Itália

Sete passos para a glória

O colunista prometeu resistir à tentação de fazer a alusão óbvia ao fato de a Cidade Eterna ter visto o campeonato pegar fogo no último sábado. Sendo assim, melhor dizer que a corrida pelo scudetto será definida cabeça a cabeça, depois de a Roma vencer a Inter por 2 a 1 e reduzir apenas a um ponto sua desvantagem. O drama só não é maior porque o Milan fracassou novamente, tropeçando em casa na Lazio e ficando no empate por 1 a 1. Mas com os rossoneri a apenas três pontos da líder, não dá para dizer que estão fora da briga.

Restando sete rodadas para o fim da Serie A, são muitos os fatores que podem incidir na disputa. Procuramos analisá-los separadamente, para entender de que lado está a vantagem na corrida.

Elenco

Avaliando a qualidade individual dos jogadores e o número de opções à disposição dos técnicos, a Inter leva vantagem. O peso de eventuais desfalques costuma ser menor sobre o time de José Mourinho do que para Claudio Ranieri, na Roma, ou Leonardo, no Milan.

No decorrer de uma partida, o português pode olhar para o banco de reservas com tranquilidade, sabendo que há jogadores capazes de entrar e mudar o rumo da partida.

Como a Inter está viva em três competições na temporada, essa miríade de bons jogadores será fundamental nas rodadas finais, especialmente se o time conseguir chegar mais longe na Liga dos Campeões. Portanto, ponto para os nerazzurri.

Moral

Apesar de a Inter estar na liderança, nas últimas nove rodadas o time conquistou apenas duas vitórias. A sensação de que um título que já foi considerado quase ganho pode escapar deve aumentar a pressão pelos lados de Appiano Gentile.

O Milan deve sentir o peso de quem teve por diversas vezes a faca e o queijo na mão, mas deixou cair. O ponto mais significativo foi a partida contra o Napoli, quando havia a possibilidade matemática de superar a Inter e assumir a liderança. O empate por 1 a 1 acabou frustrando os rossoneri, que depois disso perderam para o Parma fora de casa e voltaram a empatar em San Siro, desta vez com a Lazio.

Na Roma, ao contrário, a confiança não poderia estar mais em alta. A vitória diante da Inter levou a 21 jogos a série invicta da equipe na Serie A, com 16 vitórias e cinco empates no período. A equipe parecia desacreditada após um começo difícil, mas o ótimo trabalho de recuperação conduzido por Ranieri fez a parte giallorossa da capital voltar a sonhar alto. Vantagem Roma.

Tabela

Inter (63 pontos)
Bologna (c), Fiorentina (f), Juventus (c), Atalanta (c), Lazio (f), Chievo (c), Siena (f)

Entre os três postulantes, a Inter é a única que faz quatro jogos como mandante. A Juventus é a rival mais complicada no papel, mas é difícil imaginar a Vecchia Signora, com o futebol que tem apresentado, tirando pontos da Inter em Milão. O jogo mais complicado parece ser a visita à imprevisível Fiorentina, apesar do compromisso com uma Lazio potencialmente desesperada exigir atenção.

A última rodada será contra o Siena, de boas lembranças – contra o mesmo adversário os nerazzurri conquistaram o título em 2007, com Roberto Mancini, e comemoraram no ano passado, com Mourinho, após garantir o scudetto na véspera sem entrar em campo.

Roma (62 pontos)
Bari (f), Atalanta (c), Lazio (f), Sampdoria (c), Parma (f), Cagliari (c), Chievo (f)

A dificuldade da tabela da Roma não está muito distante da que tem a Inter. A diferença está no dérbi contra a Lazio, um jogo em que o momento das duas equipes costuma fazer pouca diferença. Nas três últimas rodadas, é provável que os adversários já tenham alcançado seus objetivos no campeonato. O jogo contra a Sampdoria, candidata a uma vaga na Liga dos Campeões, requer cuidados.

Milan (60 pontos)
Cagliari (f), Catania (c), Sampdoria (f), Palermo (f), Fiorentina (c), Genoa (f), Juventus (c)

A tabela rossonera é a mais complicada. Nas últimas cinco rodadas, o time de Leonardo enfrenta times que disputam classificação para as competições europeias. Inclusive a Juventus, que em condições normais adoraria ver Roma ou Milan tirando o título da Inter, mas deve ter que jogar sério.

No que diz respeito à tabela, um pouco melhor para a Inter.

Ambiente

A tranqüilidade reina na Roma, com a sensação de que o time foi muito mais longe do que se imaginava. Mas agora que está na briga, o ambiente em Trigoria é de máxima motivação e união do grupo em torno do scudetto. A torcida também está em estado de graça, vibrando com a real possibilidade de conquistar um título que não chega desde 2001. Ou seja, o trabalho de Ranieri passa a ser de contenção da euforia.

O ambiente da Inter tem seus problemas, como prova o recente afastamento de Mario Balotelli por um desentendimento com Mourinho. Os jogadores parecem ter se colocado ao lado do treinador na polêmica. Há algumas rodadas vigora o “silenzio stampa”, a decisão de ninguém falar com a imprensa. Mais um capítulo nos jogos mentais do português, que gosta de criar inimigos invisíveis para combater.

O problema no Milan, entra ano e sai ano, é sempre o mesmo: Silvio Berlusconi gosta de cornetar, fala demais, e normalmente fala na hora errada. Leonardo mostrou pulso firme ao rebater publicamente as críticas do dono do clube, mas lidar constantemente com os palpites do primeiro-ministro é uma forma de desgaste. Especialmente porque soam injustas, sendo de Berlusconi a responsabilidade pela falta de investimentos em um elenco deficiente.

Em resumo, só na Roma o ambiente é plenamente satisfatório.

Quem decide?

A Inter tem nomes de sobra para fazer diferença nos jogos finais. Diego Milito é o goleador da equipe, mas Samuel Eto’o tem crescido e conta com histórico de gols importantes. Para municiá-los, o talento de Wesley Sneijder. No sistema defensivo, Lucio e Samuel são uma garantia, assim como Maicon, com o equilíbrio entre suas arrancadas e sua importância na marcação. O meio-campo tem no ótimo Esteban Cambiasso seu esteio. O ponto de interrogação fica sobre Júlio César, habitualmente uma fortaleza debaixo das traves, mas recentemente com algumas inseguranças. A falha no primeiro gol da Roma foi digna de Dida em seus piores dias.

Na Roma, boa parte das esperanças passa pelo retorno de Francesco Totti, que dificilmente terá condição de jogar 90 minutos nas partidas que restam, mas tem talento e experiência de sobra para fazer a diferença, começando os jogos ou saindo do banco de reservas. Sem falar na disposição de Luca Toni, a referência que faltava no ataque, e no ótimo momento de Mirko Vucinic a seu lado. A solidez no meio-campo é garantida pela dupla Pizarro-De Rossi, ambos bons marcadores e capazes de incidir também no jogo ofensivo.

O Milan deve depender muito de Ronaldinho nas rodadas finais – o que não é necessariamente ruim, considerando a ótima temporada do brasileiro, que tem o absurdo de 16 assistências. Mas, além dele, quem pode fazer a diferença? Clarence Seedorf, talvez. De resto, com as lesões de Pato, Nesta e Beckham, ficou exposta a frequeza do grupo rossonero.

Em matéria de jogadores com poder de decisão, pequena vantagem da Inter sobre a Roma.

E se empatar?

Em caso de empate em pontos no fim do campeonato, prevalece o desempenho das equipes no confronto direto.

Havendo igualdade entre Inter, Roma e Milan, a Inter leva o título: 7 pontos, contra 5 da Roma e 4 do Milan. Se a igualdade for entre Inter e Milan, vantagem dos nerazzurri, que venceram os dois clássicos. No caso de empate entre Inter e Roma, no entanto, quem leva é o time da capital, que empatou em San Siro e venceu em casa. Por fim, se terminarem Milan e Roma com os mesmos pontos, melhor para os rossoneri, que venceram em casa e empataram no Olímpico.
 

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Equipe Trivela

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