Serie A

Salernitana olhou para o Nordeste em busca da salvação, mas a vitrine europeia de Mikael e Éderson será caótica

Salernitana trouxe uma série de reforços nesta janela de inverno, para melhorar a situação daquele que é visivelmente o pior time da Serie A

A Salernitana só pôde garantir sua presença no segundo turno da Serie A após a chegada de novos donos. O clube conquistou o acesso sob as ordens de Claudio Lotito, mas o presidente da Lazio não poderia comandar dois clubes distintos na elite e precisou vender sua participação. A nova administração provisória demorou a encontrar um novo proprietário e somente em 31 de dezembro o empresário Danilo Iervolino assumiu o controle. Precisou gastar nesta janela de transferências. Diante da péssima situação dos grenás na lanterna do Campeonato Italiano, reforços eram mais que necessários na janela de transferências de inverno. E, no pacotão de novos jogadores que chegaram em Salerno, chama atenção o olhar para o Brasil – mais especificamente para o Nordeste. O volante Éderson e o atacante Mikael tentarão garantir pontos vitais à Salernitana, enquanto buscam uma porta aberta no futebol europeu.

Éderson foi o único reforço contratado em definitivo pela Salernitana, por €6 milhões. O meio-campista pertencia ao Corinthians, mas fez a grande temporada de sua carreira no Fortaleza. O jovem de 22 anos foi um dos principais nomes na histórica campanha dos tricolores no Brasileirão e figuraria entre os melhores de sua posição no campeonato. Poderia ser uma peça essencial para a Libertadores com o Leão do Pici, assim como teria mercado no próprio Brasil se desejasse sair. Escolhe um caminho alternativo na Europa, para atuar numa grande liga, mas sem as melhores condições.

Mikael, por sua vez, chega por empréstimo do Sport. A Salernitana pagou €800 mil pela transação e tem opção de compra estipulada. O centroavante de 22 anos é cria da base rubro-negra e logo se tornaria um dos xodós da torcida. Também teve momentos muito bons no último Campeonato Brasileiro, com grandes atuações principalmente durante o segundo turno, embora seus gols não tenham evitado o rebaixamento do Leão da Ilha. Preferiu seguir para um caminho alternativo para a Europa, quem sabe para chamar atenção de clubes maiores e buscar novos objetivos.

Antes de Mikael e Éderson, outros 15 jogadores brasileiros defenderam a Salernitana. Os nomes mais conhecidos são os volantes Leandro Guerreiro e Fabiano, que vestiram a camisa grená no início da década de 2000. Alan Empereur foi outro atleta mais recente, entre 2015 e 2016. Há também algumas figuras menos conhecidas que tiveram mais impacto em Salerno – incluindo o ponta Gustavo, o centroavante Caetano Calil e o ponta Denilson Gabionetta. Éderson e Mikael estão uma classe acima, pelo potencial e pelo desempenho recente.

A situação da Salernitana na Serie A é péssima. A equipe claramente é a mais fraca do campeonato e teve raros momentos positivos ao longo do primeiro turno. Os grenás ocupam a lanterna desde a primeira rodada, com só dez pontos somados, além de 53 gols sofridos em 22 partidas e só 14 anotados. Será necessário um milagre para tirar a diferença de oito pontos e conseguir a salvação. Com o bonde andando, a equipe precisará ser remontada e as chances de isso dar certo são bem pequenas. Mesmo assim, Éderson e Mikael tentarão a vitrine num cenário calamitoso. É uma oportunidade, mas das mais difíceis para os dois vingarem, por mais que tenham talento.

O mercado da Salernitana buscou outros perfis além dos brasileiros. Os veteranos Federico Fazio (Roma) e Ivan Radovanovic (Genoa) chegaram seu custos. A diretoria também amarrou os empréstimos de Simone Verdi (Torino), Luigi Sepe (Parma), Lys Mousset (Sheffield United), Pasquale Mazzochi (Venezia), Radu Dragusin (Juventus) e Emil Bohinen (CSKA Moscou). Com um pacotão tão grande de reforços, alguns tiveram que sair, e a despedida mais relevante foi o empréstimo do atacante Simy para o Parma. Também surgiu o rumor do fim do contrato de Franck Ribéry, o que não se concretizou. Além disso, entre os possíveis reforços, outro nome brasileiro cogitado era Diego Costa.

O trabalho do técnico Stefano Colantuono será hercúleo durante as próximas semanas. Terá que descobrir o melhor encaixe de seus novos jogadores, enquanto tem nas mãos um time em frangalhos. Pelo potencial que apresentam, Éderson e Mikael podem muito bem mostrar serviço. Continuar na Serie A com o clube será outra história, e talvez os dois precisem aceitar uma briga pelo acesso em 2022/23 se quiserem uma continuidade maior na Salernitana. É difícil imaginar um destino diferente do rebaixamento para os grenás.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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