Um trabalho muito bem feito

São 16 jogos, com 11 vitórias, três empates e duas derrotas, ambas em amistosos. Entre as equipes derrotadas está a Espanha, campeã do mundo, e um empate com a Alemanha, uma das melhores seleções do mundo atualmente. Esse é o retrospecto de Cesare Prandelli, técnico que assumiu o comando da seleção italiana após um dos maiores fracassos da história da Azzurra, na Copa do Mundo de 2010. Só que mais do que os bons números, Prandelli trouxe de volta à Itália um time competitivo, forte e que chegará à Eurocopa como uma das favoritas.
Uma das primeira atitudes de Prandelli foi acabar com o exílio de Antonio Cassano, considerado um jogador problemático demais para estar na seleção de Marcelo Lippi. O jogador recebeu a camisa 10 e tornou-se referência no ataque. Não por acaso, acabou as eliminatórias para a Eurocopa como artilheiro da equipe, com seis gols. O bom futebol do jogador fez inclusive Cassano ganhar mais espaço no Milan, que tem uma grande concorrência por um posto no ataque – além do intocável Zlatan Ibrahimovic, Alexandre Pato e Robinho brigam por um lugar no time.
Quem também ganhou espaço foi outro atacante: Giuseppe Rossi, do Villarreal, nascido nos Estados Unidos e filho de pais italianos. O jogador tornou-se titular do time e, junto com Cassano, compõe um ataque sem um centroavante de referência, mas muito habilidoso e rápido, com jogadores que se deslocam e confundem a marcação. Quando Prandelli precisa colocar um jogador na área, frequentemente foi Giampaolo Pazzini, que cresceu de produção na seleção depois da transferência para a Inter e a ótima temporada que fez.
Na defesa, o técnico encontrou uma excelente opção: o jovem Andrea Ranocchia, que ganhou espaço também no seu clube, Internazionale, onde disputa espaço com zagueiros consagrados como Lúcio, Iván Córdoba e Walter Samuel. Ranocchia forma a zaga ao lado de um remanescente da Copa, Giorgio Chiellini, da Juventus.
Por sinal, Prandelli manteve uma boa parte dos jogadores que foram à Copa, tirando alguns dos veteranos e revitalizando a forma do time jogar. Andrea Pirlo, 32 anos, continua sendo uma figura importante na equipe, organizando o meio-campo. Ao seu lado, porém, agora está Claudio Marchisio, reserva na Copa, titular da Juventus no setor, e que tem se destacado, mesmo com muita concorrência no clube e na seleção.
O goleiro Gianluigi Buffon ainda é o dono da camisa 1, sendo um dos melhores na posição e o capitão do time. Nas laterais, Mattia Cassani e Christian Maggio se revezam na direita, enquanto Domenico Criscito e Federico Balzeretti fazem o mesmo na esquerda. Como opções na defesa, Prandelli trouxe Leonardo Bonucci, jogador de 24 anos da Juventus, que faz dupla com Chiellini nos bianconeri. Davide Astori, do Cagliari, outro jogador de24 anos, também tem sido convocado, embora tenha jogado apenas uma vez.
O meio-campo é, possivelmente, o setor com mais opções para Prandelli. Daniele De Rossi se mantém como titular, depois de ser sacado por episódios de indisciplina na Roma que respingaram na seleção. Riccardo Montolivo, reserva na Copa do Mundo, tem sido titular como articulador da equipe. Alberto Aquilani, que fez boa temporada na Juventus e agora defende o Milan, é outro que tem sido utilizado na função de armador. Antonio Nocerino, ex-Palermo e agora no Milan, é opção trazida por Prandelli.
O técnico recuperou outro jogador que parecia que não teria mais espaço na Azzurra: Sebastian Giovinco. O meia-atacante fez boa temporada pelo Parma, tornou-se o principal jogador do time e, na seleção, ganhou algumas chances vindo do banco de reservas. Correspondeu e se mantém firme no grupo.
Já o atacante Alessandro Matri, ex-Cagliari e agora na Juventus, também passou a fazer parte do grupo e pode ganhar mais chances de jogar. É um atacante promissor, com boa finalização e que não é imóvel no centro do ataque, podendo oferecer opções aos jogadores que se aproximam de trás.
Prandelli tem sido importante também com um outro jogador de ataque: Mario Balotelli. O polêmico atacante do Manchester City é um talento que tem futebol para ser até mesmo titular da equipe, mas que precisa ser trabalhado para não se perder pela indisciplina e temperamento explosivo e, muitas vezes, irresponsável. Neste trabalho, o técnico também tem se destacado e o atacante parece disposto a lutar por uma vaga no time, onde na maioria das vezes é reserva.
A mudança que o ex-treinador da Fiorentina levou à seleção passa por uma boa condução do vestiário e um estilo de jogo que privilegia a posse de bola, as jogadas trabalhadas. O time mantém o contra-ataque forte, mas essa não é a principal característica da equipe. Essda busca por um bom futebol é um dos pontos que mais se destaca na gestão de Prandelli e tem muito a ver com uma busca pelo futebol mais bonito, que se viu, por exemplo, no Milan de Massimiliano Allegri na temporada passada.
A Itália não está no nível da campeã do mundo, Espanha, nem da sensação europeia, a Alemanha, e ainda está atrás da vice-campeã mundial, a Holanda. Porém, já se vê um time montado, há jogadores de talento e a equipe é competitiva. A Azzurra deve chegar à Eurocopa na Ucrânia e Polônia como uma das favoritas à chegar à semifinal. Daí em diante, depende muito de como serão os confrontos. Comparado há um ano, a situação atual é muito mais animadora para os Azzurri.



