Eliminatórias da CopaMéxico

A desorganização e o desespero do México para ir à Copa

É difícil, muito difícil entender como funciona o raciocínio dos dirigentes da Femexfut (Federação Mexicana) e, de modo geral, de todos os cartolas do futebol azteca. Projetos duradouros e planejamento a longo prazo há muito deixaram de fazer parte da grande maioria de clubes do futebol mexicano. Resultados imediatos e conquistas esporádicas e a qualquer custo parecem ser a melhor forma de manter seu emprego de treinador em um clube no país.

Nas últimas três temporadas, nada menos que 42 treinadores perderam seus empregos na Liga MX. Você leu corretamente. Uma incrível média de 14 treinadores por ano deixaram seus cargos. Considerando que 18 clubes fazem parte da elite, uma média nada agradável de apenas 4 treinadores completam um ano no comando de suas agremiações e contam com um tempo mínimo para desenvolver seu trabalho. Todos os times trocaram seus técnicos nesse período. Com exceção de um: o Monterrey, que mantinha Víctor Manuel Vucetich desde 2009 no comando dos Rayados. Até a atual temporada.

Mas em um ambiente tão instável, os limites do imaginável parecem sempre pontos a serem suplantados. Pois a federação nacional foi capaz de superar todos os clubes e manter um técnico por um período ainda menor. E tudo isso levando em consideração um momento delicadíssimo vivido pela seleção e tendo no cargo o único de todos os nomes até então levantados capaz de manter seu cargo nesse ambiente cada vez menos estável.

Após dois jogos, uma vitória e uma derrota, os dirigentes da Tricolor azteca optaram por encerrar o contrato de Vucetich no comando da seleção nacional. Em um período de menos de 30 dias, a Femexfut colocou fim a passagem do treinador mais vitorioso do futebol mexicano nas últimas décadas. Apelidado de Rey Midas por vencer 14 das 15 finais disputadas por clubes mexicanos.

Para o seu lugar, os dirigentes aztecas optaram pela chegada de Miguel Herrera, atual campeão nacional com o América, que será “emprestado” pelas águias durante as três rodadas restantes da primeira fase do Apertura, retorna para a disputa da Liguilla do campeonato nacional e, dependendo do resultado na repescagem frente à Nova Zelândia, poderá ter ou não seu contrato renovado com El Tri. Nada muito duradouro ou planejado, claro.

É inexplicável sob todos os aspectos a decisão tomada pela Femexfut. Nem o argumento de contar com um treinador “vencedor” se faz justificável, levando em consideração o retrospecto ostentado por Vucetich, atual tricampeão continental e dono de cinco taças de campeão nacional, dentre inúmeras outras conquistas. Não que “Piojo” seja um treinador ruim, mas depois de dez anos de carreira e passagens pouco brilhantes em clubes como Monterrey, Veracruz, Atlante e Estudiantes, só obteve seu primeiro título com um trabalho estável, planejado, contando com tempo e tranquilidade para impor seus conceitos e adaptar o elenco ao seu estilo.

Esse não parece (e, de fato, não é) a situação atual da seleção mexicana. A Tricolor precisa de um choque de realidade, um impacto que cause uma reviravolta nos jogadores que têm qualidade, mas não vem conseguindo impor-se em campo.

Poucos imaginam que Herrera não terá sucesso em obter a vaga no Mundial. Graças, e muito, aos norte-americanos, que viraram o duelo contra o Panamá nos minutos finais, basta aos aztecas vencerem um rival nitidamente inferior para garantir a vaga ao Brasil. Ainda que o retrospecto no confronto indique uma vitória para cada lado, parece clara a superioridade dos mexicanos, mesmo com as fracas exibições recentes.

A questão é ainda mais profunda. Vucetich, assim como a maior parte dos treinadores com alguma competência no futebol mexicano, também parece (ou parecia) ser capaz de superar esse desafio. Era também o grande (senão único) nome para liderar com pouca contestação o grupo no Mundial, mas foi descartado e, parece claro, não deve comandar a Tricolor na Copa.

Pior. A mensagem passada pela Femexfut é que nenhum técnico terá estabilidade senão trouxer resultados rápido. Um imediatismo que não condiz com o trabalho de Herrera e, a bem da verdade, de nenhum treinador com o mínimo de capacidade e respeito no futebol.

Para muitos, hoje, é notório que o fator prejudicial ao crescimento e desenvolvimento expressivos do futebol azteca é a mentalidade dos dirigentes. A vaga deve chegar (ainda que de forma desmerecida), mas as perspectivas que antes pareciam grandes no horizonte mexicano, hoje é apenas desespero por um lugar no próximo Mundial.

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 14ª rodada do Apertura: Oscar Pérez (Pachuca), George Corral (Querétaro), Luis Perea (Cruz Azul), Jonathan Lacerda (Puebla) e Miguel Layún (América); Danilinho (Tigres UANL), Sinha (Toluca), Rodolfo Salinas (Santos) e Daniel Ludueña (Pachuca); Alan Pulido (Tigres UANL) e Oribe Peralta (Santos); T: Ignacio Ambríz (Querétaro);

Costa Rica

– Aproveitando o tropeço do rival Herediano, superado pelo Santos de Guápiles, o Saprissa impôs um contundente 5×1 sobre o Limón e retomou a liderança do Campeonato de Invierno, com 34 pontos em 15 jogos. O clube de Heredia ainda é o vice-líder, com 32, três pontos a frente da Alajuelense. Fechando o grupo dos quatro primeiros aparece o Municipal Pérez Zeledón, que bateu o Carmelita e soma 21 pontos;

Guatemala

– Jogando em casa, o Municipal sofreu o gol de empate do Suchitepéquez nos acréscimos da segunda etapa e viu o arquirrival, Comunicaciones, se distanciar ainda mais na ponta do Apertura da Liga Nacional. Com um importante triunfo sobre o Coatepeque, fora de casa, os Cremas alcançaram 34 pontos em 14 partidas, seis a mais que os escarlatas. Outro destaque da rodada foi a goleada do Xelajú sobre o Mictlán por 6×0, com dois gols marcados pelo veterano atacante brasileiro Israel Silva;

– Faltando oito rodadas para o fim da fase de classificação, Marquense (22 pontos), Suchitepéquez (21), Heredia (21), Xelajú (19), Universidad SC (19) e Malacateco (18) completam o grupo dos que hoje estariam classificados para a fase final do Apertura;

El Salvador

– Com um categórico 3×0 fora de casa, sobre o Luis Ángel Firpo, o Atlético Marte ampliou ainda mais sua vantagem no topo do Apertura da Liga Mayor, com 27 pontos em 13 jogos. Isso graças ao tropeço do vice-líder, Alianza, que empatou com o Santa Tecla e soma 21 pontos. Com o resultado, o atual campeão, Firpo, segue em péssima fase, na 7ª colocação e cada vez mais distante da fase final. No Clásico Nacional, FAS e Águila não saíram do zero, placar que manteve o 4º e 5º lugar de ambos, com quatro pontos de vantagem para os santanecos;

– Com cinco partidas restante para o fim da primeira fase, Atlético Marte (27), Alianza (21), Isidro Metapán (20) e FAS (20) ocupam os quatro lugares que hoje dão vaga nas semifinais do Apertura;

Honduras

– Com triunfos sobre Victoria e Parrillas One, respectivamente, Real España e Olimpia aproveitaram o tropeço do Real Sociedad, que não passou de um empate contra o Motagua, e assumiram a liderança da Liga Nacional, com 23 pontos em 13 partidas. O clube de Tocoa aparece logo a seguir, com 22;

– Faltando 5 rodadas para o fim da fase regular, Real Sociedad (22 pontos), Savio (22), Motagua (16) e Platense (16) ocupam atualmente as vagas na repescagem para a fase final. O Marathón é lanterna, com 13 pontos;

Panamá

– Derrotado pelo Chepo no fim de semana, o antigo líder San Francisco perdeu não somente a primeira posição, tomada pelo Tauro após vencer o Chorrillo, mas também se viu ultrapassado pelo Plaza Amador, que superou o Sporting San Miguelito. A tabela de classificação do Apertura conta com Tauro (29 pontos), Plaza Amador (28), San Francisco (27) e Independiente (25) no grupo dos quatro primeiros;

– O Árabe Unido goleou o lantena Río Abajo, fora de casa, mas segue distante das vagas para o mata-mata, com 14 pontos e em 7º lugar na Copa Digicel;

Jamaica

– Com um triunfo sobre o Boys’ Town, o Humble Lions manteve a ponta da National Premier League, com 12 pontos em 5 jogos. Com 10 pontos, o Montego Bay aparece na vice-liderança, após superar o Rivoli United. O Tivoli Gardens é o terceiro (9 pontos), enquanto o atual campeão Harbour View é o sexto e o Portmore é o lanterna, com apenas um ponto;

Trinidad & Tobago

– W Connection e Point Fortin Civic venceram San Juan Jabloteh e St. Ann’s Rangers, respectivamente, e mantiveram os 100% de aproveitamento e a primeira posição na TT Pro League, com 9 pontos em 3 jogos. Atual campeão, o Defence Force perdeu em casa para o North East Stars, que contou com um hat-trick de Trevin Caesar, e segue sem somar pontos na competição, na vice-lanterna;

Nicarágua

– No duelo de líderes, tudo igual entre Real Estelí e Managua, resultado que manteve a folga do primeiro na liderança da Liga Nacional, com 33 pontos em 14 partidas, mas fez com que o segundo perdesse a vice-liderança para o Diriangén, que bateu Walter Ferretti e soma 28 pontos, contra 27 dos Leones Azules.

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