Itália

Suor, sacrifício e Ibra

A vitória por 1 a 0 do Milan sobre a Internazionale no último domingo encerrou uma sequência de três derrotas consecutivas no dérbi e ainda impôs aos nerazzurri o primeiro revés caseiro pela Serie A desde 23 de março de 2008. Mais importante do que isso, serviu para mostrar que bastava uma mudança de postura em campo e um maior sacrifício dos jogadores para que o time de Massimiliano Allegri demonstrasse qualidades de favorito ao título.

Na semana passada, já havíamos debatido sobre como as dificuldades da Inter faziam da disputa pelo scudetto a mais aberta dos últimos anos. No fim de agosto, quando o Milan contratou Zlatan Ibrahimovic, havia o consenso de que a chegada do sueco fazia dos rossoneri, na pior das hipóteses, o principal adversário na corrida pelo primeiro lugar. Hoje, o momento milanista é melhor, e muito se deve ao fato de ter aprendido a jogar sem a bola e, com ela, atuar em função do talento de Ibra.

Por mais dura que fosse a decisão de deixar Ronaldinho de fora, Allegri não tinha outra opção se quisesse acertar o time. O brasileiro, assim como Pato (ou Robinho) e Ibrahimovic tem muita dificuldade em ser útil ao trabalho defensivo. Com três homens que não colaboram atrás, recuperar a posse de bola torna-se um trabalho complicado. Há apenas duas semanas este colunista comentava a respeito deste problema tático, após a derrota do Milan em casa para a Juventus, que colocava pressão sobre o trabalho de Allegri. Por mais que Silvio Berlusconi seja um fã do futebol espetáculo, até mesmo o dono do clube deve admitir que neste momento a equipe rende muito mais com um esquema concreto.

O novo 4-3-1-2 com Seedorf na ligação fez com que as perdas de Pato até 2011 e de Inzaghi até o fim da temporada fossem pouco sentidas no dérbi, já que Robinho fez bem, pelo menos no primeiro tempo, o trabalho de apoio a Ibrahimovic no ataque.

Muito motivado contra o ex-clube, o sueco desta vez rechaçou a ideia de que desaparece nos jogos grandes. Entrou muito ligado desde o primeiro minuto e logo de cara sofreu um pênalti do enferrujado Materazzi. Marcou e fez questão de comemorar diante dos antigos torcedores. Ainda no primeiro tempo, chegou perto de marcar com um voleio digno de Van Basten.

A saída forçada de Obi – mais um da infinita lista de lesionados da Inter – e a entrada de Philippe Coutinho deram um pouco mais de peso ofensivo aos nerazzurri, que repetiam o script da temporada até aqui: pouca organização, nenhuma lucidez, pouca velocidade e total dependência do futebol de Eto’o. O duelo do camaronês com Abate foi o único ponto da partida em que a Inter se sobressaiu.

É verdade que a partida poderia ter outra cara se Gattuso recebesse o cartão vermelho que deveria receber ainda no primeiro tempo, quando abusou das faltas duras mesmo estando amarelado. Allegri, percebendo o risco que corria o camisa 8, o substituiu por Pirlo no intervalo. Mas o Milan perderia um jogador aos 16 do segundo tempo, quando Abate caiu ingenuamente na provocação de Pandev. Desta vez, correta decisão do árbitro Tagliavento, que mostrou amarelo a ambos e expulsou o rossonero, que já tinha amarelo.

Foi com um homem a menos que o Milan teve de mostrar o espírito de sacrifício necessário aos times campeões. Com a saída de Robinho para a entrada de Antonini, o time se recompôs em um 4-4-1, que criou um verdadeiro muro defensivo à frente do ataque interista. Destaque para a segurança da dupla Nesta-Thiago Silva, que mostra sua importância quando está em campo e quando não está, pela falta de reposição à altura no elenco.

Neste momento, prescindir de jogadores mais habilidosos com a bola, mas menos físicos, como Pirlo e Ronaldinho, é uma necessidade. As fichas estão em Ibrahimovic, que já foi definido por Arrigo Sacchi como um “solista”. Neste caso, um solista que ajuda uma orquestra de operários a render mais. Tapetões à parte, o sueco foi campeão em todas as suas temporadas na Itália, pela Juventus e pela Inter. Não será surpresa se acrescentar mais um scudetto à coleção.

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Equipe Trivela

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