Futebol italiano

Como a possível chegada de novo lateral pode influenciar o papel de Wesley na Roma

Com Givairo Read na mira para a direita, Roma pode aproveitar versatilidade do brasileiro ou voltar ao mercado por um canhoto

A Roma começa a desenhar o elenco para 2026/27 com uma curiosa questão para resolver nas alas. Segundo o jornalista Fabrizio Romano, o clube italiano apresentou uma proposta oficial de 25 milhões de euros ao Feyenoord pelo lateral-direito holandês Givairo Read, de 20 anos.

As negociações estão em andamento, enquanto o Nottingham Forest, que já teve duas ofertas rejeitadas, continua interessado no jogador. A movimentação faz sentido depois da saída de Zeki Celik para a Juventus, mas também abre uma discussão importante: onde Wesley entra nesse novo desenho?

A dúvida não é se a Roma ainda conta com o brasileiro, já que depois de uma primeira temporada positiva na capital italiana, Wesley se tornou peça relevante no elenco de Gian Piero Gasperini. O desempenho foi suficiente para chamar a atenção de Carlo Ancelotti e garantir sua convocação para a Copa do Mundo — embora uma lesão tenha tirado o lateral do torneio.

O ponto é que Wesley terminou 2025/26 sendo um jogador diferente daquele que chegou à Itália. Lateral-direito de origem, ele passou boa parte da temporada atuando como ala pela esquerda. E não foi somente uma solução emergencial: o brasileiro conseguiu entregar bom rendimento também naquele lado, justamente quando a Roma mais precisava.

A explicação está no próprio desenho de Gasperini: o treinador utiliza uma estrutura com três zagueiros e dois alas bastante agressivos, responsáveis por dar amplitude ao time. Por isso, a definição de “lateral-direito” ou “lateral-esquerdo” perde um pouco do peso convencional. O que importa é a capacidade de ocupar o corredor, atacar espaços, recompor e participar da construção — exatamente o contexto que Wesley cresceu.

Roma perde peças dos dois lados, e Read coloca Wesley em novo dilema

Wesley durante treino da Roma
Wesley durante treino da Roma (Foto: Matthieu Mirville / ZUMA Press Wire / IMAGO)

A movimentação do mercado ajuda a entender por que a Roma foi atrás de Read. Celik, que foi o principal ocupante da ala direita durante boa parte da temporada, deixou o clube e acertou com a Juventus. Na outra ala, a situação também mudou.

Tsimikas encerrou seu empréstimo e retornou ao Liverpool, enquanto Angeliño, lateral-esquerdo de origem e que praticamente não conseguiu ter sequência em 2025/26 por problemas físicos, foi negociado com o Deportivo La Coruña. O marroquino Salah-Eddine também não está nos planos de Gasperini e aparece como outro jogador que pode deixar a capital italiana.

Na prática, o elenco caminhava para ficar com Wesley e Devyne Rensch como os principais jogadores capazes de atuar pelos lados. Rensch também é lateral-direito de origem, mas já mostrou na própria Roma que pode ser utilizado nas duas alas.

E é justamente aí que Read entra na equação. Caso a negociação com o Feyenoord seja concluída, a Roma passaria a ter três laterais-direitos de origem: Wesley, Rensch e Read. Ao mesmo tempo, teria uma carência evidente na esquerda.

Essa aparente contradição pode, na verdade, esclarecer o movimento do clube giallorossi. A contratação de Read não necessariamente significaria que Wesley perdeu espaço na direita. Pode significar que Gasperini encontrou uma maneira de resolver dois problemas com uma só movimentação: contratar um lateral-direito para substituir numericamente Celik e, ao mesmo tempo, aproveitar Wesley como uma opção real para a ala esquerda.

O próprio treinador já havia deixado uma pista importante sobre o futuro do ex-Flamengo. Em maio, quando questionado se o brasileiro havia se tornado definitivamente um ala pela esquerda ou poderia voltar à direita, o italiano afirmou que o jogador “sabe jogar tanto à direita quanto à esquerda”, embora seja naturalmente destro.

Gasperini ainda explicou que a utilização de Wesley pelo lado esquerdo esteve diretamente ligada ao contexto da temporada: Celik estava à disposição para a direita, enquanto Angeliño praticamente não jogou, o que representou uma perda importante para a equipe.

A resposta é significativa porque mostra que, para o comandante, Wesley não precisa ser etiquetado em um único lado. O brasileiro virou uma espécie de “coringa” dentro da lógica dos alas.

Roma ainda pode voltar ao mercado para equilibrar as alas

Gasperini durante treino da Roma
Gasperini durante treino da Roma (Foto: Andrea Staccioli / Insidefoto / IMAGO)

Há, porém, outro caminho possível para a Roma. Em vez de transformar Wesley em uma solução permanente para a esquerda, o clube pode voltar ao mercado para encontrar um lateral de origem no setor e, assim, equilibrar as opções de Gasperini.

A eventual chegada de Read resolveria a lacuna deixada por Celik, mas não necessariamente obrigaria o brasileiro a mudar de lado.

Tal possibilidade ganha força justamente pela quantidade de movimentações no setor. A diretoria ainda tem tempo para avaliar o mercado e decidir se vale apostar na versatilidade de Wesley e Rensch ou investir em um jogador mais específico para o corredor esquerdo.

Nesse segundo cenário, o brasileiro poderia continuar sendo uma opção prioritariamente pela direita, onde construiu sua reputação, sem deixar de oferecer a alternativa pelo outro lado quando necessário.

Também não seria estranho que Gasperini quisesse observar primeiro como o elenco se comporta na pré-temporada antes de definir a hierarquia. Read, se contratado, chegaria com status de investimento importante e naturalmente disputaria espaço pela direita. Wesley, por sua vez, parte com o conhecimento do sistema e a experiência de já ter desempenhado diferentes funções ao longo de sua primeira temporada na Itália.

Por isso a possível contratação do holandês ainda não permite responder se o ex-Flamengo será o dono da ala direita ou se passará a ser utilizado regularmente na esquerda. O cenário pode mudar conforme as próximas movimentações da Roma.

Se um lateral-esquerdo chegar, a tendência é de uma divisão mais convencional das funções. Se a diretoria decidir não contratar ninguém para o setor, a capacidade de Wesley de atuar dos dois lados ganhará ainda mais peso.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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