Itália

Subam os gols

Caro leitor, fique à vontade para dar um Google antes de tentar responder: quais são os três jogadores italianos com menos de 25 anos que mais marcaram gols na atual temporada da Serie A? É mais rápido encontrar as três cidades mais populosas da Síria, pode acreditar. Acertou quem escolheu Borini (Roma, 9 gols), Destro (Siena, 8) e Paloschi (Chievo, 5). Isso mesmo, completa o pódio um atleta que fez só cinco golzinhos durante longas 32 rodadas.

Está mais fácil encontrar jovens goleadores na segundona. Os três artilheiros da Serie B são promissores atletas italianos em rampa de lançamento, contrariando o histórico do campeonato. Ciro Immobile (Pescara, 23 gols) lidera a corrida pela chuteira de ouro e, se mantiver o ritmo, se tornará o artilheiro da segunda divisão mais jovem desde Marco Di Vaio. Em 1997-98, Di Vaio marcou 21 vezes pela Salernitana. Desde então, só jogadores com mais de 25 anos atingem o feito.

Quem completa o pódio dos artilheiros da segundona também são “goleadores sub-25”: Marco Sau (Juve Stabia, 21 gols) e Gianluca Sansone (Sassuolo, 18). Ao lado de Immobile, eles representam a esperança de gols em um futuro próximo na primeira divisão. Os três estão ligados a clubes da Serie A. Os direitos econômicos de Immobile são divididos entre Genoa e Juventus. Sau pertence ao Cagliari e despertou o interesse de Milan e Roma. O Siena tem 50% do passe de Sansone, que tem sido observado por Atalanta, Fiorentina e Parma.

Não é impossível que vejamos os três já na próxima temporada da Serie A. As equipes que abrirem os braços farão sua parte na tentativa de renovação dos artilheiros do Belpaese. Entre os dez atletas que mais marcaram gols na atual temporada, só três são italianos. É a pior marca da história do campeonato e uma mudança muito grande em relação a 2006-07. Há cinco anos, oito dos dez artilheiros eram italianos. Até Amoruso, Spinesi e Riganò ficaram na frente de Crespo, Gilardino e Ibrahimovic.

Os três maiores goleadores italianos da temporada se encaixam no mesmo perfil: veteranos em fim de carreira. O mais jovem do turma é Fabrizio Miccoli (Palermo, 32 anos, 12 gols). O mais prolífico, Di Natale (Udinese, 34 anos, 20 gols), afirmou no início da semana que considera a hipótese de se aposentar em maio. O mais experiente, Di Michele (Lecce, 36 anos, 11 gols), já havia cogitado pendurar as chuteiras antes de a temporada começar.

A última geração de artilheiros italianos está com os dias contados. Lembra-se de Di Vaio, citado lá no início do texto? O jovem marcador da Salernitana no fim dos anos 80 agora tem 35 anos e faz sua pior temporada desde que chegou ao Bologna. São “apenas” dez gols até agora, mas já é o suficiente para colocá-lo entre aqueles que continuam com o pé calibrado. Totti (Roma, 35 anos), Rocchi (Lazio, 34) e Gilardino (Genoa, 29) só marcaram cinco vezes, cada. Del Piero (Juventus, 37) tem dois golzinhos no torneio. Inzaghi (Milan, 38) e Lucarelli (Napoli, 36) nem jogando estão.

Até pouco tempo atrás, era preciso ter coragem para dar chance a promessas nos grandes times italianos. A situação mudou. Com a falta de dinheiro e a menor competitividade no cenário europeu, os jovens precisam ganhar espaço e os rumores de mercado apontam para esse lado. Outros atletas que marcaram mais de dez gols na atual Serie B também devem pintar na primeira divisão em breve. O habilidoso armador Insigne (Pescara) e o técnico meia Florenzi (Crotone) devem voltar a seus clubes – Napoli e Roma, respectivamente – e o centroavante Dionisi (Livorno) tende a aparecer em algum clube menor da Serie A.

Além das transferências, será importante que ganhem oportunidades reais. Borini e Destro, por exemplo, têm jogado mais do que era esperado no início da temporada e logo mostraram que devem vingar rapidamente. El Shaarawy, no Milan, também superou as expectativas. Paloschi, no Chievo, e Gabbiadini, na Atalanta, têm deixado na torcida aquele tal gostinho de “quero mais”. E é importante mesmo que se queira. É mais fácil e barato apostar em um deles do que em Bojans que costumam aparecer por aí.

Pallonetto

 

– O futebol italiano continua de luto após a morte de Morosini, meia da Udinese emprestado ao Livorno. Ele sofreu uma parada cardíaca no último sábado, em partida contra o Pescara, e acabou morrendo no hospital. Não era um craque, mas tinha apenas boas referências.

– A ação mais bonita foi a do artilheiro Di Natale, ídolo da Udinese, que pediu a custódia da irmã de Morosini, que possui paralisia cerebral. A moça não possui familiares: os pais e os dois irmãos já morreram. Morosini passou dois anos e meio na Udinese.

– A 33ª rodada do último fim de semana será disputada no próximo dia 25. Os clubes decidiram que seria meio idiota adiar outras rodadas para manter a sequência dos confrontos e ganharam a queda de braço com a liga.

– Giuseppe Rossi vinha se recuperando bem de uma lesão no joelho direito. Depois de passar seis meses de molho, voltaria semana que vem. Aí rompeu outro ligamento no mesmo joelho, durante um treinamento no Villarreal. Resultado: só deve voltar no fim do ano. Baixa importante para a Itália, na Eurocopa.

– Seleção Trivela da 32ª rodada: Viviano (Palermo); Jonathan (Parma), Nesta (Milan), Zaccardo (Parma), Zanetti (Inter); Bonaventura (Atalanta), Muntari (Milan), Pirlo (Juventus); Maxi Moralez (Atalanta), Milito (Inter) e Del Piero (Juventus).

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Equipe Trivela

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