Voa!
/https%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2Fhttps%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2F2011%2F04%2Fimg_13852_hernanes-comemora-com-os-companheiros-seu-gol-na-rodada.jpg)
A presença da Lazio entre os líderes no início do campeonato lembrava a história da tartaruga no alto da árvore: ninguém entendia exatamente como ela tinha chegado até ali, mas em algum momento ela teria de descer. Faltando cinco rodadas para o final da Serie A, os biancocelesti não brigam pelo título – o que seria o equivalente à pobre tartaruga chegar à lua – mas permanecem na zona de classificação para a Liga dos Campeões, podendo até sonhar com uma vaga direta na fase de grupos da competição.
A derrota do dia 13 de março para a Roma, a terceira em três dérbis na temporada (contando o da Copa), parecia ser um duro golpe nos homens de Edy Reja. A ascensão da encantadora Udinese de Sánchez e Di Natale fazia com que muitos, inclusive esta coluna, atribuíssem às zebrinhas o favoritismo para o quarto lugar. No entanto, a Lazio venceu três dos quatro jogos desde então – perdendo apenas para o Napoli por 4 a 3, em partida incrivelmente disputada.
A goleada de 4 a 1 sobre o Catania, fora de casa, no último domingo, tem forte significado. O time dirigido pelo ex-biancoceleste Diego Simeone vinha de quatro vitórias consecutivas em seu campo, e a Lazio não vencia no Cibali havia 51 anos.
O resultado teve uma mãozinha da providência. Sábado, o atacante Mauro Zárate voltou a aprontar das suas, chegando uma hora atrasado ao treinamento apronto para a partida. Reja, cansado das estripulias do argentino, decidiu puni-lo com a reserva, escalando Floccari como centroavante titular, um mês depois de sua última presença desde o início, e formando a linha de meias com Mauri e Sculli pelos lados e Hernanes centralizado.
A bola rolou por apenas 14 minutos até Sculli se machucar e deixar o campo, obrigando Reja a colocar Zárate. E o argentino, que jurava ter apenas se confundido sobre o horário do treino na véspera, entrou em campo com raiva e produziu uma de suas melhores atuações na temporada, jogando para o time e não apenas para si próprio, como é seu costume.
Os gols da vitória foram repartidos pelo quarteto ofensivo – Hernanes, Mauri, Floccari e Zárate – e afastou-se assim o perigo de um clima pesado entre o argentino e o treinador, que até brincou com o caso após a partida. “Ele foi muito bem, estou pensando em deixá-lo sempre fora do último treino…”, afirmou Reja.
O fato de Hernanes ter marcado fora do Olímpico pela primeira vez desde outubro também quer dizer muito. O brasileiro, que chegou voando, teve uma queda de rendimento na parte intermediária da temporada. Nada surpreendente, já que sua condição física em setembro era a de alguém que vinha em plena temporada no Brasil desde o início do ano. Em algum momento isso teria de passar fatura. Agora, o meia parece estar de volta à melhor situação física e técnica.
A rodada minou as chances de Roma (derrotada pelo Palermo) e Juventus (que empatou com a Fiorentina), mas a surpreendente vitória da Udinese, desfalcada de seus dois principais atacantes, contra o Napoli, impediu que o fim de semana fosse ainda melhor para a Lazio, que permanece com apenas um ponto de folga. No entanto, o sonho do terceiro lugar passou a ser possível com a derrota da Inter para o Parma.
A Inter tem 63 pontos e a Lazio 60, e no próximo fim de semana as duas equipes se enfrentam em San Siro. Vale lembrar que a Lazio venceu o jogo do primeiro turno no Olímpico, ou seja, em caso de vitória levaria vantagem sobre os nerazzurri no confronto direto, critério de desempate caso duas equipes terminem com a mesma pontuação.
Derrotar a Inter em Milão, em um momento tão complicado para os comandados de Leonardo, não parece tarefa impossível. A Inter perdeu quatro das últimas cinco partidas oficiais, o que não acontecia desde abril de 2000, na infeliz passagem de Marcello Lippi pelo clube.
Depois da visita a San Siro, a Lazio receberá a Juventus, que joga suas últimas cartadas para pelo menos disputar a Liga Europa, e viaja para enfrentar a Udinese, em um duelo com cara de final para os dois times. Nas últimas duas rodadas, joga em casa contra o Genoa, que já estará “de férias”, e vai ao campo do Lecce, que luta contra o rebaixamento, mas poderá já estar salvo.
A Inter, por sua vez, ainda visita o ameaçado Cesena, recebe a desinteressada Fiorentina, faz um confronto direto com o Napoli no San Paolo e fecha em casa contra o Catania. Parece um calendário mais tranquilo, mas na fase atual nada é tão fácil.