Itália

Sobe! Desce!

A cena tem se repetido com frequência. O técnico Massimiliano Allegri manda Ronaldinho tirar o agasalho e entrar em campo quando a partida já está quase no fim. O camisa 80 já não é titular da equipe há algum tempo – e sua ausência do onze inicial é apontada como uma das razões para a ascensão que levou os rossoneri à ponta da tabela da Serie A.

No entanto, o fato de Ronaldinho ser colocado em campo por pouquíssimos minutos, como aconteceu no empate por 1 a 1 contra a Sampdoria, sábado passado, começa a soar como provocação do treinador, que recentemente foi a público contestar as saídas noturnas do brasileiro.

Nas últimas seis partidas, contando campeonato e Liga dos Campeões, Ronaldinho atuou por apenas 19 minutos. Em três ocasiões (Bari, Palermo e o dérbi com a Internazionale) nem saiu do banco de reservas. Contra o Auxerre, entrou aos 40 do segundo tempo e ainda conseguiu marcar o gol que selou a vitória por 2 a 0, mas nem isso convenceu Allegri a pelo menos lhe dar mais minutos no jogo seguinte.

O técnico argumenta que não quer correr riscos de romper o evidente equilíbrio encontrado pelo time nas últimas semanas, e garante que pensa apenas no melhor para o time ao decidir quando Ronaldinho entra em campo. De qualquer forma, é compreensível que o meia-atacante se sinta desrespeitado por repetidamente entrar para fatias minúsculas de jogo.

Apesar de ele não reclamar publicamente, é seguro dizer que a relação com Allegri não é das melhores, e que sua saída no fim da temporada se torna cada vez mais certa, até porque termina o contrato e os indícios de renovação têm desaparecido. Mas eles terão de conviver até o fim da temporada, e é necessário encontrar uma maneira para que Ronaldinho seja útil, especialmente em um momento em que as ausências de Pato e Inzaghi limitam as opções.

Em tese, Ronaldinho hoje é o reserva de Seedorf, mas também seria a primeira opção na hipótese de ausência de Ibrahimovic ou Robinho, pelo menos até janeiro, quando um novo atacante de referência deve chegar (fala-se no bom Matri, do Cagliari, revelado no próprio Milan). É difícil o sueco ficar de fora, já que Allegri parece relutar em poupá-lo (compreensível, já que normalmente as vitórias saem de seus pés). Então, sobraria a disputa com Robinho pelo posto de segundo atacante.

Nessa briga, Robinho lidera por larga margem. O gol marcado contra a Samp selou a evolução demonstrada nos últimos jogos pelo Milan, desde que se tornou titular com a contusão que deixará Pato afastado até 2011. Cada vez mais Robinho vai se afastando da imagem do jogador que decepcionou em suas experiências anteriores na Europa e mostrando sua capacidade para fazer a diferença.

O bom momento de Robinho coincide com o aprimoramento de sua forma física, que era muito ruim no início de setembro, quando chegou ao clube. O preparador físico Daniele Tognaccini, que foi o primeiro a admitir que o brasileiro não tinha pernas para uma partida inteira, conduziu um trabalho voltado para força, resistência e velocidade. Durante a pausa de ano novo, quando o Milan vai para Dubai, a ideia é trabalhar na explosão.

Robinho tem ainda mostrado disposição em colaborar com o trabalho defensivo, outra das razões para Ronaldinho seguir fora do time. Mantendo a forma dos últimos jogos, poderá até deixar Allegri na dúvida quando tiver Pato à disposição – ou levar o técnico a cogitar a volta do esquema com três atacantes, desta vez em um time mais equilibrado taticamente.

O desafio para Robinho é manter a serenidade e a postura profissional que tem sido elogiada nos treinamentos. Seu talento com a bola nos pés nunca foi questionado, e sim a instabilidade mental que ficou clara tanto no Real Madrid, quanto no Manchester City. Talvez seja o sentimento de “última chance” a provocar a mudança de postura. Bem-vinda seja. E que dure.

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Equipe Trivela

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