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Hulk deixa a Europa sem ter atuado no alto nível que merecia

O Shanghai SIPG, clube do técnico sueco Sven-Goran Eriksson, abriu os cofres e pagou € 56 milhões (R$ 200 milhões) para contratar Hulk, na transferência que o transformou no terceiro jogador que mais movimentou dinheiro na história, atrás apenas de Ibrahimovic e Di María. Após oito anos, o brasileiro deixa a Europa, onde conquistou títulos e chegou à seleção brasileira, sem ter atuado no mais alto nível do futebol do continente.

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Foram quatro temporadas em Portugal e quatro na Rússia, dois campeonatos de segundo escalão europeu. Os números são excelentes para um jogador que atuou majoritariamente como ponta-direita e segundo atacante. Foram 78 gols em 169 partidas pelo Porto, inclusive 36 naquela tripleta mágica com André Villas-Boas, em que o clube levou os títulos da liga nacional, da copa e da Liga Europa. No Zenit, outras 74 bolas na rede em 147 partidas, jogando mais próximo da meta adversária.

No Porto, impressionou tanto que Villas-Boas tentou levá-lo para todo lado. Em fevereiro de 2012, pouco antes de ser demitido do Chelsea, falou que Hulk, naquela época com 25 anos, poderia ser peça chave na renovação do elenco do clube inglês. “Temos o Kalou e o Malouda em final de contrato. Mata e Sturridge são o futuro. Como tal, haverá um lugar para preencher com um ala explosivo, forte no um contra um, um perfil em que Hulk se encaixa”, disse.

A cláusula de rescisão de Hulk era de € 100 milhões, um valor absurdo, estipulado justamente para desestimular aproximações. A moral com a diretoria do Porto era tão grande quanto essa quantia. “Pode soar como uma heresia, mas eu não trocaria Hulk por Cristiano Ronaldo”, disse o presidente do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa. Um agente do jogador, segundo o jornal português Record, contou que os Dragões já haviam recusado € 80 milhões por ele. Villas-Boas, na sequência, foi para o Tottenham e continuou interessado em Hulk, mas o clube londrino também não conseguiu concretizar a contratação.

Pouco mais de um ano depois, Hulk estava preparando-se para a disputa da Copa das Confederações, quando o retorno de José Mourinho ao Stamford Bridge reviveu o interesse do Chelsea. “Se eu disser que não tem nada, estaria mentindo. Mas estou 100% focado na seleção”, disse. O Zenit, porém, havia contratado-o há apenas uma temporada, por € 55 milhões, e dificilmente aceitaria levar muito prejuízo. Segundo o Telegraph, ele custaria no mínimo € 42 milhões. Naquela janela, o Chelsea contratou Willian, do Anzhi, por menos que isso (€ 35,5 milhões). Ainda reforçou o ataque com Schürrle, Salah e Eto’o, mostrando que essa era mesmo uma preocupação do português.

O tempo passou. Hulk aproximou-se dos 30 anos e a possibilidade de um clube de elite desembolsar muito dinheiro por ele, próximo ao que o Zenit exigia para liberá-lo, diminuiu muito. Ao mesmo tempo, fez parte da campanha fracassada da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 e teve a imagem arranhada. A torcida do Brasil, por exemplo, foi feroz nas críticas, algumas delas injustas.

Hulk, alguns meses depois do torneio vencido pela Alemanha, sugeriu em entrevista ao Globo Esporte que o alto preço exigido pelos seus direitos federativos não foi o único motivo que o impediu de jogar em ligas maiores. “Claro que alguns clubes chamam mais atenção do que outros, mas o importante é eu estar bem. Não adianta eu ir para o Real Madrid ou para o Chelsea e não ter oportunidade de jogar. Independente de estar ou não em um grande centro, sei que estão avaliando”, afirmou.

Hulk poderia fracassar na Inglaterra, mas, pelo que fez com as camisas de Porto e Zenit, merecia ter tido pelo menos uma chance no mais alto nível. Tanto nacional quanto continental. Na Champions League, chegou apenas quatro vezes ao mata-mata. Passou das oitavas de final em uma única oportunidade, apenas para já parar na fase seguinte. Mas a Europa, até segunda ordem, é passado. Quatro vezes campeão nacional, sua experiência e o canhão que existe em sua perna esquerda estarão a serviço do Shanghai SIPG pelos próximos anos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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