Itália

Sorte ou revés

Se a Internazionale estivesse jogando Banco Imobiliário, sentiria que as cartas de “revés” começaram a sair uma atrás da outra na última semana. Primeiro foi a notícia de que Maicon havia se lesionado com a Seleção Brasileira, provavelmente encerrando de forma prematura sua temporada.

Depois, veio a ausência de Adriano na reapresentação, seguida pelas informações de que seu paradeiro era desconhecido. Que Adriano já deixou de se comportar como um profissional há tempos e que não tem futuro na Inter é um fato conhecido de todos, mas ainda assim as reações em Appiano Gentile, mostrando preocupação com a situação pessoal do atacante brasileiro, pareceram sinceras. Enfim, nada que fizesse bem ao ambiente.

Veio a rodada do fim de semana, e a Juventus jogaria antes contra o Chievo, no Olímpico de Turim. Os clivensi estiveram por duas vezes em vantagem, mas permitiram a virada da Vecchia Signora, que ficaria a quatro pontos da liderança antes de a Inter entrar em campo contra a Udinese no estádio Friuli. Então, os nerazzurri tiraram a primeira carta de “sorte”. Já nos acréscimos, Pellissier (revelado na base do Torino) marcou seu terceiro gol na partida e decretou o empate por 3 a 3, tirando pontos valiosos da turma de Claudio Ranieri.

A vitória por 1 a 0 da Inter sobre a Udinese não deve ser atribuída a nada além da sorte, considerando a dinâmica do gol contra de Isla no segundo tempo. Uma bola já perdida por Vieira na área bateu acidentalmente no pé do defensor friulano e foi morrer nas redes. O empate parecia o resultado mais justo, e se alguém fez o suficiente para vencer, foi o time da casa.

A ausência de Maicon se fez notar. Santon, na direita, não repetiu as atuações que vinha tendo na esquerda, apesar de ser sua posição de origem. Maxwell, fora de ritmo, também esteve mal. As investidas de Floro Flores e Pepe pelos lados limitaram os movimentos ofensivos dos dois laterais interistas, e a pouca inspiração do meio-campo colaborou para que a criação de jogadas fosse quase nula durante os 90 minutos.

Não foi apenas o gol que mostrou a sorte virando a favor da Inter. Também houve um lance bastante duvidoso de Júlio César com Quagliarella, no qual poderia tranquilamente ter sido assinalado pênalti – mas não foi. O incidente gerou um curioso bate-papo do atacante da Udinese com José Mourinho na beira do campo, que começou com o técnico português acusando o adversário de simulação e terminou com elogios rasgados e uma declaração de interesse. “Depois do jogo, ele veio ao nosso vestiário trocar uma camisa e disse que ele poderia ficar, se quisesse”, revelou Mourinho.

Quagliarella seria, de fato, muito bem vindo ao time da Inter, que continua extremamente dependente das atuações de Ibrahimovic. Quando o sueco vai mal, como foi o caso em Údine, toda a equipe sente. Passadas 30 rodadas, é possível dizer que não se viu em momento algum a versatilidade tática que se esperava de Mourinho. Após o fracasso do 4-3-3 que tentou aplicar, por causa das dificuldades de Quaresma e Mancini, o treinador de Setúbal simplesmente reverteu ao esquema adotado por Roberto Mancini e nele ficou.

De qualquer forma, é possível dizer que a Inter não deixará escapar este título. Nove pontos faltando oito jogos, ainda que haja um confronto direto daqui a duas rodadas, representam uma vantagem complicada, especialmente porque a Juventus dificilmente terá um aproveitamento perfeito até o fim. Apostas na Inter como campeã já não são mais permitidas nas casas especializadas.

Assim, mesmo sem brilhantismo, os nerazzurri caminham para igualar os 17 títulos do Milan na história e os quatro consecutivos do Grande Torino. Para alcançar um feito do tipo, não basta depender da sorte o tempo todo. Mas é fundamental que ela se manifeste em momentos cruciais como no último domingo.

Um título perdido em casa

A Juventus poderia estar à frente da Inter, ou pelo menos mais próxima, se aproveitasse melhor as partidas em casa contra adversários médio-pequenos. Foram doze pontos perdidos em pleno Olímpico nestas ocasiões.

Confira:

Juventus 1×1 Catania, 4ª rodada
Juventus 1×2 Palermo, 6ª rodada
Juventus 2×3 Cagliari, 22ª rodada
Juventus 1×1 Sampdoria, 24ª rodada
Juventus 3×3 Chievo, 30ª rodada

O time escalado por Ranieri contra o Chievo pecava pela debilidade no meio-campo. Tiago nunca foi um exímio marcador, e Giovinco, jogando pela meia-esquerda, mostrou porque sua posição ideal é a de segundo atacante, até pela óbvia limitação física.

A fase crucial da temporada chega agora para a Juve, que tem um compromisso difícil fora de casa contra o Genoa antes do duelo direto com a Inter em Turim. Logo em seguida, o jogo de volta contra a Lazio pela semifinal da Copa da Itália, próxima de se tornar a única esperança de título para os bianconeri.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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