seguido pelo Real España, que tem 17;

Panamá

– Com um emocionante triunfo sobre o Tauro por 4×3, na casa do adversário, o Río Abajo disparou na ponta do Apertura da Liga Panamenha, com 26 pontos em 14 partidas. Após um empate com o Atlético Chiriquí, o Árabe Unido manteve a vice-liderança, com 22 pontos. Derrotado, o Tauro estacionou nos 20 pontos e ainda viu o Plaza Amador assumir a terceira posição com 21 pontos, após triunfo sobre o San Francisco;

– Mais notícias sobre o futebol mexicano e da Concacaf pelo twitter: @futebolmexicano

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