Itália

Você está demitido

“Vou passar a noite refletindo sobre a decisão a tomar”, disse Maurizio Zamparini, presidente do Palermo, após o frustrante empate em casa por 1 a 1 no dérbi siciliano contra o Catania, no último domingo. Naquela altura, Walter Zenga sabia que no dia seguinte já não seria mais o técnico rosanero. Uma vitória sobre os rivais era considerada questão de honra, depois da humilhante goleada de 4 a 0 sofrida na temporada passada – com Zenga do outro lado.

O ex-goleiro da seleção italiana teve resultados abaixo das expectativas, mas sua demissão após treze rodadas não se justifica. É verdade que o Palermo sofreu com a irregularidade e também com a dificuldade de adaptação de alguns reforços, sobretudo o jovem meia argentino Pastore, que deveria assumir a armação da equipe em campo, mas até o momento foi apenas discreto. O goleiro Rubinho, contratado para ser titular, cometeu falhas e acabou na reserva do jovem Sirigu – que também já teve seus altos e baixos na posição.

No entanto, a equipe teve alguns momentos de futebol agradável, sobretudo depois que Zenga mexeu no esquema tático e passou a atuar com três zagueiros. A vitória por 2 a 0 sobre a Juventus, por exemplo, foi um ponto alto. O problema para o treinador – que chegou falando em brigar por título – foi a dificuldade em traduzir sempre em pontos as melhores atuações do time. O fato de ter vindo diretamente de um rival também ajudou a dificultar sua plena aceitação pela torcida.

A decisão de Zamparini não deve ser encarada com surpresa, dado o seu histórico de falta de paciência com o trabalho de seus treinadores. No futebol desde 1988, quando assumiu o controle do Venezia, ele já demitiu 28 vezes e teve um total de 32 técnicos, já contando com Delio Rossi, sucessor de Zenga no Palermo. Só no clube da Sicília, onde está desde 2002, já são 12 treinadores diferentes. Isso porque um deles – Francesco Guidolin, atualmente no Parma – teve nada menos que quatro passagens pelo cargo.

Guidolin, aliás, foi o único técnico a passar todas as rodadas de um campeonato à frente do Palermo de Zamparini, em 2004/05. Desde então, em todas as temporadas houve pelo menos uma troca de técnico. Quem mais se aproximou de um campeonato completo foi Davide Ballardini, que assumiu na segunda rodada da última temporada e ficou até o fim.

Delio Rossi, que fez um trabalho elogiável à frente da Lazio, chegando a conquistar um terceiro lugar em 2007 com recursos limitados, tem um perfil mais discreto que o de Zenga, e chega já sabendo que as missões no Palermo não dão espaço para tempo de adaptação.

O contrato tem duração de dois anos, e se for cumprido até o fim fará dele o recordista da era Zamparini no clube. Caso não seja, o presidente palermitano acrescentará mais uma demissão ao seu currículo, e continuará arrumando desculpas para a falta de resultados a médio prazo. Mais fácil apostar na segunda possibilidade.

O comportamento que deveria servir de exemplo negativo acabou virando tendência na Itália. São oito demissões até agora, a maior marca já registrada em apenas treze rodadas do campeonato. Sô o lanterna Siena já mudou duas vezes: Marco Giampaolo deu lugar a Marco Baroni, que saiu esta semana para a entrada de Alberto Malesani.

Falta aos presidentes e diretores esportivos da Serie A capacidade para analisar o trabalho por diferentes parâmetros, e não apenas pelos resultados. O exemplo contrário se viu no ano passado, quando o Cagliari manteve a confiança em Massimiliano Allegri após cinco derrotas consecutivas e acabou na parte de cima da tabela, distante do rebaixamento.

Qualquer um pode pegar a tabela de classificação e demitir um técnico baseado nela. Mas avaliar, julgar a qualidade do jogo e a possibilidade de melhora são para poucos. Que andam em falta na Itália.
 

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Equipe Trivela

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