Roma sofre para arrancar um pontinho diante do Torino em tarde marcada pelo retorno de Dybala
A Roma não tem sido o mesmo time desde a lesão de Paulo Dybala, em meados de outubro. A ausência do camisa 21, grande reforço para a temporada, explica a perda de intensidade ofensiva romanista, principal motivo pelo qual a Roma simplesmente não assusta mais ninguém, jogando dentro ou fora de casa. Neste domingo (13), a Loba só empatou com o Torino, por 1 a 1, no Olimpico.
Quando se olha para o que foi o início de temporada da Roma, parece difícil entender o que é que mudou na realidade de Mourinho. A Roma de hoje é insossa, não cria tantas ocasiões de gol e demora para entrar no jogo, via de regra. A doença talvez tenha nome: Dybalose. Ausência de uma peça fundamental para as ambições do clube. Amassada pelo Torino na primeira etapa, a equipe da casa só levou algum perigo com mais de meia hora no relógio. E ainda assim, apenas chegou ao gol de Vanja Milinkovic-Savic, efetivamente, na segunda etapa. O primeiro tempo ter sido encerrado com zero a zero no placar foi um tremendo lucro para Mourinho: espaçado demais, desconectado e desmotivado, o mandante foi encaixotado pelo Toro a ponto de chegar ao minuto 70 sem dar um chute a gol sequer.
Do outro lado, o Torino de Ivan Juric parece mais interessado e preparado para vencer, fazendo um jogo coerente com a proposta de seu treinador. A marcação alta e a aproximação de seus meias facilitou a criação. Com mais volume e vontade, os visitantes alcançaram merecidamente o gol inaugural, com um cruzamento na diagonal de Wilfried Singo para a cabeçada precisa de Karol Linetty, livre, leve e solto na marcação romanista.
A grande mexida de Mourinho veio quando a partida alcançava a faixa dos 70 minutos. O português perdeu a paciência com Tammy Abraham, que mal tocou na bola e errou domínios fáceis, para colocar Andrea Bellotti. Como era de se esperar, Mou também promoveu o retorno de Paulo Dybala (na vaga de Nicola Zalewski), que voltou de lesão na última semana e imediatamente gerou uma chance perigosa ao gol de Savic. Além disso, sacou Bryan Cristante e estreou o jovem meia Benjamin Tahirovic. Trocas em massa para tentar provocar o caos. Em segundos, Dybala deu o primeiro chute a gol da Roma na partida.
Com pouco mais de 20 minutos para agir, a Roma fez o que lhe cabia com nova energia no ataque. Colocou o Torino contra a parede e infernizou com uso mais inteligente dos espaços em campo e mais presença na área do Toro. Nicolò Zaniolo e Dybala passaram a ser as principais ameaças, mas o tempo jogou contra. E a arbitragem também: dois lances de mão na bola da zaga do Torino foram ignorados pela equipe do VAR.
Nos acréscimos, Dybala (sempre ele, note) foi derrubado na área por Koffi Djidji, com um pontapé na perna, e o árbitro não teve dúvidas: apontou o pênalti. Bellotti foi para a cobrança, fez uma expressão de paúra e desperdiçou, acertando no pé da trave. A frustração foi sentida nas arquibancadas, com muitas vaias. No lance seguinte, Dybala (tá vendo?) arrumou um chutaço no travessão, a bola voltou para a posse de Nemanja Matic, fora da área. O volante sérvio, outra peça que veio do banco após o intervalo, mandou um petardo do meio da rua para empatar. O drama dos locais se manteve, mas o ponto resgatado no fim diminuiu o peso da atuação fraca.
Se lá no início do texto a observação era como a Roma era inerte sem Dybala, a solução foi o argentino sair do banco, recuperado, mudando o patamar de sua equipe. Convocado para a Copa do Mundo por Lionel Scaloni, o camisa 21 é o catalisador dos planos de Mourinho e hoje é impensável qualquer êxito romanista sem ele. O retorno de Georginio Wijnaldum, em janeiro, também pode ser de grande valia para Mou, que já está bastante pressionado pelos recentes resultados no mês de novembro, sobretudo a derrota para a Lazio, no domingo passado.
Um empate contra o Torino ainda é muito pouco para esta Roma, e é isso que Mourinho, expulso nos minutos finais por reclamação, terá de refletir durante a pausa da Copa do Mundo. A distância em pontos para a Inter, que fecha o G4, não é grande. O abismo entre a Roma e os demais é mesmo na bola. O remédio? Você já sabe o nome.
Castigado com o gol de Matic no fim, o Torino não deve lamentar muito. Está a seis pontos da Atalanta, que fecha a zona de classificação para as competições continentais. E está dando muito trabalho aos grandes no campeonato, em uma prova de valentia e qualidade no trabalho de Juric. A vitória não veio, embora o desempenho tenha sido de uma equipe que jogou para vencer.



