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Vim, vi, venci

Andrea Pirlo não foi o jogador mais importante na campanha do título do Milan no último Campeonato Italiano, longe disso. Minado por lesões, fez apenas 12 jogos como titular e desequilibrou em poucos lances. Na Liga dos Campeões, naufragou. O Milan não se esforçou para mantê-lo no elenco, Pirlo também não fez questão de continuar em Milão e, ao fim do contrato, o camisa 21 decidiu defender as cores da Juventus. Dificilmente a transferência poderia ter dado mais certo.

Tanto a Juventus quanto Pirlo vinham de um dos piores anos de suas histórias. Era difícil prever como seria o casamento entre os dois, mas o jogo de estreia bastou para que o meia mostrasse a que veio. Deu show e duas assistências na goleada sobre o Parma e esbanjou um fôlego que parecia perdido. Não demorou para que Antonio Conte, treinador alvinegro, redesenhasse sua formação para que Pirlo ganhasse mais liberdade.

Arquitetura e futebol parecem sinônimos no jogo de Pirlo. Na disputa ponto a ponto com o Milan, é ele quem tem sido o famoso “algo mais”, o jogador decisivo que guia as manobras ofensivas do time de Conte. São 84,6 passes realizados por jogo, em média. Para que você tenha uma noção do que isso representa, o segundo atleta no quesito é Montolivo, com 67,3 passes por encontro. Na Serie A, Pirlo também é quem mais acerta lançamentos (11,2/jogo) e um dos jogadores que menos perde a bola: sofreu apenas 59 desarmes, muito pouco para quem acertou 2.347 passes.

Ter um jogador com essas qualidades representa uma baita revolução para a Juventus, que agora aposta na posse de bola para vencer. O time tem, em média, 61% de tempo de bola nos jogos que disputa, evolução considerável se levarmos em conta os tempos de Poulsen, Sissoko, Felipe Melo. Contra a Roma, neste fim de semana, o trio formado por Pirlo, Vidal (melhor em campo) e Marchisio deitou e rolou. Todos marcaram gols, adestraram os rivais e abriram espaço para que De Ceglie tripudiasse de Rosi na lateral esquerda. Os 4 a 0 facilmente marcados no rival mais difícil da reta final do campeonato praticamente garantiram o 28º título italiano da Juventus, quem sabe de forma invicta.

Voltando a atuar no 3-1-4-2, a Juventus não deu espaço para a Roma. Como não tem dado aos rivais. A sensação nos jogos da Velha Senhora é que a motivação tem ultrapassado qualquer colocação tática – de que adiantaria um time quadradinho com atletas em má fase, afinal? Essa Juventus mostra bastante movimentação e força de vontade, um avanço notável em relação aos times recentemente montados por Claudio Ranieri e Luigi Delneri. A concentração também é digna de nota e faz com que o time tenha uma defesa quase intransponível. Nos últimos sete jogos, levou apenas um gol. E os meias finalmente se encaixaram no novo esquema, o que tem ajudado bastante na evolução ofensiva dos alvinegros.

Como leva vantagem no confronto direto com o Milan, bastará que a Juventus termine com o mesmo número de pontos do rival para assegurar um dos títulos italianos de gosto mais especial na história da Velha Senhora. Será a primeira conquista desde o rebaixamento e os dois campeonatos anulados no tapetão. Os três pontos de vantagem a cinco rodadas do fim da Serie A praticamente definiram a vingança de Pirlo. A Juventus poderá ganhar um jogo a menos do que os rubro-negros para se tornar campeã. Nas próximas rodadas, os alvinegros enfrentarão Cesena, Novara, Lecce, Cagliari e Atalanta. Já Milan terá Genoa, Siena, Atalanta, Inter e Novara. Comemorar é só questão de tempo.

Pallonetto

 

– O título da Juventus só não está ainda mais definido porque Ibrahimovic conjurou um gol salvador contra o Bologna, nos acréscimos. O Milan empatou em 1 a 1 e salvou pelo menos um pontinho, mas não se livrou do vexame de ter sido dominado, em casa, pelo adversário. Com direito a erros ridículos de van Bommel e Bonera e prestações terríveis de Robinho, Seedorf e do próprio Ibrahimovic.

– A corda de Massimiliano Allegri nunca esteve tão bamba. Maior responsável pela saída de Pirlo, o treinador milanista parece ter perdido o controle do vestiário justamente nessa fase decisiva. Fontes dizem que Nesta só toparia renovar o contrato caso o comando do time mude.

– Por falar em corda bamba, a situação de Luis Enrique na Roma não é lá a mais estável. Contra a Juventus, pela quarta vez na temporada, seu time levou quatro gols em uma partida. Número inaceitável para quem ainda luta por uma vaga na Liga dos Campeões. As exclusões de Totti e Heinze não foram engolidas pela torcida.

– Mas quem protagonizou o maior vexame do fim de semana foi parte da torcida organizada do Genoa. Alguns idiotas não aceitaram ver o Siena marcando o gol do 0 a 4, jogaram bombas de gás no campo e exigiram que os jogadores dessem a torcedores as camisas que usavam, pois não seriam dignos de vesti-las. Só Sculli e Frey se recusaram a ceder. As punições já vieram. Onze torcedores já foram proibidos de entrar em estádios por cinco anos e o time terá que fazer os jogos em casa que restam no campeonato de portões fechados.

– Dentro de campo, impressiona a mediocridade deste Genoa, que não vence desde 5 de fevereiro. Já são 11 jogos sem sucesso e o time, agora, está a apenas um ponto da zona de rebaixamento para a segunda divisão. Para um elenco que conta com gente do nível de Palacio, Gilardino, Frey, Belluschi e Miguel Veloso, é uma campanha inaceitável.

– Seleção Trivela da 34ª rodada: Handanovic (Udinese); Cuadrado (Lecce), Nastasic (Fiorentina), Acerbi (Chievo), De Ceglie (Juventus); Pérez (Bologna), Vidal (Juventus) e Bradley (Chievo); Brienza (Siena), Ramírez (Bologna) e Vucinic (Juventus).

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Equipe Trivela

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