
Vencer um dérbi pode mudar o rumo de uma temporada e as primeiras horas depois de Milan 0 x 1 Inter são um belo indício a favor dessa afirmação. Até a próxima disputa entres os gigantes de Milão, na penúltima rodada do campeonato, a vitória no clássico sempre será usada a favor dos comandados de Ranieri.
Sem a liderança da Serie A, o Milan perderá parte da serenidade que tinha para trabalhar: estar na frente, ser o atual campeão e vir de três vitórias seguidas em clássicos faz diferença. De sopetão, a torcida entendeu que o time não é invencível em campos locais e mostrou muita impaciência ao vaiar Alexandre Pato. Sobre os erros do Milan, você pode ler aqui.
A pergunta que ficou após o dérbi é: até onde vai essa Inter? Com seis vitórias consecutivas e só um gol sofrido nesta sequência, os nerazzurri agora veem a liderança do campeonato a apenas seis pontos. Nas últimas rodadas, as estratégias têm mudado de partida para partida – e funcionado. Em 2012, a Inter asfaltou o Parma fazendo pressão em todo o campo e, uma semana depois, jogou apenas no erro do Milan. Venceu as duas vezes.
Ranieri entendeu o elenco que tem em mãos, ao contrário do que fez Gasperini, seu antecessor. Méritos dele, que soube identificar a melhor pessoa a quem poderia recorrer e teve humildade para buscá-la. O próprio Ranieri já admitiu ter pedido conselhos a José Mourinho, que treinou 14 atletas do atual elenco da Inter. Com isso, nem ousou arriscar o 3-4-3 suicida de Gasperini.
Em um 4-4-2 que, no máximo, se torna um 4-3-1-2, Ranieri ressuscitou jogadores essenciais. Samuel e Lúcio voltaram a formar uma sólida dupla de zaga, Júlio César afastou a longa má fase para recuperar o posto de melhor goleiro do campeonato e Milito descobriu que não estava encerrado para o futebol. Os quatro jogaram muito no dérbi, assim como o interminável Zanetti, este ser alienígena que atua bem até no meio do armagedom.
A torcida que incensa Ranieri é a mesma que detonou sua contratação. Em menos de quatro meses em Appiano Gentile, o treinador romano alcançou a melhor marca da carreira. São 15 vitórias em 22 jogos disputados (68,2%), resultado bem melhor do que o obtido no último trabalho, com a Roma, quando chegou a 57,1% de vitórias.
E a pergunta lá do terceiro parágrafo? Melhor mudá-la. Em vez de questionar “até onde vai a Inter?”, é melhor pensar até onde pode chegar um time liderado por Claudio Ranieri. O último título do comandante em um torneio de pontos corridos foi a Serie C de 1989, pelo Cagliari. Naquela época, Zanetti nem era ainda um jogador profissional!
Para Mourinho, ex-desafeto que se tornou conselheiro, sempre faltou Ranieri uma mentalidade vencedora. Difícil acreditar que esta tenha surgido de dois anos para cá. Bom motivador no início dos trabalhos, costuma patinar depois de algum tempo, justamente na reta final dos torneios que disputa. Na Roma, viu seu time que vencia o Genoa por 3 x0 levar a virada. Na Juventus, empatou seis e perdeu dois de seus últimos oito jogos. No Valencia, foi despedido depois de ser eliminado na Copa Uefa para o Steaua Bucareste.
A Inter anima, sim. Sonhar com o scudetto é de graça. Mas, convenhamos, fica difícil acreditar em título quando se vê qual treinador está sentado naquele banco de reservas.
Pallonetto
– Continua a novela Tevez. Berlusconi teria impedido a transferência do argentino para o Milan, o Manchester City teria recusado uma oferta de 25 milhões de euros da Inter, os jornais teriam inventado pelo menos dez vezes mais do que realmente aconteceu.
– Contratado como solução para a defesa do Novara, o zagueiro Rinaudo não poderia ter imaginado uma estreia pior. Contra o Cesena, marcou um gol contra, falhou em outro e ainda teve seu nome escrito erroneamente na camisa: Rinuado.
– A partida Catania x Roma foi interrompida aos 20 minutos do segundo tempo, por causa da forte chuva que caía na cidade siciliana. Mas os times não deveriam sequer ter voltado do intervalo. O campo já estava impraticável.
– Seleção Trivela da 18ª rodada: Frey (Genoa); Pulzetti (Bologna), Granqvist (Genoa), Astori (Cagliari), Tomovic (Lecce); Zanetti (Inter), Sammarco (Chievo), Nainggolan (Cagliari); Giovinco (Parma), Milito (Inter) e Mutu (Cesena).



