Itália

‘Ele tem a melhor visão de futebol que já vi. Acho que será um técnico de altíssimo nível’

Entre elogios de Terry e sonho de Hazard, espanhol ganha força como um dos técnicos mais promissores da nova geração

A trajetória recente de Cesc Fàbregas como treinador começa a chamar atenção não somente pelos resultados, mas pela impressão deixada em quem o conhece de perto. À frente do Como, o ex-meio-campista dá os primeiros passos no banco com uma naturalidade que remete à forma como sempre pensou o jogo dentro de campo: leitura apurada, controle dos tempos e entendimento profundo dos espaços.

Essa percepção não surge do acaso nem é restrita ao ambiente italiano. Ex-companheiros de alto nível, que conviveram com Fàbregas em vestiários vencedores, acompanham de perto essa transição e enxergam nela um potencial raro.

Entre eles está John Terry, capitão e ídolo histórico do Chelsea, que dividiu campo com o espanhol entre 2014 e 2017 e conhece como poucos a exigência necessária para prosperar no topo do futebol europeu.

— Ele tem a melhor visão de futebol que já vi. A maneira como ele entende o futebol, e não é coincidência que ele esteja se saindo tão bem no Como.

A avaliação de Terry vai além do elogio circunstancial e toca em um ponto mais profundo: a capacidade de Fàbregas de traduzir ideias complexas em prática cotidiana. No Como, esse entendimento tem se refletido em organização, clareza de proposta e respostas rápidas aos desafios do jogo — sinais de um treinador que ainda está no início da caminhada, mas já demonstra segurança conceitual e ambição compatível com palcos maiores.

— Acho que ele vai ser um treinador de altíssimo nível e, um dia, vai comandar um Chelsea ou um Arsenal no mais alto nível — concluiu.

Hazard sonha em ver Fàbregas no comando do Chelsea

Hazard e Fàbregas nos tempos de Chelsea
Hazard e Fàbregas nos tempos de Chelsea (Foto: Imago)

O entusiasmo em torno do futuro de Fàbregas no banco não se limita a ex-defensores ou líderes de vestiário. Quem também enxerga no espanhol um treinador destinado a voos altos é Eden Hazard, outro personagem central da era mais vitoriosa do Chelsea e que mantém contato frequente com o antigo companheiro.

A possibilidade de um retorno a Stamford Bridge, ainda que projetada para o futuro, já circula no imaginário de quem viveu de perto o impacto de Fàbregas dentro dos Blues. Hazard admite que o tema surgiu de forma direta em conversas no último verão. Entre lembranças e projeções, deixou claro ao ex-meia o quanto acredita que sua leitura de jogo pode ser transferida ao mais alto nível do banco de reservas.

Para o belga, a combinação entre conhecimento profundo do clube, paixão pelo futebol e capacidade intelectual faz de Fàbregas um nome “destinado” a se tornar um dos grandes treinadores da próxima geração.

— Serei honesto, no verão conversamos um pouco. Eu disse a ele que ele era um dos melhores meio-campistas da história e que também estava destinado a se tornar um dos melhores treinadores — afirmou em entrevista ao “Gazzetta dello Sport”.

A convicção de Hazard também passa pelo que Fàbregas já começa a construir na Itália. O trabalho no Como, iniciado em 2024, rapidamente ganhou solidez e resultados: depois de um décimo lugar na temporada passada, a equipe hoje briga na parte alta da Serie A (sexta colocação), flertando com vagas europeias.

Como torcedor declarado do Chelsea, o belga não esconde o desejo de ver esse caminho, um dia, levá-lo de volta ao oeste de Londres. Em tom quase confessional, admite que sonha em assistir das arquibancadas a um velho parceiro comandando o clube que marcou sua carreira.

— Expliquei a ele que chegou a hora de ele voltar ao Chelsea e ele brincou sobre isso, mas eu realmente acredito. Sou torcedor do Chelsea e quero o melhor para o clube. É por isso que sonho ver o Cesc no banco deles, enquanto ficarei na arquibancada atrás dele, curtindo o show.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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