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Totti: 20 anos de idolatria na Roma. E ele quer ainda mais

Já se vão 20 anos desde a estreia. No dia 28 de março de 1993, Francesco Totti fazia sua primeira aparição no time principal da Roma, um dia depois de desequilibrar com a equipe primavera. O garoto de 16 anos foi chamado pelo técnico Vujadin Boskov e entrou no segundo tempo contra o Brescia, pela Serie A. Era o início da lenda. Uma carreira de dedicação aos giallorossi, com números mais do que suficientes para se colocar como o maior da história do clube.

E, apesar dos 36 anos de idade, Il Capitano quer mais. Para ele, não basta ser o maior goleador da história da Roma, com 281 gols, ou o jogador com mais atuações pelo clube, com 668 partidas. Vinculado ao clube até o final da próxima temporada, Totti espera ampliar sua permanência no Estádio Olímpico.

“O tempo voou porque eu fiz tudo com paixão. Eu espero não ter problemas físicos e continuar assim. O meu contrato se encerra em uma temporada, mas espero uma renovação e irei conversar diretamente com o presidente James Palotta sobre o assunto na próxima semana. Sinto prazer pelo clube continuar demonstrando confiança”, declarou o atacante, em entrevista à Gazzetta dello Sport.

Totti admite que poderia ter deixado a capital em duas oportunidades, mas não lamenta sua escolha de fazer história no clube: “Carlos Bianchi odiava os romanos. Se eu tivesse ido para a Sampdoria, poderia nunca ter voltado. Mais tarde, antes da minha penúltima renovação, eu tinha decidido me juntar ao Real Madrid. Contudo, meu contrato e alguns problemas pessoais me forçaram a ficar. E não me arrependo em momento algum por isso”.

Novos recordes e a Copa do Mundo

TottiPretendendo jogar até os 40 anos, Il Capitano possui como objetivo para os próximos anos alcançar Silvio Piola como maior artilheiro da história da Serie A – são 48 gols de diferença. Considerando a média próxima de 15 gols nas últimas temporadas, seriam necessários mais três anos em atividade para buscar a marca. Apesar disso, o atacante se coloca como o melhor jogador italiano em uma lista imaginária: “Ninguém se coloca à frente, porque os números falam claramente”.

Ainda assim, Totti se rende a um estrangeiro: “O único jogador que me fez pensar que eu nunca repetiria seu nível é Messi”. E o italiano ainda considera que, não fosse a eliminação na Eurocopa de 2000, também poderia se juntar ao argentino na lista de ganhadores da Bola de Ouro: “Eu poderia ter vencido em 2000. Se a Itália ganhasse a Euro, eu poderia ter ficado com o prêmio, já que também ganhei o Campeonato Italiano”.

E o último capítulo de sua história com a camisa da seleção italiana ainda pode estar por fim. Longe da Azzurra desde 2006, o atacante se mostra aberto à possibilidade levantada por Cesare Prandelli de retornar ao time e disputar o Mundial de 2014, embora tenha ressalvas: “A Copa do Mundo é o máximo, especialmente no Brasil, onde o futebol é tudo. Porém, se a seleção não fosse bem, todos saberiam a quem culpar. Os críticos diriam que a Itália convocou o veterano que arruinou o elenco”.

Independente do retorno à seleção, da conquista da Bola de Ouro ou do registro de mais alguns recordes, Totti já está no pedestal. Os serviços prestados à Roma, por si sós, já o colocariam entre os maiores. Entretanto, acima disso, está o talento, a regularidade e a postura do capitão. Uma idolatria que completa 20 anos e que promete se renovar por mais algum tempo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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