Itália

Técnico ganha jogo

José Mourinho não precisou de muito esforço para entender a importância de um jogo entre Internazionale e Juventus. Uma rivalidade que ganhou nova dimensão nos últimos anos, com o escândalo que rebaixou a Juve para a Série B e criou o cenário ideal para a Inter dominar o futebol no país. Mas que já era forte antes disso, com episódios como o pênalti não marcado de Iuliano sobre Ronaldo em 1998, quando os dois times lutavam ponto a ponto pelo ‘scudetto’. Não por acaso é o “derby d’Italia”, que reunia, pré-Calciocaos, as duas únicas equipes que nunca haviam caído para a segunda divisão.

Mourinho percebeu, portanto, que os três pontos contra a Juventus teriam um peso muito maior do que os conquistados na rodada anterior, diante do Palermo. Não apenas por se tratar de um rival direto na disputa pelo título, mas também por causa da forte carga simbólica do resultado. Vale lembrar que a última vitória da Inter sobre a Juve em San Siro havia sido em 2004, por 3 a 2, ainda com Alberto Zaccheroni no comando. E que, na temporada passada, a Vecchia Signora foi ao Giuseppe Meazza e venceu por 2 a 1.

Para estudar a Juventus, Mourinho assistiu três vezes ao teipe da partida de março deste ano, e, segundo disse à imprensa, a sete partidas do time de Claudio Ranieri na atual temporada. Quando se esperava que seria uma semana de repercussão das antigas polêmicas entre Mourinho e Ranieri, elas ficaram de lado. Seria um jogo a vencer pela tática – e quando esse é o tema, o português se mostra claramente superior ao juventino.

A vitória da Inter por 1 a 0 no último sábado fez mais do que provar a força dos ‘nerazzurri’ na corrida pelo título. Redimensionou a Juventus, que vinha embalada por sete vitórias consecutivas, sendo cinco no campeonato, como uma equipe que ainda precisa dar um salto de qualidade para disputar o primeiro lugar.

Desde que chegou à Inter, Mourinho nunca escondeu sua preferência pelo esquema 4-3-3, com dois pontas bem abertos no ataque, mas capazes de recompor a marcação sem a bola, como seu vitorioso Chelsea. Até por isso, fez tanta questão das contratações de Quaresma e Mancini. Mas a irregularidade do brasileiro e a seqüência de más atuações do português fez com que tudo fosse por água abaixo.

Assim, enquanto não acha uma forma de fazer seu time encaixar da maneira que mais gosta, o ‘Special One’ optou por fazer algo não tão especial, mas eficiente: promover um retorno ao 4-3-1-2 muito utilizado por seu antecessor, Roberto Mancini, com Stankovic fazendo a ligação entre meio-campo e ataque.

A volta de Adriano à lista de relacionados já era algo esperado, mas sua escalação como titular pegou muita gente de surpresa. O brasileiro, que tinha a motivação de justificar o enésimo perdão por atos de indisciplina, era visto pelo técnico de Setúbal como o atacante ideal para o duelo físico com Legrottaglie e Chiellini. Aposta acertada: no lance que decidiu a partida, Adriano chama a marcação de dois adversários na área e deixa espaço para Ibrahimovic disparar o chute que Muntari desviou para as redes.

‘Ibra’ não esteve em sua melhor noite, falhando em ocasiões de gol que não costuma desperdiçar. Até mesmo o gol se originou de uma finalização torta do sueco. Mas o sucesso da Inter sobre a Juventus se explica mais pelo trabalho defensivo do que pelo ofensivo.

Materazzi, e não Burdisso, começou jogando ao lado de Samuel na zaga, substituindo o suspenso Córdoba. Graças ao trabalho dos zagueiros interistas, Amauri praticamente não pegou na bola. É verdade, também, que ele foi pouco acionado, porque as chegadas de Nedved, pela esquerda, e Marchionni, pela direita, eram escassas.

Vieira foi o sacrificado para que Mourinho montasse seu trio de volantes com Zanetti, pela direita, Cambiasso, no centro, e Muntari, pela esquerda. Zanetti teve papel decisivo ao limitar os espaços de Nedved quando Maicon subia ao ataque – e, por precaução, o brasileiro o fez menos que de costume.

É preciso lembrar que a Juventus sofreu uma baixa importante logo no início da partida, com a lesão de Tiago. Marchisio o substituiu dignamente, mas não tem a mesma característica do português de dar passes em vertical e criar espaços para os homens de frente. De qualquer forma, Ranieri não ousou o suficiente nas duas alterações que lhe restaram: trocou seis por meia-dúzia, tanto na entrada de Camoranesi por Marchionni quanto na de Iaquinta por Amauri.

A Inter terminou a rodada com três pontos de vantagem, e já enfrentou Milan, Juventus, Roma e Fiorentina no primeiro turno. Duas semanas atrás, a distância para o oitavo colocado era de quatro pontos. Agora, já é de nove. A Inter já esboça uma fuga – e se ela escapar, dificilmente se complicará como no fim da temporada passada.

Milan, o mesmo pecado

O Milan não perde há 15 partidas oficiais, sendo 13 pela Série A. No entanto, os pontos que tem deixado pelo caminho quando atua longe de San Siro podem ser muito lamentado no fim das contas. Depois de empatar sem gols com o Cagliari, deixou escapar vitórias nas visitas a Lecce e Torino, em jogos que deveria ter matado antes. Mesmo que descontado o tropeço na Sardenha, os quatro pontos desperdiçados nas duas últimas viagens teriam deixado o time de Carlo Ancelotti à frente da Inter na tabela.

Diante do Torino, o Milan fez um bom trabalho ao virar o jogo ainda no primeiro tempo, no gol de Pato após passe de Gattuso e na bela cobrança de falta de Ronaldinho. No entanto, foi lento e previsível na segunda parte, com Pirlo sem ritmo e Seedorf em noite ruim. Se o time não mostrava forças para fazer o terceiro gol, melhor teria sido reforçar a marcação no meio-campo com a entrada de Flamini no lugar de um dos homens de frente.

É necessário dizer que o gol de empate do Torino saiu de um pênalti mal assinalado – a bola toca na coxa de Kaladze e acidentalmente em seu braço. No primeiro tempo, o árbitro Stefano Farina não havia marcado penalidade do ‘granata’ Pratali, que com o braço estendido cortou um cruzamento de Ronaldinho. Logo, houve incoerência entre as interpretações.

Ainda assim, seria exagerado atribuir apenas à arbitragem o resultado dos ‘rossoneri’ em Turim, da mesma forma que seria exagerado dizer que os árbitros foram os principais responsáveis pelas vitórias do Milan em casa quando foram marcados pênaltis questionáveis a favor da equipe.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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