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Torcida do Estrela Vermelha criou mosaico para protestar contra admissão de Kosovo na Uefa

O nacionalismo está presente desde as raízes do Estrela Vermelha. Oficialmente, o clube foi fundado em 1945. No entanto, sua história começa desde 1913. Naquele ano, o Belgrado SK disputaria um amistoso contra o Hajduk Split no Império Austro-Húngaro, em conflito com o antigo Reino da Sérvia desde a anexação da Bósnia, cinco anos antes. Nem todos os jogadores concordaram com a partida e alguns deles abandonaram o clube, formando o SK Velika Srbija, Esporte Clube Grande Sérvia. Depois disso, a equipe atravessou diversos ciclos, entre períodos descontínuos e mudanças de nomes. Até voltar de maneira ininterrupta após a Segunda Guerra Mundial, idealizada por membros da Aliança Unida da Juventude Antifascismo e aparelhada pelo Ministério do Interior, dentro da estrutura do recém-formado estado comunista.

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Conhecer a trajetória do Estrela Vermelha é importante para entender um pouco melhor algumas das relações geopolíticas que se traçam na história contemporânea da Sérvia. Com a queda do antigo regime, há 25 anos, facções organizadas da torcida formaram grupos paramilitares para o combate na Guerra da Iugoslávia. Já nesta semana, as fronteiras voltaram a ser assunto nas arquibancadas, em forma de protesto antes de partida pela Liga dos Campeões. A Delije, principal grupo de ultras dos alvirrubros, se manifestou em relação à admissão de Kosovo pela Uefa, antes da eliminação para o Ludogorets. Os torcedores já haviam se posicionado na etapa anterior do qualificatório.

Em meio a um mosaico, a torcida do Estrela Vermelha apresentou um trecho da regulamentação da confederação europeia: “A filiação à Uefa é aberta a associações nacionais de futebol situadas na Europa, baseadas em países reconhecidos pela ONU como estados independentes e que são responsáveis pela organização e implementação de assuntos relatados ao futebol no território”. Além disso, outras faixas chamavam a Uefa de “máfia” e diziam que a entidade “apoia o terrorismo”.

A queixa da torcida do Estrela Vermelha (e dos sérvios, em geral) se concentra sobre o fato de que não há um número mínimo de países na ONU que reconheçam Kosovo. Assim, a entrada do território na Uefa seria ilegítima. Uma queda de braço que atravessa décadas e repercute também dentro dos estádios.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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