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Vicenza, Reggina e Monza: três clubes tradicionais tiveram o acesso confirmado à Serie B 2020/21

O Campeonato Italiano alinha o retorno da Serie A e também da Serie B para os próximos dias. Enquanto isso, a Serie C e a Serie D tiveram seu final antecipado. Nesta segunda-feira, a federação italiana (FIGC) anunciou o encerramento das duas divisões, com a determinação dos clubes que conquistaram o acesso e também daqueles que terminaram rebaixados. Entre os promovidos à segundona em 2020/21 estão clubes com histórico respeitável no Calcio: Vicenza, Reggina e Monza – que chama atenção principalmente pelo projeto encabeçado por Silvio Berlusconi, ao lado de Adriano Galliani.

A Serie C é organizada em três divisões regionais, cada uma com 20 equipes. Os líderes são promovidos e há um grande mata-mata para a quarta vaga do acesso, que inclui mais 27 equipes. A federação italiana confirmou a promoção dos três times que ocupavam a primeira colocação. Além disso, irá realizar os playoffs a partir de julho. A participação dos clubes será voluntária e, se alguém preferir desistir, não sofrerá punições. Enquanto isso, três times foram rebaixados: Rimini, Rieti e Gozzano. Os outros três descensos também serão definidos por mata-matas, com 12 equipes ainda em risco.

O Vicenza é quem esteve na Serie B há menos tempo, rebaixado em 2016/17. Os biancorossi já enfrentavam sérios problemas econômicos naquele momento e tinham acabado de trocar seus donos. Em janeiro de 2018, o clube declarou sua falência, mas disputou a Serie C 2017/18 até o fim. Manteve-se na mesma divisão após a chegada do dono Bassano Virtus, outro time da região que figurava na terceirona. O novo presidente fundiu as agremiações e criou o L.R. Vicenza Virtus, sediado em Vicenza e com os símbolos dos biancorossi.

Na temporada passada, o Vicenza disputou os playoffs de acesso e não subiu. Já nesta campanha, os biancorossi sobraram em sua divisão regional e mantinham uma vantagem de seis pontos na liderança, o que valeu a promoção. O técnico da equipe é Domenico Di Carlo, com passagens por alguns clubes da Serie A. Nos tempos de volante, ele foi símbolo do Vicenza e disputou nove temporadas com o elenco, parte delas na primeira divisão. Era titular do marcante time que, sob as ordens de Francesco Guidolin, conquistou a Copa da Itália em 1997. O Lanerossi figurou em 30 edições da Serie A ao longo de sua história, longe da elite desde 2001. Nomes como Roberto Baggio e Paolo Rossi despontaram com a camisa do clube.

No Grupo C, a Reggina foi a melhor entre os sulistas da Serie C. Os amaranti conquistaram o acesso também com tranquilidade, fechando sua divisão regional com dez pontos de vantagem sobre o refundado Bari, segundo colocado. O clube não aparecia na Serie B desde o rebaixamento em 2013/14. A Reggina chegou a disputar a Serie C na temporada seguinte, mas acabou refundada por causa de suas dívidas, em intrincado processo de transferência de seus direitos, e ressurgiu na Serie D. Ex-presidente regional do comitê olímpico italiano, Mimmo Praticò encabeçou essa retomada, ao lado de empresários locais.

O retorno da Reggina à terceira divisão não aconteceu em campo, e sim nos bastidores, com o aumento de participantes na liga em 2016/17. Ainda assim, os calabreses permaneceram em sérias dificuldades financeiras e acabaram salvos apenas em 2018, quando o empresário Luca Gallo comprou a agremiação. Desde então, os amaranti têm melhorado seu desempenho e nadaram de braçada nesta Serie C. Atual técnico, Domenico Toscano tem uma ligação forte com o clube, formado pelas próprias categorias de base em seus tempos de jogador. Já o elenco contou com medalhões do porte de Germán Denis e Reginaldo para guiar a ascensão. Em seu passado, a Reggina disputou nove edições da Serie A, todas entre 1999 e 2009.

Por fim, o Monza fez a campanha mais soberana no Grupo A da Serie C. Os biancorossi acumularam uma incrível vantagem de 16 pontos na liderança de sua chave regional, que primou pelo enorme equilíbrio entre os demais concorrentes. Desde o início do século, o clube já vinha militando entre a terceira e a quarta divisão. O fundo do poço chegou em 2015, quando o então dono do time se envolveu em um escândalo financeiro e as dívidas provocaram a bancarrota. Na reconstrução, a equipe conquistou o acesso de imediato em 2016/17.

O Monza não demorou a se estabilizar na Serie C. E as esperanças de um crescimento mais vigoroso surgiram em 2018, quando Silvio Berlusconi e Adriano Galliani resolveram se unir novamente em um novo projeto esportivo, após deixarem o Milan. A transição, todavia, se completou apenas em março de 2019. Antigo volante milanista, Cristian Brocchi assumiu o comando técnico em 2018. Já nesta temporada, os biancorossi ganharam uma série de reforços, entre eles o zagueiro Gabriel Paletta, outro rossonero. Deu liga. A volta à Serie B interrompe um hiato de 19 anos longe da segundona, com 44 aparições do Monza nesta divisão. E o projeto indica sua ambição de colocar a agremiação pela primeira vez em sua história na Serie A.

“Nunca tive dúvidas sobre o acesso. Começamos no topo e ficamos por lá até a suspensão da Serie C. Agora formaremos um time de ponta para jogar a Serie B. A promoção à primeira divisão depende de muitos fatores, mas conhecemos alguns deles e faremos de tudo para explorar isso”, declarou Berlusconi, ao jornal Il Cittadino. “Não vemos o Monza como um terceiro time de Milão, apesar da proximidade. O Monza pertence à sua própria cidade e tem 900 mil habitantes, com sua própria identidade. Com os jogadores e o treinador, estou fazendo o que sempre fiz no Milan: mantenho o contato, dou conselhos, motivo, parabenizo pelo desempenho e, quando necessário, faço observações. Não perdi os bons hábitos de sempre”.

Na Serie D, os promovidos confirmados nesta segunda-feira são: Lucchese, Pro Sesto, Campodarsego, Mantova, Grosseto, Matelica, Turris, Bitonto e Palermo. Mantova e Lucchese possuem certa relevância, com suas participações na Serie A. De qualquer maneira, a grande história se concentra ao redor do Palermo. Os rosaneri igualmente lidaram com os problemas financeiros e sofreram uma queda direta da segunda para a quarta divisão em 2019. Esta foi a primeira temporada do recomeço, já com o acesso imediato. Os sicilianos fizeram uma campanha tranquila, com vantagem de sete pontos na liderança. Membro do time que terminou a Serie A 2005/06 na quinta colocação, o argentino Mario Santana é o capitão nesta nova fase.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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