Itália

Tevez garante que confusões são passado. Dá para confiar?

Carlos Tevez chegou a Juventus com expectativas bastante altas. É o atacante de primeiro nível que fez falta à Vecchia Signora em sua última campanha na Liga dos Campeões e que pode elevar ainda mais o nível do time de Antonio Conte. Não por menos, recebeu a camisa 10 dos bianconeri, sem dono desde a saída de Alessandro Del Piero em 2012. Sinal do moral e da responsabilidade carregados pelo argentino.

E o discurso de Tevez vai de encontro ao que a torcida da Juve mais quer ouvir: que seu passado de encrencas ficou para trás. Dá para acreditar? “Eu simplesmente sou honesto. No começo da minha carreira na Inglaterra, costumava ser cabeça-quente. Se o treinador me substituía, eu ia insultá-lo. Hoje não sou mais assim, aprendi como me comportar”, declarou o atacante, em entrevista ao Tuttosport.

Tevez aproveitou a ocasião para explicar a briga com Roberto Mancini no fim de 2011, que o deixou afastado do Manchester City por seis meses e quase marcou sua saída do clube: “Na televisão, pareceu muito pior do que foi. Quando o técnico decidiu tirar Dzeko e colocar um defensor, eu fiquei chateado e fui sentar no banco de reservas. Porém, quem estava realmente irritado naquele momento era Dzeko, que começou a insultar Mancini em bósnio e o técnico começou a responder em italiano. Foi uma cena surreal”.

“Eu estava conversando com Pablo Zabaleta quando Mancini se virou e me viu sentando. Ele estava furioso por causa da briga com Dzeko e descontou em mim. Meu relacionamento com Mancini nem sempre foi o ideal, mas sempre existiu um grande respeito entre nós”, completou o atacante. Na ocasião, a história que se tornou pública foi a de que Tevez se recusou a entrar em campo no segundo tempo da partida contra o Bayern Munique, pela Liga dos Campeões.

Inocente ou não nesse caso, Tevez precisa provar a mudança em suas atitudes, não apenas em palavras. A imprensa italiana cuida menos da vida pessoal dos atletas do que a inglesa, o que pode ajudá-lo. Marcar gols para deixar de lado as polêmicas também pode ser essencial. E isso o argentino sabe fazer muito bem.

Reabilitado? Relembre as maiores polêmicas da carreira de Tevez:

Junho de 2004: O atacante do Boca Juniors marca gol contra o River Plate na semifinal da Libertadores e é expulso por provocar a torcida rival

Outubro de 2004: Quando tentava forçar sua saída do Boca Juniors, abandonou o clube em crise para uma folga com a namorada em Búzios, no Rio de Janeiro

Abril de 2005: Tevez se desentende com o zagueiro Marquinhos em treino do Corinthians e troca socos com o companheiro

Julho de 2006: O time do Corinthians é vaiado em jogo contra o Fortaleza e, após marcar, Tevez pede silêncio. Na saída do estádio, o carro do jogador é chutado por torcedores

Agosto de 2006: Perde a braçadeira de capitão do Corinthians após a chegada de Leão. O treinador defendia um líder que “pudesse ser entendido” pelos companheiros

Novembro de 2009: Compra outdoor feito por torcedores do Manchester City para provocar o Manchester United após sua transferência

Fevereiro de 2010: Apoia Wayne Bridge na briga extraconjugal com John Terry ao exibir uma camisa “Team Bridge”, em jogo contra o Chelsea

Setembro de 2011: Recusa-se a entrar em campo em partida contra o Bayern Munique e é afastado do elenco por Roberto Mancini

Novembro de 2011: Frequentes viagens para a Argentina sem permissão irritam o City e rendem multas ao jogador

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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