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Vaticano cria sua primeira equipe feminina de futebol, e estreia é contra a Roma

Por mais lento que seja, o Vaticano vai se abrindo a novas ideias e ao mundo atual. Vê-se isso nas declarações do Papa Francisco ao longo dos últimos anos, e os efeitos agora podem ser observados também no futebol. Isso porque, no domingo (12), a cidade-Estado anunciou a criação da sua primeira equipe de futebol feminina, com benção do Papa e tudo.

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Com população de aproximadamente 800 pessoas, evidentemente a gama de escolha para o time é bem pequena. Até por isso, ela será composta principalmente por funcionárias trabalhando dentro do Vaticano, além das mulheres e filhas dos funcionários.

Três das jogadoras já jogaram futebol profissionalmente, incluindo a capitã e atacante Eugene Tcheugoue, de Camarões. O restante da equipe é feita de atletas amadoras, e a treinadora à frente do plantel será Susan Volpini, secretária da Associação Mulheres do Vaticano. Volpini afirma que a criação da equipe foi inspirada pelas palavras do Papa de que as mulheres “têm a capacidade de transformar positivamente as comunidades em que operam”.

A primeira partida do esquadrão pioneiro será um amistoso local, contra a equipe feminina da Roma, em 26 de maio. No mês seguinte, terão sua primeira competição: em Viena, disputarão um torneio organizado pelo Bambino Gesù, o hospital infantil do Vaticano.

O jogo diante da Roma não será nada fácil, afinal as oponentes ficaram em quarto lugar em sua primeira temporada na Serie A feminina. Mas Danilo Zennaro, representante da associação esportiva do Vaticano, responsável por organizar as atividades de futebol da cidade-Estado, entende que o resultado não é importante, diante do significado da criação do time.

“Mesmo que elas percam de 30 a 0, isso não importa. O que importa é que essas mulheres tenham a oportunidade de conhecer jogadoras profissionais. Ganhando ou perdendo, trata-se também de criar conexões e amizades”, disse Zennaro, em declaração publicada pelo Guardian.

O dirigente reconhece que havia passado da hora de o Vaticano ter uma equipe feminina, ressaltando o “impulso dado às mulheres” pelo Papa nesse momento e dizendo que a criação era uma extensão disso. “Temos um time masculino há 48 anos, então era o certo oferecer a possibilidade às mulheres que trabalham no Vaticano de praticar o esporte.”

Em janeiro deste ano, o projeto esportivo do Vaticano ganhou outro importante reforço, com a criação de uma equipe de atletismo com o objetivo de disputar competições internacionais, sonhando até com as Olimpíadas.

Já em termos de representatividade feminina, este mês de maio tem o potencial de ser importantíssimo no Vaticano. Embora a cidade-Estado seja evidentemente muito patriarcal, lentamente as mulheres começam a ganhar algum espaço, mesmo que projetar um futuro de igualdade de poder na Igreja soe utópico.

Fala-se na imprensa especializada que o Papa Francisco poderia estar prestes a nomear uma mulher para liderar a Secretaria para a Economia do Vaticano. Claudia Ciocca, o nome especulado, alcançaria o cargo de maior poder já ocupado por uma mulher na Cúria Romana.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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