Itália

Vai chegar!

Três vitórias em três rodadas (e mais uma na Copa da Itália). O começo perfeito de Leonardo no comando da Internazionale era tudo que os nerazzurri sonhavam para voltar a acreditar nas chances de um scudetto, o sexto consecutivo, que parecia perdido. O ano de 2010 na Serie A terminou com a impressão de que o Milan só deixaria escapar o título pelas próprias fragilidades, e foi justamente o que aconteceu nas últimas duas partidas. Os rossoneri empataram por 4 a 4 com a Udinese, em San Siro, e por 1 a 1 na visita ao Lecce.

A diferença em pontos sempre pareceu um pouco enganosa em função das duas partidas que a Inter precisou adiar por causa do Mundial de Clubes. Mas a figura deve ficar mais clara nesta quarta-feira, quando a Beneamata recebe o Cesena e, em caso de vitória, ficará a apenas 6 pontos do Milan, ainda com um jogo a recuperar. Na prática, a Inter já depende somente do próprio esforço. O outro compromisso a menos é contra a Fiorentina, dia 16 de fevereiro, no Artemio Franchi.

Neste intervalo, a tabela da Inter é traiçoeira. Tem Udinese e Juventus fora de casa, Palermo e Roma em Milão. O único jogo aparentemente mais tranquilo é a visita ao Bari. Se conseguir sair deste período ao menos com a mesma margem para o Milan, o campeonato tende a esquentar cada vez mais e gerar uma enorme expectativa para o dérbi do dia 3 de abril (ou 2 de abril, caso ao menos um deles ainda esteja envolvido com a Liga dos Campeões).

Nas primeiras partidas com Leonardo, a Inter tem chamado a atenção pela disponibilidade dos jogadores em seguir as ideias do novo técnico, que deixou qualquer possível vaidade de lado e recuperou métodos de José Mourinho, ainda um nome muito respeitado no grupo nerazzurro. A velocidade na construção do jogo remete ao período do português, depois de ser esquecida na fase Rafa Benítez.

A Inter de Benítez chegou a marcar seis gols em um período de nove rodadas, entre 25 de setembro e 21 de novembro. Com Leo, já foram nove gols em três jogos, com boa variação de autores e maneiras. Os meio-campistas colaboraram com dois terços destes gols: três de Cambiasso, dois de Thiago Motta e um de Stankovic. Sinal do dinamismo raramente visto na primeira parte da temporada, onde os setores se comportavam de maneira estática e previsível. A formação tática é de losango, mas a figura geométrica varia muito ao longo do jogo, especialmente quando Stankovic recebe a companhia de Motta na armação.

A troca do 4-2-3-1 pelo 4-3-1-2, além de reforçar o papel fundamental dos homens de meio na chegada ao ataque, ainda devolveu a Maicon a responsabilidade de concentrar o apoio pelo lado direito, o que tem feito com competência. Dos três gols de Cambiasso, dois saíram de cruzamentos do lateral brasileiro.

Eto’o e Milito (que estava a seco na Serie A desde novembro) dividiram os outros três gols do início da era Leonardo no campeonato, e o camaronês marcou de falta pela primeira vez desde abril do ano passado (contra o CSKA Moscou, pela LC). Também saiu de bola parada o gol de cabeça de Thiago Motta contra o Napoli, mostrando que o recurso pode ser mais explorado. E ainda tem Sneijder para voltar ao time…

Acertar a defesa, em especial nas bolas aéreas, é o próximo passo para garantir uma Inter forte na arrancada final. Com o gol sofrido diante do Bologna na goleada de 4 a 1 do último sábado, já são nove rodadas consecutivas sem conseguir deixar a meta inviolada. A última vitória “de zero” foi no dia 29 de outubro, contra o Genoa. A presença de Castellazzi no lugar de Júlio César não tem sido o problema: o veterano goleiro reserva tem sido uma garantia, com atuações seguras.

As mudanças táticas e de postura foram fundamentais para a rápida guinada no caminho da Inter. Tudo indica que, caso o Milan decida chamar a prima para dançar, a Beneamata estará pronta.

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Equipe Trivela

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