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Sonho por um fio

Com uma torcida pequena, razoavelmente calma e que só nos últimos anos tem voltado a sentir o encanto pelo futebol, a Udinese dá-se o luxo de permitir uma boa sequência de jogos a jogadores medianos. Entrosados, bem treinados e sem pressão, atletas esforçados ganham confiança, fazem bons campeonatos e acabam vendidos por altos preços. Funciona assim há uma década, desde quando Luciano Spalletti ainda comandava o time friulano. Mas o encanto parece perto de acabar.

Ainda que seja cedo, a queda para o Braga nos play-offs da Liga dos Campeões e o começo com duas derrotas no Campeonato Italiano escancaram a falta de profundidade do elenco friulano, o segundo mais jovem entre as 20 equipes da Série A – média de 25 anos e dois meses. Além da carência de jogadores experientes além de Di Natale, Pinzi e Domizzi para segurar o tranco, o principal problema notado no início da temporada é que o clube apostou em quem já havia demonstrado não estar preparado para desempenhar um papel importante na primeira divisão.

E poucos podem ilustrar isso melhor do que os medíocres Badu e Pereyra, responsáveis por substituir os ótimos Isla e Asamoah, negociados com a Juventus. Reconhecidamente limitado, o ex-flamenguista Willians chegou a Udine para disputar posição com a dupla. A saída de Handanovic para a Inter também não foi bem reposta pela diretoria.

As dificuldades no ataque da Udinese deixam claro os erros na montagem do elenco. O jovem atacante colombiano Muriel chegou para ser titular, mas se lesionou e só voltará em mais de dois meses. Sem ele, até mesmo os medianos Torje e Floro Flores, ejetados da equipe na última janela de transferências, fazem falta. Fabbrini corre demais, mas produz pouco; Maicosuel perdeu um pênalti decisivo na Liga dos Campeões e se queimou com a torcida. Tão caótica é a situação que o brasileiro Barreto acabou “desafastado” e pode virar titular logo na terceira rodada.

Com tantos erros de avaliação na conta dele e da direção, o treinador Francesco Guidolin não tem escondido o desânimo com a situação da Udinese e deixou claro que, no mais tardar, deixa o clube ao fim da temporada. Especula-se que o comandante tenha ficado ainda mais decepcionado por não ter à disposição um entre Rocchi, Maccarone ou Corvia, atacantes que havia pedido em agosto. O mercado, porém, teve fim tragicômico: a Udinese deu cinco anos de contrato ao centroavante sueco Ranégie, que aos 28 anos terá a primeira oportunidade no exterior.

É praticamente impossível que Ranégie seja um novo Alexis Sánchez, contratado por € 1 milhão e negociado por € 26 milhões quatro anos depois. A Udinese se acostumou a torrar os lucros de suas vendas em novas promessas ao redor do mundo. Para cada Iaquinta, que rende um superávit de € 11,3 milhões, porém, há pelo menos uma dezena de foguetes molhados, atletas que deixam a equipe antes mesmo de chegar a cinco partidas oficiais. Foi o caso de brasileiros como Felipe Sodinha (ex-Paulista de Jundiaí), Thiago Schumacher (ex-Atlético-PR) e Alemão (ex-Santos). E de um punhado de italianos, franceses, espanhóis e africanos.

Com 35 anos nas costas, o interminável capitão Di Natale terá de fazer milagre e guiar sozinho o setor ofensivo da Udinese enquanto torce pelo encaixe ideal do meio-campo e para que os zagueiros Benatia e Danilo recuperem a boa fase da temporada passada. Os resultados podem até aparecer, mas a entressafra desanima. Tudo indica que a receita de comprar e engordar antes do “abate”, pelo menos neste ano, não vai funcionar.

Pallonetto

– Há dois anos, a Udinese começou em situação ainda mais incômoda, com quatro derrotas nas quatro primeiras rodadas, mas conseguiu se recuperar e encerrar a Série A na quarta colocação. Mas o time naquele ano ainda contava com Alexis Sánchez e viu a melhor temporada da carreira de Isla.

– Acabou o namoro entre Alexandre Pato e Barbara Berlusconi, filha do dono do Milan. Não estranhe se o atacante brasileiro mudar de equipe já em janeiro.

– Com a desculpa de que tal medida ajudaria a evitar lesões musculares, o Napoli proibiu que os jogadores da equipes façam sexo até dois dias antes das partidas. Disputando Campeonato Italiano, Copa da Itália e Liga Europa, está explicado porque Lavezzi se mandou para o Paris Saint-Germain…

– A trajetória da Itália nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014 começou com um empate em 2 a 2 com a Bulgária. A defesa com três atletas não convenceu, Giovinco se escondeu, Maggio atacou pouco. Osvaldo fez dois gols e foi um dos poucos a se salvar.

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