Eliminatórias da CopaMéxico

Agora é a hora da verdade para a seleção mexicana

Depois de tropeços inexplicáveis, desempenho irregular e fracas atuações, chegou a hora da verdade para a seleção mexicana. A Tricolor jogará em um intervalo de cinco dias duas partidas que se configuram como uma das mais decisivas de sua história. Duelos decisivos não somente para manter a série de cinco participações consecutivas em Copas do Mundo, oitava melhor marca atualmente, mas, principalmente, para definir se o planejamento e as premissas adotadas pela Femexfut nos últimos anos e até na última década, e que tanto sucesso deram no terreno continental e nas divisões de base, serão mantidos.

Muito já foi falado sobre o processo que culminou na saída de José Manuel de la Torre e na chegada de Víctor Manuel Vucetich. Ainda que a campanha de “Chepo” tenha sido irrepreensível na fase anterior, o risco real de ficar fora de um Mundial pela primeira vez desde 1990 pesou muito na decisão dos dirigentes aztecas, que optaram pela chegada do multicampeão ex-treinador do Monterrey, disponível no mercado após a saída dos Rayados, um uma oportunidade de ocasião que causou suspeita no país.

A chegada do “Rey Midas” ao banco do selecionado nacional não poderia vir em momento mais oportuno. Ouso dizer que em nenhum momento nas últimas duas décadas a seleção mexicana precisou mais das qualidades de um técnico do que na situação atual. Com um time tecnicamente muito superior aos adversários locais, um torneio muito mais rentável e maior disponibilidade de nomes promissores, falta aos aztecas justamente uma das características que Vucetich tem de melhor: mentalidade vencedora.

Capaz de liderar clubes como Estudiantes Tecos e León ao título nacional, estabelecer as bases para o domínio local e continental de equipes antes medianas como Pachuca e Monterrey, “Vuce” possui uma capacidade enorme de fortalecer mentalmente elencos que nem sempre sejam os melhores tecnicamente. Não à toa conquistou títulos por onde passou.

A questão agora, entretanto, é muito mais urgente. A capacidade de Vucetich em restaurar o ânimo dos aztecas será posta à prova logo início. Até por esse motivo, sua primeira convocação manteve praticamente a mesma base utilizada por seu antecessor, promovendo a estreia somente do veterano argentino naturalizado Lucas Lobos, que chega à seleção nacional aos 32 anos com respaldo praticamente unânime de torcedores, jornalistas e dirigentes mexicanos.

Outra de suas principais características, lançar novos talentos, ficará adormecida momentaneamente. O grupo é experiente e com rodagem pela Tri. Dez dos 26 convocados já estão na casa dos 30 anos e somente um tem menos de 23 anos, o atacante Raúl Jiménez, que já soma 15 convocações para o selecionado. O treinador sabe da importância de contar com o fator experiência no momento atual.

A fase dos aztecas é inexplicável. Depois de sobrar na terceira fase do qualificatório, com 100% de aproveitamento, a melhor defesa e o melhor ataque, a vaga parecia encaminhada no hexagonal decisivo. O início trôpego de resultados em casa, aliado à falta de vitórias como visitante, contudo, levou os mexicanos a um panorama inimaginável há 9 meses atrás: a chance real de ficar de fora até mesmo da repescagem.

A situação só não se tornou mais desesperadora pela incapacidade do Panamá em vencer os praticamente eliminados jamaicanos em casa. Ainda assim, as chances de vaga direta são praticamente nulas. Honduras recebe a já assegurada Costa Rica e visita os jamaicanos. Deve se garantir com mais três pontos ou mesmo com dois empates (talvez um, se tiver alguma sorte).

A briga dos mexicanos deve centrar-se no posto para a repescagem. E para não entrar na última rodada ameaçado, a Tricolor precisa de um triunfo categórico na próxima sexta, contra os panamenhos, no estádio Azteca. Ainda que a vitória não seja algo fora do normal, os comandados de Julio Dely Valdés não perderam por mais de dois gols de diferença em nenhum outro confronto. E os reveses por 2 a 0 vieram somente frente aos já classificados Costa Rica e Estados Unidos. Sinal de que os aztecas podem fazer o resultado, mas não devem menosprezar a Roja, que costuma vender caro suas derrotas.

Enquanto uma derrota não pode nem ser considerada pelos aztecas, um empate deixaria os mexicanos dependentes de outros resultados para assegurar a vaga. Com um detalhe: a vantagem continuaria com os panamenhos. Como a rodada final reserva uma visita da Tricolor aos rivais costarriquenhos e um duelo do Panamá contra os já assegurados norte-americanos, as chances de ficar de fora do Mundial talvez se tornem um fardo pesado demais sob as costas do grupo de Vucetich.

Os aztecas tem qualidade, elenco, tradição e camisa para obter um resultado tranquilo em um estádio que, ao passo que deverá contar com sua lotação máxima e barulho ensurdecedor, pode transformar-se rapidamente num ambiente de pressão insuportável contra os donos da casa. Por conta disso, elenco e comissão técnica já deixaram claro que o objetivo será somar os três pontos, mas sabem que uma goleada é a única forma de realmente acalmar os ânimos.

Para um grupo que começou a última temporada com o ouro olímpico e acalentando sonho de fazer frente às seleções mais fortes do mundo na próxima Copa, os objetivos passaram a ser, mais modestos, focando primeiramente em garantir ao menos uma passagem para o Brasil em 2014. Ou para a repescagem…

Curtas

– Seleção do site Mediotiempo da 13ª rodada do Apertura: Moisés Muñoz (América), Sergio Pérez (Atlante), Pablo Aguilar (Tijuana), Felipe Baloy (Santos) e Edgar Castilllo (Tijuana); Wilson Tiago (Toluca), Aldo Leão Ramírez (Morelia), Luis Montes (León) e Rubens Sambueza (América); Mauro Boselli (León) e Raúl Jiménez (América); T: José Saturnino Cardozo (Toluca); 

Costa Rica

– Em um fim de semana de vitórias dos três grandes, o topo do Campeonato de Invierno manteve-se inalterado. O líder Saprissa bateu a Universidad de Costa Rica e tem 28 pontos em 12 jogos, contra 26 do Herediano, que goleou o Puntarenas e tem uma partida a menos que os rivais. Na terceira colocação aparece a Alajuelense, que venceu o Limón e soma 23. Fechando o grupo dos quatro primeiros que se classificariam para a fase final está o Cartaginés, com 18 pontos;

Guatemala

– O Comunicaciones humilhou o Halcones por 6×0 e ampliou a vantagem na liderança da Liga Nacional, com 25 pontos em 11 partidas, aproveitando o tropeço do rival Municipal, que não passou de um empate sem gols em visita ao Marquense e tem 21.

– Com metade das 22 rodadas já disputadas, Heredia (18 pontos), Malacateco (17), Suchitepéquez (16), Marquense (15), Xelajú (15) e Halcones (15) completam o grupo dos que hoje estariam classificados para a fase final do Apertura;

El Salvador

– Enquanto os adversários foram derrotados nos clássicos do fim de semana, o Atlético Marte bateu o Juventud Independiente e isolou-se na ponta do Apertura da Liga Mayor, com 23 pontos em 11 jogos. Vice-líder, o Alianza foi superado pelo Águila no “Clásico de las Mayorías” e estacionou nos 20 pontos, enquanto o 3º colocado, FAS, levou a pior no Derbi Santaneco e tem 19;

– Com os triunfos nos clássicos, Isidro (16 pontos) e Águila (14) brigam hoje pela quarta e última vaga nas semifinais, mas devem ganhar a companhia do atual campeão Luis Ángel Firpo, que venceu o Santa Tecla e já tem 12;

Honduras

– A Liga Nacional tem um novo líder. Um gol de pênalti do atacante brasileiro Romario já nos acréscimos impediu a vitória do Olimpia sobre o Deportivo Savio e jogou os Merengues para a segunda colocação do Apertura, com 20 pontos em 11 partidas, graças ao triunfo do Real Sociedad sobre o Victoria, que levou o clube de Tocoa aos 21 pontos;

– Faltando 7 rodadas para o fim da primeira fase, Savio (18 pontos), Real España (17), Parrilas One (13) e Platense (13) ocupam atualmente as vagas na repescagem para a fase final. O Marathón é o sétimo, enquanto o Motagua é o nono;

Panamá

– Um empate contra o atual campeão Sporting San Miguelito manteve o San Francisco no topo do Apertura da Liga Panamenha, com 26 pontos em 13 jogos. Com uma vitória sobre o Plaza Amador no Super Clásico Nacional, o Tauro assumiu a vice-liderança, com 23 pontos, ultrapassando justamente o rival, que tem 22.

– Em duelo direto na briga pela quarta posição, o Chepo venceu o Independiente fora de casa e tomou o posto do rival, com 21 pontos. Em má fase, o Árabe Unido empatou mais uma, dessa vê contra o Chorrillo, e segue longe das vagas para o mata-mata, com 14 pontos e em 8º lugar na Copa Digicel;

Haiti

– E temos campeão no Caribe! Mesmo jogando pelo empate para ficar com a taça, o Mirebalais venceu o então detentor da taça Valencia fora de casa e alcançou seu segundo título nacional, fechando o hexagonal decisivo com 22 pontos em 10 partidas. Vice-campeão, o Valencia somou 18 pontos, contra 16 do Racing Club Haïtien, maior vencedor nacional, que perdeu na última rodada para o Aigle Noir. Petit-Goâve (10 pontos), Baltimore (9) e Aigle Noir (6) fecharam a tabela de classificação;

– Na briga contra a queda, o América des Cayes perdeu para o Tempête e, com 12 pontos, selou sua queda. Isso por que Cavaly e Victory, ambos com 11 pontos, duelam entre si para definir quem será o último rebaixado, sendo que um empate beneficia o primeiro, que joga em casa. Don Bosco (15 pontos), FICA (15) e Tempête (14) seguem na Liga Haitiana;

Nicarágua

– Com uma vitória fácil sobre o Real Madriz, o Real Estelí segue tranquilo na ponta da Liga Nacional, com 28 pontos em 11 jogos. Dono do melhor ataque e da melhor defesa, o atual tetracampeão nacional tem dois jogos a menos que os rivais e três pontos de vantagem para o vice-líder, Diriangén, que superou o San Marcos, com 3 gols do veterano atacante Raúl Leguias.

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