ItáliaSerie A

[Vídeo] Os 80 anos de Sívori, o genial camisa 10 que antecipou Maradona na Itália

Diego Maradona fez seu nome na Europa muito graças a sua passagem pelo Napoli. Transformou um clube mediano em gigante na Itália, mesmo em tempos de craques espalhados pela Serie A. Encantou como poucos. Para os mais antigos, no entanto, o Pibe nada mais era que o herdeiro de outro argentino que arrebentou na Bota. Se Omar Sívori hoje é chamado de  “Maradona dos anos 60”, os torcedores mais velhos da Juve é que podiam chamar Diego de “Sívori dos anos 80”. Camisa 10 baixinho e de perna esquerda habilidosa, o veterano ainda hoje é considerado um dos maiores ídolos da história da Juventus. O primeiro jogador do futebol italiano a faturar a Bola de Ouro completaria 80 anos nesta sexta, se ainda estivesse vivo.

VEJA TAMBÉM: Quantas Bolas de Ouro Pelé teria se pudesse concorrer? Nós damos a resposta

Nascido na região de Buenos Aires, Sívori brilhou por pouco tempo na Argentina. Em tempos nos quais o River Plate se reconstruía após perder seus craques para o El Dorado colombiano, o garoto despontou para reerguer os Millonarios. Com 20 anos mal completados, liderou o clube no tricampeonato argentino entre 1955 e 1957. Mais que o suficiente para que se tornasse um tesouro em Núñez. Descendente de italianos pelos dois lados de sua família, o camisa 10 acabou atraído pela Juventus, que desembolsou 10 milhões de pesos em sua contratação. Tornou-se a maior transferência da história naquele momento. E, ainda que sua saída tenha sido seguida por uma seca de 18 anos do River, o dinheiro da venda serviu para bancar a conclusão das obras do Monumental, com um setor do estádio batizado em sua homenagem.

Em Turim, Sívori tornou-se uma estrela internacional. Era o suprassumo da habilidade em um ataque poderosíssimo da Juve, que também contava com Giampiero Boniperti e John Charles. Logo de cara, conquistou três títulos da Serie A em quatro temporadas. E o futebol exuberante o levou a ser eleito o melhor da Europa em 1961, premiado com a Bola de Ouro. Naquela época, chegou a fazer seis gols em um Dérbi D’Itália contra a Internazionale, que terminou com goleada da Velha Senhora por 9 a 1. Além disso, também chegou a ameaçar o poderoso Real Madrid. Com um gol do camisa 10, a Juve se tornou o primeiro clube italiano a desbancar os merengues dentro do Bernabéu, com direito a Puskás, Di Stéfano e 130 mil nas arquibancadas. Por uma derrota no jogo de desempate, os bianconeri não eliminaram os blancos nas quartas de final da Champions de 1961/62.

O sucesso da Juventus não se repetiu na sequência nos anos 1960. Tempos áureos para o futebol italiano, que contou com o Milan e a Inter campeões continentais na década. Mesmo assim, Sívori destoava por sua qualidade. Entre 1960 e 1964, esteve sempre entre os finalistas da Bola de Ouro – tempos em que já tinha se naturalizado italiano para disputar o prêmio. Inclusive, disputou o Mundial de 1962 pela Azzurra, embora tenha defendido também a seleção argentina, conquistando inclusive a Copa América de 1957. Já em 1965, por um desentendimento com o técnico, deixou a Velha Senhora, eternizado como o terceiro maior artilheiro da história do clube naquele momento. Ainda hoje, permanece em quinto, com 167 tentos anotados.

Quis o destino que Sívori terminasse a carreira justamente onde Maradona se consagraria na Itália. O camisa 10 defendeu o Napoli por três temporadas, mas já vivia o ocaso da carreira. Mesmo assim, liderou os celestes ao vice-campeonato italiano em 1967/68, em time que também contava com Dino Zoff e José Altafini, o Mazzola. Despedida digna para quem foi genial em seu tempo. Mesmo abaixo de Maradona, a aproximação entre os craques não é descabida.

“Em certo nível, dizer quem foi o melhor, é poder se equivocar. Como se vai dizer que Pelé foi menos que Maradona, ou que Di Stéfano foi menos que Maradona e Pelé? É uma pergunta que não se tem resposta. Eu penso que quando se joga a certo nível, não existe possibilidade de escolher o melhor. Você pode dizer quem foi o jogador que mais te agradou. Não creio que Maradona tenha sido melhor que Pelé, Di Stéfano ou mesmo Cruyff. O que posso dizer é que, a mim, o jogador que mais me divertiu na vida foi Maradona”

Omar Sívori

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo