Tudo azul… e vermelho

É uma boa época para ser rossoblú na Itália. Não são apenas as cores das camisas que unem Genoa e Cagliari neste início de segundo turno na Série A. Superando as expectativas, os dois times têm acumulado bons resultados e já se permitem redimensionar suas expectativas.
O Genoa, que três anos atrás vivia o inferno da terceira divisão, hoje ocupa um belo quarto lugar na tabela. Com a vitória por 1 a 0 sobre o Palermo, no último domingo, completou dez rodadas sem perder – a última derrota foi em novembro, para a Juventus – e ainda preservou uma invencibilidade caseira que começou em maio do ano passado. O estádio Luigi Ferraris tem sido uma verdadeira fortaleza para os homens de Gian Piero Gasperini.
Com o retorno do ídolo Diego Milito no início da temporada e o ótimo desempenho do atacante argentino nos primeiros meses do campeonato, era natural que se ligasse a boa campanha dos Grifoni aos gols de “El Principe”. Mas há outras boas justificativas, o que ficou claro durante a ausência de Milito por lesão em janeiro.
É inquestionável a capacidade de Milito de fazer a diferença, mas o Genoa dificilmente ocuparia um lugar na zona de classificação para a Liga dos Campeões se não fosse por seu rendimento defensivo.
O time sofreu apenas 19 gols em 22 jogos – apenas a líder Internazionale, com 16, levou menos. A meta rossoblú só foi vencida cinco vezes durante os dez jogos da atual invencibilidade, e o goleiro Rubinho chegou a ficar 410 minutos sem levar gol.
Entre os méritos de Gasperini, destaca-se o bom uso do esquema 3-4-3, com Vanden Borre e Criscito funcionando bem nas alas do meio-campo. Os dois jogadores têm bom rendimento físico e boa disciplina tática, auxiliando a defesa quando a equipe está sem a posse da bola. A contratação de Thiago Motta, sobre quem pairavam muitas dúvidas por causa dos problemas físicos que enfrentou na Espanha, também merece elogios.
O Genoa evita falar abertamente em manter o quarto lugar e chegar à Liga dos Campeões, até porque Fiorentina e Roma estão dois e três pontos atrás, respectivamente, e são adversários mais fortes no papel. Por outro lado, a Juventus, terceira colocada, está somente três pontos acima.
A visita à Roma no próximo domingo será um bom termômetro sobre as possibilidades dos Grifoni. Se deixar o Olímpico com a invencibilidade mantida, não fará mal sonhar com uma inédita participação na LC.
Cagliari-show
Quatro vitórias consecutivas (e poderiam ser cinco, porque o empate ficou barato para a Inter em San Siro). Para lembrar a última vez que o Cagliari teve a mesma sequência na Série A é preciso voltar à temporada 1971/72, quando o time da Sardenha venceu Roma, Inter, Fiorentina e Vicenza.
Caso derrote a Atalanta na rodada deste fim de semana, o Cagliari terá igualado a sua maior série de vitórias na primeira divisão, alcançada justamente em 1969/70, temporada de seu único ‘scudetto’.
Obviamente, é impossível fazer qualquer comparação entre o time atual e aquele que tinha Gigi Riva e outros cinco vice-campeões mundiais pela Azzurra em 1970. No entanto, este Cagliari já projeta feitos bem mais expressivos do que a última boa geração que passou pelo clube, com o trio de ataque formado por Esposito, Langella e Suazo. Eles disputaram a Série A juntos entre 2004 e 2007, mas não passaram de um décimo lugar como melhor campanha.
Vencer a Juventus em Turim, algo que não conseguia desde 1968, mostrou que resultados como o empate com a Inter e a goleada sobre a Lazio em pleno Olímpico não foram por acaso. Serviu para coroar o bom trabalho desenvolvido pelo técnico Massimiliano Allegri, que sobreviveu a um início complicado, com derrotas nos cinco primeiros jogos. Agora, a direção do clube vê recompensada sua paciência com um treinador novato na Série A.
Allegri preza por um time objetivo, que busca sempre os passes na vertical e aproveita ao máximo os espaços deixados pelos adversários. Não é qualquer time que marca um gol de contra-ataque na casa da Juventus, ainda mais com os bianconeri em vantagem no placar. O treinador foi hábil em identificar como poderia explorar a defesa alta da Juve e ainda usou bem suas alterações – como prova o fato de o gol da vitória ter sido construído por Lazzari e Matri, dois jogadores saídos do banco de reservas.
O atacante brasileiro Jeda, que há vários anos roda por times italianos sem obter grande destaque, parece ter dado um salto de qualidade. Foi o principal nome do time contra a Lazio e voltou a brilhar diante da Juventus. Jeda tem a seu lado Robert Acquafresca, um dos melhores atacantes jovens da Série A, de propriedade da Inter. A dupla conta com o apoio de um meio-campo sólido, onde se destaca Daniele Conti, filho do campeão mundial em 1982 Bruno Conti.
O Cagliari já é o oitavo colocado e tem os mesmos 34 pontos do Napoli, sétimo. É difícil imaginar que o time não vá ultrapassar logo a marca de 40, considerada margem de segurança para escapar do rebaixamento. Portanto, o objetivo europeu está mais do que vivo. A Sardenha sonha com dias históricos como os vividos na Copa Uefa de 1993/94, quando o time eliminou a Juventus nas quartas-de-final antes de cair diante da Inter.
E fechou-se o mercado
Não é novidade que a janela de transferências tenha sido morna, até porque janeiro é uma época para reparos nos elencos, não para soluções definitivas.
A Inter conseguiu se desfazer de Ricardo Quaresma, a grande decepção da temporada, e espera que ele faça algo de bom no Chelsea. Se não for para voltar a Appiano Gentile na próxima temporada, que pelo menos seja vendido por um valor que permita recuperar boa parte do investimento.
Hernán Crespo acabou fora da lista para a Liga dos Campeões, dando lugar a Walter Samuel, que não disputou a fase de grupos porque estava em recuperação física.
Falando em lista, Beckham está incluído na relação do Milan para a Copa Uefa, ainda que o acordo com o Los Angeles Galaxy só permita que ele dispute os dois jogos contra o Werder Bremen.
Caso os rossoneri consigam um acordo para manter o meia inglês até o fim da temporada, o principal prejudicado será Ronaldinho, que começou os últimos quatro jogos na reserva. O irmão e procurador Roberto de Assis já pressiona o clube por explicações.
A verdade é que o Milan encontrou uma maneira de jogar com Beckham no meio-campo e, de quebra, ainda devolveu Kaká à posição na qual rende melhor. Não se trata de uma reprovação a Ronaldinho, simplesmente de achar a formação mais útil à equipe.
Na Roma, Christian Panucci caiu da lista para as oitavas-de-final da LC após seu desentendimento com Luciano Spalletti. Recebeu propostas de Hull-ING e Torino, mas não gostou de nenhuma. Permanece giallorosso e terá de se virar para reconquistar um lugar no time.



