Le Graët, presidente da Federação Francesa: “O racismo no futebol não existe ou existe pouco”

Dois dias após o clássico entre PSG e Olympique de Marseille, marcado por confusão entre os jogadores e uma acusação de racismo em campo, o presidente da Federação Francesa de Futebol, Noël Le Graët fez a declaração mais descolada da realidade que poderia ter dado. Para ele, no futebol “não existe ou pouco existe” racismo.

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Le Graët participou do programa BFM Business, da emissora BFM TV, nesta terça-feira (15) e, como principal autoridade do futebol francês, foi convidado a falar sobre o principal assunto do momento na liga francesa. Neymar, do PSG, acusa o zagueiro Álvaro, do Olympique de Marseille, de ter lhe insultado racialmente durante a partida. No fim do jogo, Neymar deu um tapa na cabeça do adversário e acabou expulso.

Para Le Graët, o racismo não é um grande problema no futebol – e nem mesmo nos esportes em geral. O dirigente afirmou não saber o que Álvaro disse a Neymar, mas minimizou a questão do racismo no futebol.

“Em uma partida, pode haver diferenças. Mas hoje isso (episódios racistas) é menos de 1% dos casos. Quando um negro marca um gol, todo o estádio fica de pé. O fenômeno racista no esporte, e no futebol em particular, não existe ou existe pouco”, opinou.

Le Graët, por fim, condenou a atitude dos jogadores, que trocaram agressões em uma sequência que terminou em cinco expulsos, três do PSG (Paredes, Kurzawa e Neymar) e dois do Marseille (Amavi e Benedetto).

“É um jogo que a França toda fica esperando. Não correu bem, o comportamento dos jogadores não foi exemplar. Lamentamos isso, é uma pena. Eles não souberam manter a calma e nem dar o espetáculo que esperávamos.”

Esta não é a primeira vez na história recente que Le Graët, presidente da Federação Francesa desde 2011, faz declarações que não ressoam bem sobre discriminação. Em setembro do ano passado, o dirigente, após ver partidas paralisadas na França por causa de ofensas homofóbicas, afirmou que parar os jogos por causa desses insultos era “um erro”.

“Eu pararia um jogo por cantos racistas, isso é claro. Eu pararia por uma briga, por incidentes, se houver perigo em algum lugar dentro do estádio”, argumentou Le Graët. Para ele, o racismo e a homofobia nas arquibancadas “não são a mesma coisa”.

Com pessoas em posição de tamanha relevância e poder dizendo coisas assim, não é difícil entender por que os atletas não se sentem respaldados pelas autoridades e acabam, por vezes, agindo por conta própria.

Le Graët, ainda que principal nome político de um país relevante no futebol internacional, parece não acompanhar direito os acontecimentos do esporte em que atua, mesmo em países vizinhos ao seu, como Itália e Espanha.