Título é para os outros
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Não é segredo para ninguém que a Lazio, sem os meios financeiros de outros tempos, dificilmente voltará a ter um esquadrão capaz de disputar títulos. Foi-se o tempo em que o clube, anabolizado pelo dinheiro da Cirio, era capaz de reunir um elenco como aquele do último scudetto, em 1999/2000, que tinha Nedved, Verón, Stankovic, Salas, Mancini, Simeone, Nesta, Mihajlovic, entre outros.
Mesmo assim, no começo da atual temporada houve torcedores mais otimistas que acreditaram em uma Lazio capaz de lutar pela ponta da tabela. A liderança ocupada por várias rodadas, a solidez do time montado por Edy Reja e o excelente desempenho do recém-chegado Hernanes eram razões para acreditar, além do fato de a Inter dar sinais de que sua hegemonia não terá continuidade este ano.
As últimas semanas, no entanto, têm mostrado que os objetivos do time biancoceleste precisam ser mais realistas. Foram apenas duas vitórias em sete rodadas, e a derrota por 2 a 1 para a Juventus, em Turim, chegou de forma cruel, mas justificável pela superioridade do time da casa na partida.
A jogada decisiva, já nos acréscimos, expôs dois problemas da Lazio. Em primeiro lugar, a irregularidade de Muslera, que marcou um gol contra ao desviar o toque de Krasic que não tinha a meta como destino. Em segundo, a falta de opções no elenco. Sem o romeno Radu, jogou o inexperiente Cavanda, inadequado para a missão de marcar o melhor jogador juventino. O belgo-angolano levou a melhor em poucas situações, mas foi facilmente superado na maioria delas e no momento mais importante do jogo.
Muslera, segundos antes de errar diante de Krasic, havia feito uma defesa espetacular em cobrança de falta de Del Piero. O uruguaio de 24 anos, importante nas conquistas da Copa da Itália e da Supercopa em 2009, tem a preocupante característica de combinar intervenções difíceis e falhas simples. Razões que levam o clube a questionar se vale a pena negociar a renovação de seu contrato, que termina em junho de 2012.
Outro jogador com propensão à instabilidade é André Dias. O brasileiro, que começou a temporada em ótimo nível, vem caindo de rendimento e beirou o desastre contra a Juve. Se perdeu na marcação de Chiellini no primeiro gol bianconero, quase entregou um gol para Krasic ainda no primeiro tempo, e na segunda etapa ainda se enroscou com Del Piero em uma jogada que parecia qualquer coisa, menos futebol.
Hernanes também não teve uma de suas noites mais felizes. Foi escondendo-se aos poucos da partida, sucumbindo à boa marcação de Felipe Melo, e não conseguiu ter a habitual influência sobre o time. Como resultado, a bola raramente chegou limpa ao ataque. O Profeta teve um início arrasador, mas é necessário entender que um eventual declínio seria compreensível. Ele chegou com ritmo de jogo e uma condição física superior aos demais. Agora, está naquele que seria o fim de temporada pelo calendário brasileiro. A pausa de fim de ano deve ajudar a nivelar a situação no plano atlético.
Além do elenco curto em algumas posições, há ainda o problema da falta de um goleador nato, aquele que garante ao menos 20 gols na temporada. Após 16 rodadas, o artilheiro da equipe é Floccari, com apenas cinco gols.
A campanha laziale segue acima das expectativas, mas o discurso do título ficará para os outros. Proteger o lugar na zona de classificação para a Champions seria o ideal, mas os perseguidores (Palermo, Roma e até a Inter, caso se recupere) têm elencos mais qualificados para disputar as vagas. Terminar entre os quatro primeiros já poderia ser considerado um sucesso estrondoso.