Serie A

Sem deslanchar nos últimos anos, Torreira tentará recuperar seu moral de volta à Serie A, emprestado à Fiorentina

Torreira teve dificuldades no Arsenal e mal jogou no Atlético, mas agora reaparece na Itália, onde viveu seu melhor momento

O futebol de Lucas Torreira eclodiu na Itália. Levado para o país quando ainda despontava nas categorias de base do Montevideo Wanderers, o meio-campista apareceu bem com o Pescara na Serie B e viveu seu ápice com duas boas temporadas pela Sampdoria. A partir de então, o uruguaio se transferiu para o Arsenal e teve um ótimo início na Premier League, mas caiu de nível. Perdeu espaço nos Gunners em seu segundo ano e também não recuperaria a melhor forma pelo Atlético de Madrid na temporada passada. Assim, o retorno à Serie A parece uma ótima pedida a Torreira. É por lá que ele tentará reencontrar seu futebol, emprestado à Fiorentina.

Torreira possui um estilo de jogo que parece se encaixar melhor no futebol italiano. É um volante com boa consciência tática e pegada, mas que também sabe organizar o jogo a partir de trás. Foi assim que desempenhou seu melhor na Sampdoria e chegou bem cotado ao Arsenal. Todavia, o uruguaio não manteve a regularidade nas últimas três temporadas. Em Londres, apesar do impacto inicial, o jovem nunca escondeu suas dificuldades para se adaptar ao novo país e se sentir bem por lá. Tal incômodo se refletiu diretamente em seu futebol, com a perda gradual de espaço com Mikel Arteta.

A mudança para o Atlético de Madrid parecia fazer bem a Torreira. Afinal, estaria num país onde não encontraria tantas barreiras com o clima ou com a língua. Mais importante, chegaria a um clube com sua colônia uruguaia, onde se encontraria com companheiros de seleção. E, por sua intensidade, se sugeria como um jogador que brilharia nas mãos de Diego Simeone. Não foi o que aconteceu. O volante chegou a pegar coronavírus em suas primeiras semanas com os colchoneros, o que atrapalhou a sequência inicial. Ainda assim, virou apenas um nome a mais no elenco campeão espanhol.

Sem que Torreira fosse considerado pelo Arsenal, um novo empréstimo pareceu a melhor saída. E a Fiorentina oferece a chance de retornar à Serie A, num país onde já viveu e numa liga onde se destacou. O meio-campista se junta a uma equipe em reconstrução sob as ordens de Vincenzo Italiano, que perdeu em sua estreia contra a Roma no novo campeonato. Ainda assim, é um time com bons recursos para engrenar. O uruguaio terá boas companhias no meio-campo, especialmente considerando a presença de Erick Pulgar, Gaetano Castrovilli e Giacomo Bonaventura no elenco.

Aos 25 anos, Torreira permanece com potencial. Todavia, o volante parou no tempo durante os últimos três anos. Depois de uma excelente participação na Copa do Mundo de 2018, o jovem esquentaria o banco até na seleção uruguaia durante os últimos meses. Precisa de mais regularidade para recobrar o moral. Talvez a Fiorentina seja esse lugar, mas já um patamar abaixo de Arsenal ou Atleti no cenário continental. Tende a ser um momento decisivo na carreira do meio-campista, que chegou a custar €28 milhões quando saiu para a Premier League, mas agora foi emprestado por apenas €1,5 milhão, com opção de compra por €15 milhões na próxima temporada.

A Fiorentina faz um mercado bastante movimentado até o momento. Entre os reforços da equipe estão Matija Nastasic (Schalke 04), Igor (Spal) e Nico González (Stuttgart). Vale ressaltar também que alguns jogadores antes emprestados voltaram ao elenco com espaço, a exemplo dos meio-campistas Youssef Maleh e Riccardo Saponara, ambos em campo na rodada inaugural da Serie A. Torreira é mais um recurso nas mãos do ótimo Vincenzo Italiano, respaldado por seu bom trabalho no Spezia antes de chegar em Florença.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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