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Rossi e a atuação contra a Juve que vale mais do que três gols

Para o torcedor da Fiorentina, não há jogo mais importante no ano que o confronto com a Juventus. É o maior rival do time de Florença, ainda que a recíproca não seja verdadeira. Considerando que a Juventus é apontada como a grande favorita da temporada na Itália, uma vitória significaria muito mais: além de derrubar o grande time italiano das últimas duas temporadas, ainda vence um rival e, mais, mostra que tem força para brigar. Por tudo isso, a vitória em uma virada fantástica por 4 a 2 e uma atuação decisiva de Giuseppe Rossi foram um momento de sonho se tornando realidade.

A rivalidade remonta desde a origem do clube, em 1926, quando o clube foi fundado justamente para criar uma força contra os times do nordeste italiano, onde ficam Juventus, Inter e Milan, mas pegou fogo mesmo na temporada 1981/82, quando a equipe viola perdeu o título para a Juventus. Depois de uma arbitragem muito questionada no confronto direto entre os dois times, a Fiorentina teve um gol anulado contra o Cagliari, na rodada final, em jogo que empatou por 0 a 0, enquanto a Juventus teve um pênalti controverso a seu favor para vencer o Catanzaro por 1 a 0. A combinação fez a Juventus terminar um ponto à frente e levantar a taça. A rivalidade explodiu.

A situação se agravou na temporada 1989/90. A Fiorentina fez uma temporada terrível e só escapou do rebaixamento na última rodada. Mesmo assim, conseguiu uma campanha muito boa na Copa da Uefa e chegou à final. A adversária? A Juventus de Salvatore Schillaci, Pierluigi Casiraghi e do técnico Dino Zoff. O time, que tinha Dunga e Roberto Baggio, mandava seus jogos em Perugia, porque o estádio Artemio Franchi não tinha condições de receber os jogos  internacionais. Por um incidente no jogo contra o Werder Bremen na semifinal, o time perdeu o direito de jogar no estádio. O jogo foi para Avellino, o que gerou reclamações da Fiorentina, porque a região é cheia de torcedores da Juventus. Pior ainda: no dia da final, foi anunciada a venda de Baggio à Juventus. O dono da Fiorentina na época, Flavio Pontello, passava por dificuldades financeiras e resolveu vender os principais jogadores.

A Juve venceu o primeiro jogo por 3 a 1 em Turim e o empate por 0 a 0 em Avellino deu o título ao time bianconero. Só que as coisas ficam piores. Os torcedores não aceitaram a venda de Baggio para a Juventus e fizeram fortes protestos contra a decisão, tomando ruas de Florença. Com isso, Pontello foi forçado a deixar o clube. Desde então, o sentimento de rivalidade tornou-se muito acirrado.

Voltando a 2013, os torcedores da Fiorentina presentes no estádio Artemio Franchi pareciam viver um drama. A Juventus fez 2 a 0 no final do primeiro tempo, com o primeiro gol saindo de um lance controverso. Tudo parecia mal, mas os últimos minutos da primeira etapa deixaram uma esperança. Àquela altura, quase um sonho.

O início do segundo tempo veio com calafrios ao time da casa. O goleiro brasileiro Neto salvou o time em três lances que poderiam ter decidido o jogo. As boas defesas permitiram ao time sonhar. O pênalti a favor da Fiorentina aos 20 minutos também gerou controvérsia. Giuseppe Rossi bateu, marcou e colocou a bola embaixo do braço. Não parecia possível, mas era preciso acreditar.

O gol de fora da área de Rossi aos 31 fez o estádio virar uma festa. Era o empate da Fiorentina, ainda com uma falha de Buffon. Dois minutos depois, Joaquín marcou o terceiro, o da virada. A Juventus, apática, não sabia lidar com a situação. E aí, mais dois minutos, e Giuseppe Rossi recebeu na entrada da área para bater colocado para fazer 4 a 2 e cravar uma vitória espetacular do time de Vincenzo Montella.

Rossi, de tantas lesões graves na carreira, volta a brilhar. Com os três gols, chegou a oito na Serie A e assumiu a artilharia do campeonato. Já tinha voltado à seleção graças à convocação de Cesare Prandelli. Com o futebol que tem apresentado, tem tudo para chegar à Copa do Mundo como titular da Itália, fazendo companhia a Mario Balotelli no ataque.

Uma vitória como essa da Fiorentina dá ao time a alegria de bater um rival e a confiança de quem venceu um time muito forte. Se foi possível vencer a Juventus, porque não vencer outros? Mais do que os três gols, Rossi deu à torcida da Fiorentina o sonho. E o que é o futebol sem os sonhos a cada jogo?

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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